Corinthians celebra 100 anos do nascimento de Baltazar 13/01/2026

Corinthians celebra 100 anos do nascimento de Baltazar – 13/01/2026 – Esporte

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Poucos jogadores na história do Corinthians foram tão queridos quanto Baltazar. Hoje o clube celebra os século anos do promanação do ídolo, que foi batizado Oswaldo, adotou o nome do irmão e se consagrou uma vez que o Cabecinha de Ouro.

“Nunca fui muito bom os pés”, mentia, abraçando a caricatura que o pintava uma vez que um jogador severamente restringido. “Mas ninguém, nem Pelé, foi melhor do que eu com a cabeça.”

Baltazar era ídolo do próprio Pelé, que relatou em diversas ocasiões ter feito “gol de Baltazar” em seu time de futebol de botão. O centroavante marcou 269 gols em 404 partidas em preto e branco, e mais de 70 desses gols foram comprovadamente de cabeça.

A habilidade pelo cima virou marchinha, uma música composta por Alfredo Borba que ganhou popularidade na voz de Elza Laranjeira: “Gol de Baltazar! Gol de Baltazar! Salta o Cabecinha, 1 a 0 no placar!”.

Os gols de Baltazar foram determinantes no período mais vitorioso da história do Corinthians. De 1950 a 1955, o time ganhou tudo o que era verosímil, com três títulos do Campeonato Paulista, três do Torneio Rio-São Paulo (o Roberto Gomes Pedrosa) e a Pequena Taça do Mundo, com duas vitórias sobre o Barcelona e duas sobre a Roma.

Aquela equipe tinha alguns dos grandes ídolos alvinegros, uma vez que Idário, Roberto Belangero, Cláudio e Luizinho. Mas, mesmo com seu jeito sisudo e silencioso –há quem diga que odiava a marchinha “Gol de Baltazar”–, foi Baltazar quem venceu o concurso O Craque Mais Querido do Brasil.

O prêmio foi um Studebaker zero-quilômetro, que veio a calhar. Enamorado por carros, o centroavante havia perdido seu Cadillac, que pegou queimação quando ele voltava de São Lourenço, em Minas Gerais, onde estava em período de concentração da seleção brasileira, em 1953.

Reza a mito que o jogador, em um de seus carros, foi flagrado na contramão na rua São Caetano, na região meão de São Paulo. O guarda de trânsito ficou incrédulo: “É o Cabecinha? É você mesmo, Cabecinha?”. Em vez de multá-lo, pegou seu autógrafo no próprio talão de multas.

A popularidade era tal que foi retratada em programa do humorista Silvino Neto, na Rádio Vernáculo. Ele imitava Adhemar de Barros, interventor, governador e grande figura política de São Paulo da dez de 30 à dez de 60.

“Quem é o maior político do Brasil?”, perguntava Silvino, emulando a voz anasalada de Adhemar. “Quem é o maior líder do Brasil?”, indagava. A resposta da poviléu, em coro, era: “A-dhe-mar! A-dhe-mar!”. Quando, no entanto, a questão era sobre “o maior cabeça do Brasil”, a poviléu explodia com outra resposta: “Bal-ta-zar! Bal-ta-zar!”.

Esse não era, no registro solene, o nome do bombeiro. Nascido Oswaldo Silva, em 14 de janeiro de 1926, em Santos, defendeu desde muchacho o time Flor da Noite, ao lado do irmão, Baltazar. Os pais chegaram a proibir os meninos de jogar. Só Oswaldo desobedeceu à ordem e avisou que jogaria por si e por Baltazar.

O sobrenome pegou, e foi uma vez que Baltazar que Oswaldo tentou a sorte no futebol. Atuou no Juvenil Guarany e no Flamengo, ambos de Santos, e chegou a vestir a camisa do União Monte Satisfeito, de Piracicaba, antes de iniciar verdadeiramente sua curso, uma vez que profissional, no Jabaquara, de Santos.

Destacou-se e chegou ao Corinthians em 1945, por 200 milénio cruzeiros mais a renda de dois amistosos. Mas levou tempo até virar “o craque mais querido do Brasil”. A equipe alvinegra vivia jejum de títulos desde 1941, e a contratação do garoto do bairro santista do Macuco não mudou imediatamente a situação.

Baltazar atuava desde sempre uma vez que meia-direita, e foi nessa posição que desembarcou no Parque São Jorge –o centroavante era Servílio, o Bailarino, outro ídolo histórico preto e branco. O jovem de Santos era criticado, jogava mal, até que o médico Sérgio Blumer Bastos diagnosticou fome e lhe receitou altas doses de cálcio.

O cálcio ajudou, mas também ajudaram os jovens incorporados ao elenco principal. Cabeção, Idário, Roberto Belangero e Luizinho se juntaram a Baltazar e a Cláudio –nascente ponta-direita, também nascido em Santos, até hoje o maior bombeiro da história do Corinthians–, e o alvinegro foi do jejum a uma sequência frenética de títulos.

Com o time encorpado, floresceu a parceria entre Cláudio e Baltazar, que, com a saída de Servílio, virou centroavante. Se Baltazar é o Cabecinha de Ouro, é o Cabecinha de Ouro por desculpa dos cruzamentos de Cláudio.

“Eu já sabia onde ele gostava do lançamento: na esquerda, detrás do beque meão. Eu centrava, ele pulava e cumprimentava, fulminava. No escanteio, o Baltazar saía da grande espaço. Quando ela estava chegando, na direção da marca do pênalti, ele estava chegando junto. De braços abertos, dava a cabeçada. Dificilmente errava”, disse Cláudio, em prova para o livro “Coração Corinthiano” (1992), de Lourenço Diaféria.

“O Baixinho fazia metade do trabalho. Bom de meio, de cobrança de falta, com globo correndo, com globo paragem”, reconheceu Baltazar. “Eu tive a felicidade de jogar com o mais perfeito jogador que vi. Foi o Cláudio.”

Baltazar foi convocado para a Despensa de 1950 –Cláudio, não, erro que o técnico Flávio Costa nunca conseguiu justificar. Foi decisivo também para a classificação da seleção ao Mundial de 1954, com cinco gols nos quatro jogos das Eliminatórias.

O corinthiano começou as duas Copas uma vez que titular e depois perdeu a posição, mesmo marcando gols. Não compreendeu as decisões e chegou a expressar que nunca voltaria a tutelar o time amarelo –ele foi o responsável dos dois primeiros gols do Brasil com a camisa amarela, em 1954, uma vitória por 2 a 0 sobre o Chile, em Santiago.

Sua seleção era mesmo o Corinthians, clube no qual foi também técnico das categorias de base e da equipe profissional, no primeiro Campeonato Brasílico, em 1971. Atuou posteriormente uma vez que carcereiro e treinador do time da penitenciária do Carandiru, em São Paulo. E foi instrutor do Ceret (Meio Esportivo Recreativo Educativo do Trabalhador), na zona leste paulistana, pouco antes de morrer, em 1997, aos 71 anos, com problemas de circulação sanguínea.

“É o Cabecinha?”, perguntava no Ceret, vez ou outra, um torcedor alvinegro, uma vez que fizera o guarda de trânsito na rua São Caetano. Ao que ele respondia: “Sim. Senhor o Corinthians com todas as minhas forças”.

Folha

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