Cubanos que vivem em Havana relatam que o país vive o “pior momento” com as dificuldades enfrentadas pela população em seguida o endurecimento do bloqueio energético imposto pelo Estados Unidos (EUA) a partir do final de janeiro deste ano.
O aumento dos apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e da oferta da cesta básica cevar subsidiada pelo Estado são alguns dos problemas que pioraram nas últimas semanas.
A arquiteta Ivón B. Rivas Martinez, de 40 anos, mãe solo de um rebento de 9 anos, afirmou à Escritório Brasil que os apagões em Havana, antes programados, se tornaram imprevisíveis e com maior duração.
“Antes, havia tapume de quatro horas sem força por dia na capital, depois aumentou para cinco horas. Com o agravamento da crise, esse tipo de planejamento não é mais verosímil. Ninguém sabe quantas horas podem ser. Hoje houve 12 horas de apagão”, diz a cubana.
No final de janeiro, o governo Donald Trump ameaçou com tarifas os países que vendessem petróleo para a pátria caribenha e classificou Cuba uma vez que “prenúncio incomum e extraordinária” à segurança dos EUA, citando, uma vez que justificativa, o alinhamento político de Havana com Rússia, China e Irã.
A crise energética de Cuba é ainda mais grave nas províncias do interno da ilhéu de quase 11 milhões de habitantes, onde os apagões podem resistir quase o dia todo.
“Minha tia do interno precisava transpor cedo todos os dias para comprar o que ia consumir, porque, se comprasse mais do que isso, estragaria. No interno do país, quase o dia inteiro ficava sem eletricidade”, acrescenta Ivón Rivas.
O economista cubano emérito Feliz Jorge Thompson Brown, de 71 anos, tio de Ivón, tinha 6 anos quando triunfou a Revolução de 1959, pondo término ao governo militar de Fulgencio Batista, bravo pelos EUA.
Feliz Jorge avalia que o atual momento é o período mais difícil de Cuba, até mesmo que a dezena de 1990, chamada de “período próprio”, quando a queda do conjunto socialista liderado pela União Soviética privou Cuba dos principais parceiros comerciais.
“Levante é o momento mais difícil que o país já enfrentou. A situação energética é muito grave. É [o momento] mais cruel e severo do que durante o período próprio, tanto material, quanto espiritualmente mais provocador”, diz o também morador de Havana.
Serviços são prejudicados; preços disparam
Segundo Ivón Rivas, os apagões afetam todos os serviços de Havana, tanto de chuva, porque as bombas param de funcionar, quanto de telefonia e internet.
“Quando você tenta sacar verba no banco, se não há eletricidade, os caixas eletrônicos não funcionam. Se você precisa realizar qualquer tipo de procedimento lítico e o cartório não tem força, eles não conseguem trabalhar. É muito difícil”, completa.
Depois o endurecimento do embargo energético dos EUA, a arquiteta observou um aumento mais intenso dos preços de itens básicos de consumo.
“Nessas últimas semanas, a diferença é que os preços aumentaram em um ritmo muito mais vertiginoso do que antes. Arroz, o óleo, a mesocarpo de frango, que são mantimentos básicos para os cubanos, ficaram muito mais caros”, acrescenta a moradora de Havana.
Com tapume de 80% da força do país gerada por termelétricas, alimentadas por combustíveis, a novidade medida do governo Trump reduziu a possibilidade de compra de petróleo no mercado global, o que era agravado pelo bloqueio naval dos EUA à Venezuela a partir do final de 2025.
Situação mais difícil que no “período próprio”
O cubano Feliz Jorge Brown avalia que, diferentemente da crise atual, havia na dezena de 1990 uma juventude que conhecia os avanços sociais da Cuba revolucionária, o que facilitava enfrentar as dificuldades daquela era.
“No período próprio, as pessoas compreendiam toda a situação e sua magnitude. Hoje, há alguma incerteza porque muitos não vivenciaram plenamente os primeiros anos da Revolução”, comenta o economista, que, recentemente, voltou a trabalhar em uma consultoria contábil.
Outrossim, ele argumenta que o Estado tem perdido capacidade, em verificação com a dezena de 1990, de fornecer a cesta básica de mantimentos subsidiada.
“A situação se torna complexa porque o Estado carece dos meios necessários para fornecer integralmente a cesta básica que foi sistematicamente distribuída a toda a população ao longo de todos os anos da Revolução”, completa o economista.
A família Thompson, formada por oito irmãos, descende de um parelha de imigrantes jamaicanos. Segundo Feliz, toda a família se beneficiou da saúde e da instrução gratuitas de Cuba.
“Tive a sorte de me beneficiar de todas as conquistas dos primeiros anos da Revolução e posteriores. Todos em nossa família nos demos muito, a maioria de profissionais com bons trabalhos: professores, engenheiros, médicos e assim por diante”, conta.
Por muitos anos, Feliz Jorge praticou atletismo, chegando a simbolizar o país em competições internacionais. O sucesso cubano em olimpíadas é indigitado uma vez que segmento do investimento do Estado no esporte.
Trump endurece bloqueio a Cuba
O aperto do cerco econômico a Cuba é mais uma tentativa dos EUA de derrubar o governo liderado pelo Partido Comunista, que desafia a preponderância política de Washington na América Latina há mais de seis décadas.
Para o governo cubano, a novidade medida é uma política “genocida” que procura privar o povo cubano dos seus meios de subsistência. O bloqueio econômico contra a ilhéu já dura 66 anos.
Para a cubana Ivón Rivas, o oração do governo dos EUA contradiz o resultado da política de bloqueio.
“Seu oração é que quer ajudar o povo de Cuba, que quer proporcionar o povo de Cuba, e no final é o povo que está sendo estrangulado, é o povo cubano que está sufocando com toda essa política”, critica.
Pandemia de covid-19
Segundo avaliam os cubanos entrevistados, a situação econômica de Cuba começou a piorar com a pandemia. Na era, o turismo, principal atividade econômica do país, foi afetado pela política de isolamento para combater a covid-19 em todo o mundo.
A arquiteta Ivón Rivas diz que a situação está mais difícil desde a pandemia, mas piorou nas últimas semanas. “Eu diria nascente é o período mais difícil que já enfrentamos em termos de escassez de combustível e força porque muitos problemas convergiram ao mesmo tempo”, diz.
Além da covid-19, a ilhéu viveu o endurecimento do embargo econômico do primeiro governo de Donald Trump (2017-2021), com centenas de novas sanções, medidas que foram mantidas no governo de Joe Biden (2021-2025).
No novo governo Trump, foram acrescentadas medidas para limitar a exportação de serviços médicos por Cuba, uma das principais fontes de recursos do país no exterior.
Transporte
Uma das principais consequências do endurecimento do embargo, segundo percebido por Ivón e Feliz, foi a subtracção na oferta de transporte público e o encarecimento do transporte privado, o que tem reduzido a mobilidade em Havana.
Enquanto o transporte privado encareceu a ponto de se tornar inviável para muitos cubanos, o transporte público está com linhas reduzidas.
“O transporte público já sofria com falta de peças de reposição, agora, devido à escassez de combustível, está ainda mais reduzido. As linhas regulares da cidade oferecem exclusivamente uma viagem pela manhã e outra à tarde. E algumas linhas nem sequer garantiam isso”, reclama Ivón.
Outrossim, a arquiteta aponta que os veículos elétricos introduzidos recentemente pelo governo também têm alcance restringido. “Estes têm se mantido mais ou menos estáveis, mas também têm minguado porque ainda há premência recarregá-los.”
O economista Feliz Jorge avalia que a oferta de transporte deve ter derribado pela metade. Devido ao novo trabalho, ele tem viajado entre províncias do país.
“Antes, os trens circulavam a cada quatro dias; agora, circulam a cada oito dias. No caso dos ônibus nacionais, as pessoas enfrentam muitas dificuldades com exclusivamente duas viagens semanais diretas para as capitais provinciais”, comenta ele.
Saúde e medicamentos
A crise energética também tem agravado o aproximação aos medicamentos e à saúde pública, na avaliação dos cubanos entrevistados. Ivón Rivas lembra que os médicos são pessoas comuns do povo e, por isso, têm dificuldade de se locomover.
“Porquê resultado, muitas consultas foram canceladas e o atendimento de emergência passou a ser priorizado”, disse a arquiteta. Ela acrescenta que a falta de medicamentos afeta toda a sociedade, não exclusivamente os que precisam dos remédios.
“Muitas pessoas dependem de medicamentos para a saúde mental e, enquanto os tomam, mantêm-se controladas e estáveis. Mas, se interromperem o tratamento, ocorrem acidentes que afetam toda comunidade”, exemplifica.
O economista e ex-atleta Feliz Jorge pondera que o Estado não teria mais recursos para bancar todos os remédios gratuitamente, uma vez que chegou a fazer em épocas mais prósperas.
“Apesar disso, as pessoas continuam indo aos hospitais para consultas, para ver o médico e procuram dar um jeito de conseguir o medicamento, seja no mercado paralelo ou por meio de familiares que trazem para elas”, disse.
Instrução e cultura
Os cubanos entrevistados avaliam que a instrução vem conseguindo ser mantida, apesar da escassez de combustíveis. Segundo Ivón Rivas, as crianças menores costumam estudar sempre perto de lar.
“Não é muito difícil para as crianças do ensino fundamental chegarem à escola. Os alunos do ensino médio também costumam ter escolas muito próximas e podem até ir a pé”, comenta.
O aproximação à cultura também tem sido verosímil. O rebento de Ivón, Robin, de 9 anos, segue matriculado em uma lição de música gratuita próxima da sua residência, o que tem possibilitado a diversão e a interação social do menino.
“É uma boa opção porque não custa zero, é gratuito e do Estado. Existem muitos lugares com centros culturais que continuam funcionando e oferecem essa oportunidade”, destaca.
“Mudança de regime”
Para a arquiteta moradora de Havana Ivón Rivas, a política dos EUA não deve conseguir atingir seu objetivo, que é a da mudança de regime político na ilhéu.
“O cubano acorda e só pensa em prometer comida para sua família. Os jovens que estão insatisfeitos têm outras aspirações. O que eles querem é homiziar. Não vejo nenhuma campanha ou ninguém nas ruas protestando”, diz.
Para o economista Feliz Thompson, Cuba incomoda os EUA porque conseguiu superar índices sociais dos seus vizinhos caribenhos seguindo padrão político e econômico recíproco ao determinado por Washington para a América Latina.
“Está comprovado que o bloqueio e a política de bloqueio contra Cuba são verdadeiramente desumanos e cruéis e que restringem e maltratam o povo cubano. Cuba não está sozinha e continuará avançando”, finaliza.






