Dave Chappelle é o melhor presente de Natal da Netflix

Dave Chappelle é o melhor presente de Natal da Netflix – 24/12/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Dave Chapelle é um gênio. E esta é uma sátira altamente positiva. Mas nem o novo peculiar da Netflix, “The Unstoppable” —um pouco porquê o imparável ou indomável—, muito menos oriente texto são obrigatórios e, no fundo, não fazem nem muita diferença na vida de quem assiste ou lê.

Faça muito as suas escolhas. Estamos em quadra de festas, ninguém precisa de mais provocação. Já entramos naquela rota indesviável de término de ano, repleto de encontros com pessoas que vemos pouco por opção, comidas também pouco frequentes de janeiro a novembro, porém servidas nestas festas em grandes quantidades e acompanhadas sempre de muita bebida e rancor.

E Dave Chapelle não veio ao mundo para dar conforto a ninguém. Não foi por casualidade que a Netflix botou esse peculiar no ar logo depois uma luta de boxe. Violência, depois refrigério cômico. Para quem se diverte, ou se entretém, assistindo a um embate entre pessoas treinadas para o confronto. Não é para todo mundo. Conheça suas prioridades.

Um comediante, de uma certa maneira, também entra no ringue para uma luta. Outro tipo de luta, outro tipo de guerra, mas há um risco enorme para quem enfrenta uma plateia de milhares de pessoas só com um microfone na mão, sem margem de suporte, sem backing vocals, e só o corpo, as expressões e as ideias porquê armas.

E se ninguém rir? Pior, e se ninguém prestar atenção? Acontece toda hora em clubes de comédia. O rostro sobe no palco, começa a falar e o público se desinteressa, começa a conversar com quem tá do lado, ou levanta e vai embora. Ninguém é obrigado a ver zero até o término.

Mas eu quero ver alguém parar de ver a “The Unstoppable”. Fica cá o duelo. Chapelle é um gigante da comédia, muito, muito engraçado. Mas já foi muito além do alcance de um comediante, tornou-se um comentarista social e político com alcance universal e carisma sem ter término.

E se recusa a ajustar seu estilo para aprazer todo mundo. Ele não está em campanha para se escolher a zero —aliás, já é um dos maiores de todos os tempos. E não é um exemplo a ser seguido, muito pelo contrário. Ele é um sinal de alerta ambulante, já que fuma um cigarro detrás do outro. Chapelle deve ser o único cidadão americano a quem se permite fumar em ambientes fechados. Essa conta vai chegar uma hora, não é provável.

Mas a cada novidade controvérsia de sua vida, ele volta com mais vontade de lutar. E sua arma está cada vez mais afiada. Sorte a nossa, já que a arma de Chapelle é sua lucidez fora do generalidade e suas piadas loucas, contadas naquele jeito suingado e charmoso que Deus lhe deu.

Esse peculiar da Netflix foi gravado em sua cidade natal, Washington, D.C., a capital dos Estados Unidos, e tem um estilo mais parecido com um oração político do que com um peculiar de comédia, com uma piada detrás da outra. Os trechos falados são longos e se parecem muito mais com um glosa político sobre cultura, poder e o tópico inevitável, os limites da liberdade de frase.

Não é por casualidade, e ele explica isso logo de rostro. O peculiar surgiu porquê uma resposta às duras críticas que ele recebeu por ter se apresentado no Riyadh Comedy Festival, na Arábia Saudita, em outubro deste ano. O evento, promovido pelo governo saudita, foi descrito porquê uma tentativa de “jokewash”, um pouco porquê um banho de piada, uma estratégia para melhorar a imagem do país com histórico de repressão e violência contra dissidentes.

Chappelle confronta diretamente essas críticas. Ele rebate a teoria de que teria “traído princípios” ao se apresentar no país mouro com sua franqueza transgressora de sempre. Sem nenhuma culpa, levou para o palco seus próprios comentários sobre liberdade de frase, repetindo uma fala que levantou o cabelo de muita gente na quadra do festival saudita: “É mais fácil falar cá do que nos Estados Unidos,” certeza que, na quadra, foi interpretada tanto porquê sátira ao clima de cancelamento quanto porquê provocação absurda diante do histórico de repressão no Oriente Médio.

O impacto de “The Unstoppable” está justamente na maneira porquê Chappelle funde essa resposta aos eventos externos com temas que povoam sua obra há anos —questionamentos sobre cultura, raça, política e o papel do humor em tempos inflamados porquê os atuais.

Ele não exclusivamente rejeita as alegações de hipocrisia, mas também amplia o escopo do debate e inclui observações sobre o assassínio do ativista ultraconservador Charlie Kirk e sobre porquê sua base de fãs tentou traçar paralelos com a morte de Martin Luther King Jr.

O mix de resposta aos detratores com glosa social transforma toda a estrutura do peculiar. Sem cenário e exclusivamente um pormenor no figurino, um casaco camuflado com o nome de Colin Kaepernick gravado nas costas —Kaepernick é um ex-jogador de futebol americano que se tornou um ícone da luta contra injustiça racial e brutalidade da polícia dos EUA–, a sensação é que Chappelle está mais interessado em provocar reflexão do que riso.

Eu avisei, não é para todo mundo. Você pode discordar, permanecer desconfortável ou até malogrado com a postura de Chapelle. Indiferente, eu duvido. Entediado, não.

Folha

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