Criador de Breaking Bad faz série onde alegria é distópica

Criador de Breaking Bad faz série onde alegria é distópica – 06/11/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Vince Gilligan cansou de ortografar vilões. Depois de reclamar várias vezes da falta de heróis na televisão atual, chegou a hora do pai de “Breaking Bad” fazer a sua segmento. Diante de uma crise global sem precedentes, a protagonista de “Pluribus”, sua novidade série, é a única que pode salvar a humanidade.

No rastro de um período de produção envolvido em mistérios, Gilligan agora fala sem constrangimento sobre um provável “spoiler” do início da série, mas que é um exemplo perfeito de uma vez que a personagem está longe de ser a mocinha perfeita.

“Eu a vejo uma vez que heroína. Porém, no segundo incidente, ela mata mais gente do que Stálin. Não é alguma coisa que faz de propósito. Essa é uma das riquezas da vida, ou ao menos da ficção —um universo pleno de grandes ironias. Ao tentar ser uma heroína, Carol razão muito mais dano do que Walter White já causou”, diz Gilligan, orgulhoso ao referir o produtor de metanfetamina que marcou a sua curso.

Com estreia nesta sexta-feira (7), a ambiciosa atração original do Apple TV+ se afasta do mundo do violação. No lugar de traficantes, psicopatas e advogados de colarinho branco, o também responsável de “Better Call Saul” dá espaço a uma colega fictícia de profissão —a escritora Carol Sturka. Responsável por best-sellers de fantasia medieval, ela insiste que os seus livros são irrelevantes. Os fãs parecem insuficientes e sua obra-prima, um romance autoral das quais esboço só confiou à mulher, não tem data para chegar às prateleiras.

Tudo piora quando uma invenção científica muda a organização da Terreno. Em “Pluribus” —vocábulo em latim para “de muitos”—, pessoas de todo o planeta passam a se comportar uma vez que se fossem uma só. Com ritmos, dialetos e habilidades diferentes, elas se reúnem num grupo chamado de Outros, dividem pensamentos e seguem o mesmo objetivo —aprazer àqueles que, por qualquer motivo, não se conectaram com os demais. A simetria estabelece a tranquilidade mundial e de repente todos estão felizes. Ou quase todos.

“No fundo, Carol patroa os seus livros. Ao zombar de seus fãs, ela zomba de si mesma. Ela é alguém que implica com absolutamente tudo, uma vez que o seu sucesso e as suas próprias ambições”, afirma Rhea Seehorn, tradutor da personagem —a única americana que ainda se comporta de maneira independente.

“Todos os artistas que conheço se lembram dos comentários negativos que receberam, mas têm bastante dificuldade em se lembrar dos positivos. É tremendo crer em quem diz que você é bom se você não quer crer em quem diz que você é ruim.”

Espalhados por países distintos, os imunes à epidemia se aproveitam dos Outros e Carol é a única que desconfia do grupo. Sozinha, ela guerra pelo recta de ser miserável, uma vez que descreve Seehorn. É uma razão que a atriz defende. “Diante dessa figura que grita e luta contra tudo, Vince [que também é o diretor dos dois capítulos iniciais] me encorajou a vê-la do modo mais humano provável”, ela diz.

“Existe uma cena em que Carol passa minutos tentando se levantar do pavimento. São detalhes que a tornam autêntica e geram pontos de identificação. Sabor de pensar que é mais importante oferecer isso ao público do que uma personagem aprazível.”

No seriado, as crises de raiva da protagonista ultrapassam o plausível ao pôr os humanos em risco. No contato com sentimentos extremos, distantes de sua alegria compulsória, os Outros reagem uma vez que um organização único. Os ataques involuntários de Carol conseguem ser fatais e provocar diversas mortes ao volta do continente.

É a essa petardo em formato de gente que cabe restaurar a individualidade. “O que significa ser humano? Desde os princípios da história, desejamos várias coisas. Saúde, prosperidade, vidas longas. Mas, supra de tudo, desejamos a felicidade. Será que estamos buscando a coisa certa?”, diz Gilligan, que conquistou o público e a sátira com dois homens deprimidos, insatisfeitos e para lá de duvidosos.

Em 2008, “Breaking Bad” entrou para o panteão das sagas televisivas com a história de Walter White, professor de química que decide fabricar drogas depois desvendar um cancro. Conforme carteira o tratamento e acumula uma legado para deixar à família, ele se especializa em manipular e matar seus inimigos.

Feita para a TV a cabo —na era, as atrações do tipo não eram tão numerosas e os streamings não eram populares— e sem grandes estrelas no elenco, a obra respeitou o limite de cinco temporadas previsto desde o início. Seu gênio do mal, por sua vez, junto de nomes uma vez que Tony Soprano e Darth Vader, é considerado até hoje um dos melhores vilões do entretenimento americano.

Encerrada em 2013, a série venceu 16 troféus no Emmy, virou objeto de estudo na indústria e deixou espaço, na mesma verdade de Walter, para Saul Goodman. Anos antes de saber o chefão do tráfico organizado, o jurisconsulto de “Better Call Saul” se apaixonava por sua cara-metade, a também trambiqueira Kim Wexler.

Ela amenizou o egocentrismo de Goodman e jogou luz sobre o potencial dramático da mesma Rhea Seehorn —antes disso, os créditos dela se resumiam a comédias e algumas pontas breves.

Foi ali que nasceu a parceria entre a atriz e o roteirista. A saudação do spin-off não rendeu estatuetas —foram 53 indicações ao maior prêmio da TV, com um totalidade de zero vitórias e centenas de fãs protestando na internet—, mas o gavinha da dupla segue firme há quase uma dez.

“Vince e Peter Gould [um dos criadores de ‘Better Call Saul’] me ensinaram uma prelecção. Tento sempre ser humilde, mas se isso vira autodepreciação e atrapalha o trabalho, não ajudo ninguém. Tenho feito a mim mesma uma pergunta —‘pessoas muito inteligentes me pediram para estar cá, portanto, porque não contribuir em vez de pedir desculpas por estar ocupando espaço?’, diz Seehorn, sorrindo.

Fora da ficção, reflexões uma vez que essa separam a artista dos Outros que têm subjugado as produtoras. Em 2018, os streamings superaram a produção da TV a cabo. Desde portanto, entre algoritmos e a perceptibilidade sintético, fórmulas de audiência são cada vez mais comuns. Para evitar riscos, filmes, séries e personagens têm evitado a anfibologia em nome de traços morais muito definidos.

Diante desse cenário, marcado também pela subtracção das críticas ao governo de Donald Trump, Gilligan mantém a ousadia. Em fevereiro, ao ser homenageado pelo sindicato dos roteiristas americanos, disse que Hollywood havia sido tomada por vilões reais, entre os quais incluiu o presidente. “Esses personagens deveriam servir de alerta, não de inspiração”. Num país polarizado, passava da hora de fabricar novos heróis.

Nos últimos anos, Gilligan também negou que existiriam planos para novos derivados de “Breaking Bad”, apesar da insistência de segmento do fã-clube, e defendeu arduamente a atriz Anna Gunn. Tradutor da mulher de Walter White, ela e a persona foram vítimas de misoginia pelo indumento de a personagem contrariar o vilão.

“Sinto que Carol patroa seus fãs, mas às vezes tem pânico deles. No término, ela só precisa de paixão e reverência, uma vez que um deserto precisa de chuva”, diz Gilligan, ao elencar semelhanças entre ele e sua heroína.

Diferentemente dela, o artista não parece ter pânico de se conectar com os outros. “Não sei sobre o que ‘Pluribus’ é. Sabor de falar com pessoas que me ajudam a entender o que minhas séries significam.”

Folha

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