De Recife a Oslo, passando por Gaza, Irã e Marrocos:

De Recife a Oslo, passando por Gaza, Irã e Marrocos: o 'mapa' do Oscar de Filme Internacional

Celebridades Cultura

Wagner Moura e Kleber Mendonça Rebento durante as gravações de ‘O agente secreto’, no Ginásio Pernambucano
Victor Jucá/Divulgação
O Oscar de Filme Internacional em 2026 conta histórias vividas em territórios que sufocam, libertam ou denunciam. Da simetria modernista do Recife em “O Agente Secreto” às casas de madeira na Noruega, a lista traz um cinema que usa o asfalto de Teerã e a poeira de Marrocos para transformar o testemunha em testemunha de tensões.
A disputa equilibra a paranoia política brasileira com o realismo furtivo iraniano, provando que o melhor do cinema global ainda nasce da relação entre a câmera e o lugar onde a história é filmada.
Aquém, veja detalhes das locações dos indicados a Melhor Filme Internacional do Oscar. A premiação acontece em 15 de março, em Los Angeles.
RECIFE (BRASIL): ‘O Agente Secreto’
Assista ao trailer de ‘O Agente Secreto’
“O Agente Secreto” ocupa o Meio do Recife e o bairro da Boa Vista, usando a arquitetura modernista uma vez que peça-chave do suspense. Locações uma vez que o Prédio Ofir e o Cinema São Luiz reforçam a sensação de confinamento. Janelas, marquises e corredores são uma vez que postos de reparo. E de um refúgio nem sempre seguro.
MAPA: As locações de ‘O Agente Secreto’ no Recife
A câmera do diretor Kleber Mendonça Rebento foca no concreto aparente e no Rio Capibaribe, transformando a geografia urbana recifense em um tabuleiro de vigilância onde o protagonista vivido por Wagner Moura tenta se esconder. Filmar em locais que preservam a estética de 1977 permite que a cidade dite a paranoia do roteiro.
TEERÃ (IRÃ): ‘Foi Somente um Acidente’
Assista ao trailer de ‘Foi somente um acidente’
O filme ocupa as ruas de Teerã de forma clandestina, transformando a capital iraniana em um cenário de tensão real. O diretor Jafar Panahi registra a cidade de dentro de carros e em locações discretas, utilizando a arquitetura urbana e o fluxo de pessoas uma vez que elementos de uma vigilância que ultrapassa a ficção. Teerã dita o ritmo do suspense com seus engarrafamentos, calçadas vigiadas e uma luz crua que segue o conflito.
G1 JÁ VIU: ‘Foi somente…’ estica corda da tensão com leveza
A graduação reduzida da produção, que cabia em somente dois veículos, permitiu que a cidade se revelasse em sua forma mais autêntica e opressora: havia um risco real de interrupção policial das filmagens. A equipe enxuta não é só uma escolha estética, mas uma estratégia para driblar a fiscalização do regime.
GAZA (PALESTINA): ‘A Voz de Hind Rajab’
‘A Voz de Hind Rajab’: assista ao trailer
O filme utiliza ambientes urbanos devastados para dar corpo ao relato da tragédia real de uma rapariga de seis anos presa em um carruagem sob queimação cruzado. As ruas esburacadas e os prédios em ruínas de Gaza servem para humanizar um espaço de confinamento extremo onde a urgência vital é ditada por telefonemas de socorro. As imagens da cidade deixam o rastro do que um dia foi um meio de convívio, agora reduzido a um cenário de isolamento.
Detalhes íntimos e sons ambientes aterrorizantes amplificam o temor da protagonista. A ambientação é crucial para estabelecer a autenticidade do relato, forçando o público a encarar a verdade da guerra sem os filtros do jornalismo tradicional.
DESERTOS (MARROCOS): ‘Sirāt’
Assista ao trailer do filme “Sirât”
Os desertos marroquinos de Errachidia, Erfoud e Bouarfa emprestam suas paisagens áridas e horizontes infinitos para produzir um cenário de isolamento em “Sirāt”, na metade final do filme. O diretor Oliver Laxe utiliza a poeira e o silêncio para amplificar a experiência sensorial da jornada de um grupo que atravessa montanhas rumo a uma rave. Os desfiladeiros estreitos e um território marcado por cicatrizes de conflitos passados se tornam desafios de sobrevivência.
G1 JÁ VIU: ‘Sirât’ oferece experiência inesperada e explosiva
Nesta locação, a natureza dita o comportamento de quem tenta se transladar ali. O deserto deixa de ser um tecido de fundo para se tornar a força que testa a sanidade e o fado dos personagens, equilibrando o sentimento de perda com a paixão pela música.
OSLO (NORUEGA): ‘Valor Sentimental’
Assista ao trailer de ‘Valor sentimental’
O filme abre com uma morada imponente, já visivelmente torta pelo passar do tempo, em Oslo, na Noruega. A construção de madeira carrega o peso de gerações da família Borg e se torna o meio de uma família envolta em memórias mal resolvidas. É dentro dessas paredes que duas irmãs são forçadas a mourejar com o retorno do pai, transformando cômodos em espaços de tensão.
G1 JÁ VIU: ‘Valor Sentimental’ encontra venustidade na humanidade
A arquitetura peculiar da morada, em uma vila arborizada no bairro de Frogner, é marcada por ecos da mitologia nórdica e do nacionalismo romântico. É essa morada típica do final do século 19 que dita a dinâmica da trama: as personagens tentam sentenciar o fado do imóvel, da própria relação familiar e de um filme que é gravado na própria morada (e sobre traumas vividos nela).

Fonte G1

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