Designer britânico viralizou no TikTok com padrões inusitados de bolas, uma vez que peças de Tetris, quebra-cabeças e o casco de tatu-bola. Ele conta ao g1 que, depois saber a história da brasileira Mirthes Bernardes, usou o planta estilizado das ruas de SP para geração engenhosa; VÍDEO. Pai de bolas divertidas usa história escondida das calçadas de SP uma vez que inspiração
O britânico Jon-Paul Wheatley viralizou no TikTok com uma atividade incomum: costureiro de bolas de futebol. Ele cria desafios para si mesmo com padrões geométricos malucos, e faz bolas baseadas em peças de Tetris, quebra-cabeças e até no casco de um tatu-bola.
Em procura de formatos diferentes dos pentágonos e hexágonos das bolas tradicionais, ele ficou obcecado por uma imagem: o padrão das várias calçadas de São Paulo – aquele planta estilizado do estado.
O vídeo de Jon-Paul costura o duelo geométrico com a curiosidade histórica: ele resgata a geração da arquiteta e artista Mirthes Bernardes (nome artístico de Mirthes dos Santos Pinto), em 1966, muitas vezes desconhecida pelos próprios paulistanos. Clique supra para presenciar.
“Me deparei aleatoriamente com uma postagem no X (vetusto Twitter). Primeiro fui impactado pelo próprio padrão, depois comecei a ler as respostas e a me aprofundar na história por trás disso”, explica o artista ao g1 sobre uma vez que conheceu o padrão e decidiu usá-lo em sua obra.
“Quanto mais eu investigava a história de Mirthes Bernardes, mais eu pensava que seria uma ótima base para uma esfera.”
A postagem de que Jon-Paul fala – e pode ser vista logo inferior – mostra a arquiteta sentada ao lado de sua geração, além de mostrar um croqui do padrão.
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Mas uma vez que colocar essa padronagem em uma esfera?
Apesar do formato rotundo, bolas de futebol não são exatamente esféricas. Elas são, na verdade, compostas por painéis em formatos poligonais costurados. Eles geralmente são dispostos em um padrão de 32 gomos, sendo 20 hexágonos (de seis lados) e 12 pentágonos (de cinco lados).
No entanto, uma vez que Jon-Paul mostra ao recriar as bolas, é provável transformar esses polígonos em diversas outras figuras geométricas.
“Adoro quando bolas são criadas a partir de formas de painéis idênticos e repetidos. Acho que bolas que têm essa propriedade são as mais elegantes. É provável combinar 30 formas de painéis, levemente refinadas a partir do azulejo 2D que a Mirthes criou, em uma esfera perfeita”, conta o artista.
Jon-Paul resolveu o problema da padronagem usando o pele de São Paulo nas peças
Jon-Paul Wheatley/Divulgação
A primeira versão feita pelo artista traz uma organização que não permite que as peças fiquem completamente alternadas, acontecendo de cores ficarem juntas.
“Lutei com isso no primícias! Minha primeira teoria foi desabitar completamente o esquema de cores preto e branco, e usar pele proveniente do estado de São Paulo para gerar a esfera. O traje de que o padrão não se resolve perfeitamente combina com o tema, já que a história que inspirou a esfera também não foi resolvida”, explica o britânico, que já resolveu o problema voltando à teoria de usar material vindo do Brasil.
Mirthes Bernardes foi a artista idealizadora da padronagem que aparece nas calçadas de São Paulo.
Reprodução
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Porquê surgiu o padrão das calçadas de São Paulo?
Na dezena de 1960, o prefeito João Vicente Faria Lima lançou um concurso para um novo estampa para o pavimentação da cidade. Na estação, Mirthes trabalhava uma vez que desenhista da Secretaria de Obras da Prefeitura de São Paulo.
Ela, portanto, criou um planta estilizado do estado, a partir de módulos quadrados usando peças geométricas brancas e pretas, que se alternavam. O estampa ganhou o concurso e se tornou um marco da cidade, uma vez que são também os calçadões de Copacabana e Ipanema no Rio de Janeiro.
Mirthes contou em entrevistas que o seu estampa foi desvelado por possibilidade na sua gaveta do trabalho por seu encarregado na Secretaria. Foi ele quem insistiu para que ela participasse do concurso do qual acabou saindo vencedora.
Apesar de sua obra ser bastante conhecida, o nome de Mirthes não é exatamente reconhecido. Depois do concurso que a consagrou, a artista chegou a realizar a patente da geração. Com isso, ela foi informada que receberia uma porcentagem por lajedo implantada, com exceção das que estivessem em canteiros centrais, uma vez que contou em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo” em 2015.
No entanto, não foi o que aconteceu. Na mesma entrevista, a criadora da padronagem disse não ter recebido nanda. “Acho que merecia, finalmente de contas, tentei embelezar São Paulo. Não espero mais zero, mas espero que meus sobrinhos tenham”, disse à publicação na estação.
Croqui da padronagem criada por Mirthes Bernardes
Reprodução/Mirthes dos Santos Pinto
Porquê surgiu a mistura entre o padrão de Mirthes e a arte de Jon-Paul?
“Senhoril futebol desde que me lembro. Nunca fui muito bom, mas jogava o tempo todo e era o principal matéria nas minhas primeiras amizades enquanto crescia”, relembra.
Jon-Paul diz que o seu trabalho ao usar a padronagem criada pela artista é uma forma de homenageá-la. “Uma mulher que criou uma obra icônica, mas passou a vida quase anônima e sem ser paga. Eu paladar que meu trabalho tenha uma narrativa, e poder ressaltar o trabalho da Mirthes, enquanto faço alguma coisa inspirado no que ela criou, pareceu patente. Gostaria de poder presentear isso a ela”, conta.
A artista, que morreu em 2020, não vai poder receber o seu presente, mas a família dela, sim. Segundo o britânico, depois seu vídeo viralizar, um sobrinho de Mirthes entrou em contato com ele e disse que familiares dela viram a publicação e que ficaram muito felizes com a homenagem. Jon-Paul resolveu enviar a esfera de presente. “Parece ser o lugar mais adequado para ela permanecer”, diz.
Primeira esfera feita pelo artista britânico.
Jon-Paul Wheatley/Divulgação
Porquê o artista virou um designer de bolas?
Jon já era designer de produtos antes de se tornar um artista das bolas. “Nunca pensei que fazer bolas de pele à mão seria um caminho de curso viável”, relata. “Comprei algumas ferramentas de trabalho em pele quando a (pandemia de) covid-19 começou, e portanto comecei a testar tentando fazer bolas”, continua.
“Demorei muito para conseguir ajustar. Fiz muitas e muitas bolas ruins. Sempre que terminava uma, olhava para ela e pensava: ‘se eu fizer outra dessa, vai permanecer melhor’. Tenho estado nesse estado mental desde portanto, mas agora estou circunvalado por bolas”, brinca.
E se o tema é futebol, o artista revela quem gostaria de ver chutando alguma de suas criações: “Roberto Carlos e Ronaldinho, seria incrível. Peter Schmeichel. Também David Beckham. Ou o Rei Charles III”.
Fonte G1
