David Bowie morreu em 10 de janeiro de 2016, aos 69 anos, mas uma dezena depois sua privação ainda é sentida no mundo pop. Isso porque o cantor e compositor inglês nunca ocupou exclusivamente o espaço de uma estrela da música. Ele foi um agente de transformação cultural, um artista que ajudou a redefinir o que significava produzir no universo do rock e do pop.
Sua morte não encerrou exclusivamente uma curso extraordinário, com 27 álbuns de estúdio lançados entre 1967 e 2016, além de nove discos ao vivo e dois com o grupo Tin Machine, formado com amigos entre 1989 e 1991. Marcou a retirada de cena de alguém capaz de antecipar tendências, redefinir padrões e edificar um diálogo permanente entre música, tendência, cinema, artes visuais e comportamento.
Outros roqueiros na mansão dos 70 anos ou mais estão na ativa, mas prolongando turnês que exclusivamente resgatam material velho. Se Bowie estivesse vivo, é legítimo imaginar que estaria produzindo discos inovadores, cada lançamento provavelmente muito dissemelhante do anterior, porque ele fez isso por toda a curso.
O peso da privação se explica, antes de tudo, pela forma porquê Bowie conviveu com a teoria de reinvenção. Ele se recusou a repetir fórmulas ou a se acomodar em identidades consagradas. Personagens que ele criou, porquê Ziggy Stardust, Aladdin Sane e Thin White Duke, cada um talhado a ser protagonista de um álbum, não foram exclusivamente máscaras, mas personalidades complexas para explorar novos sons, narrativas e visões de mundo.
Ao lado de Marc Bolan, do T. Rex, ele criou do zero o glam rock. Depois, foi capaz de destinar álbuns inteiros ao soul ou ao som eletrônico. Alguns autores defendem uma diferença entre os Beatles, porquê criadores de coisas completamente novas, e os Rolling Stones, que seriam antenas captadoras do que já estava rolando, para a partir disso provar talento para evoluir a um tanto um.
Bowie fez as duas coisas, sucessivamente, sem parar. Para justificar, mais do que escutar seus grandes hits, que são inúmeros e empolgantes, é muito contundente ouvir a chamada trilogia de Berlim. São os discos que ele gravou na segunda metade dos anos 1970, quando foi morar na Alemanha, “Low” e “Heroes”, ambos de 1977, e “Lodger”, lançado em 1979.
Tem muita coisa neles —rock, experimentações, música envolvente, som eletrônico, um tanto porquê uma pré-new wave. Bastou a dezena virar para ele passar a fazer álbuns de pop sofisticado, de extremo apelo popular, sem o menor resquício das texturas sonoras intrincadas criadas em Berlim. Nessa temporada pop está inserido talvez seu álbum mais irresistível, “Let’s Dance”, de 1983.
A permanente mutação de Bowie não teve paralelo, nem em sua estação nem agora. No cenário atual subjugado por uma reciclagem nostálgica, faz falta alguém que aponte de maneira tão clara para o porvir.
Outro componente potente em seu legado é porquê representou os deslocados, as pessoas que se sentiam sem lugar no mundo. Sua anfibologia estética e sexual sugeriu que a fluidez podia ser uma forma legítima de existência. Para boa secção de seus fãs, Bowie e sua obra foram um abrigo seguro, mais do que entretenimento.
Na evolução do rock, a relevância de Bowie é estrutural. Ele ampliou os limites do gênero. Ele incorporou teatro, literatura, ficção científica, performance, tendência e artes visuais, ultrapassando tradicionais pilares roqueiros porquê a rebeldia ou a tradição negra do blues.
Se hoje o mercado músico adota porquê regra a teoria das parcerias, a vaga do “feat.”, Bowie esteve sempre acessível a colaborações. E o time não era fraco —gravou com Mick Jagger, Queen, Tina Turner, Annie Lennox, Trent Reznor. Foi ainda um produtor fundamental para colegas de inovação porquê Lou Reed e Iggy Pop.
Bowie morreu em Novidade York, em decorrência de um cancro no fígado, depois muro de 18 meses de tratamento guardado em sigilo. Houve rumores de que ele teria recorrido a suicídio testemunhado ou eutanásia, mas não há qualquer evidência ou relato confiável confirmando isso. Oficialmente, Bowie seguiu tratamento convencional até seus últimos dias.
O que impressiona é que Bowie seguiu um planejamento rigoroso de sua curso nos últimos meses de vida. Ele lançou o último álbum de inéditas “Blackstar” na data de seu natalício de 69 anos, exclusivamente dois dias antes de morrer. Essa agenda tão detalhadamente organizada levou fãs a interpretarem sua morte porquê um tanto “controlado”.
A privação de David Bowie reflete a falta de um artista com tanta coragem para trespassar da zona de conforto e permanecer o tempo todo acessível ao novo. Seu legado não é exclusivamente um catálogo de canções incríveis, mas um método de reinvenção. Hoje, a música pop não apresenta zero parecido.
