Demarcar terras dá segurança a quem protege o meio ambiente,

Demarcar terras dá segurança a quem protege o meio ambiente, diz MJ

Brasil

A demarcação das 10 terras indígenas, anunciada nesta tarde desta segunda-feira (17) pelo governo federalista, ajuda a enfrentar a crise climática, já que garante segurança a quem protege o meio envolvente. Essa foi a avaliação da secretária pátrio de Aproximação à Justiça do Ministério da Justiça, Sheila de Roble.

“A demarcação reduz conflitos, fortalece a governança socioambiental e bloqueia as engrenagens da devastação, uma vez que grilagem, mineração ilícito e exploração predatória”, afirmou a secretária pátrio, conforme foi divulgado em nota pelo governo.

No ano pretérito, foram 11 terras indígenas oficializadas. Com essas novas portarias assinadas, 21 terras indígenas passam a ser reconhecidas. Desde 2018, não havia demarcação.

As portarias que tratam das demarcações foram assinadas pelo ministro Ricardo Lewandowski. A demarcação representa o reconhecimento do recta às terras indígenas e a definição dos limites do território. O processo ainda demanda atos administrativos da Instauração Vernáculo dos Povos Indígenas (Funai), do próprio ministério e da Presidência da República.

“A decisão final desse processo é do presidente da República que, mediante decreto, decide sobre a licença definitiva da titularidade das terras indígenas às comunidades, por meio de homologação”, explica nota do ministério. 

13,8% do território

As terras indígenas ocupam 117,4 milhões de hectares, tapume de 13,8% do território pátrio (áreas que figuram entre os maiores contínuos de floresta tropical do planeta), conforme contabiliza o governo. 

O governo levou em conta um estudo da Fala dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC), que amplia as demarcações e pode evitar até 20% do desmatamento suplementar e reduzir em 26% as emissões de carbono até 2030.

“Recta avoengo”

Sheila de Roble defendeu que, mais do que reconhecer um recta previsto na Constituição, a demarcação reconhece um recta avoengo. Os documentos assinados pelo ministro em ação conjunta com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI). 

O ato englobou os territórios indígenas: Vista Jubiloso (AM), Comexatiba – (Cahy-Pequi) (BA), Ypoi Triunfo (MS), Sawre Ba’pim (PA), Pankará da Serra do Arapuá (PE), Sambaqui (PR), Ka’aguy Hovy (SP), Pakurity (SP), Ka’aguy Mirim (SP).

As áreas são ocupadas pelos povos indígenas Mura, Tupinambá de Olivença, Pataxó, Guarani-Kaiowá, Munduruku, Pankará e Guarani-Mbya.

Diferentes biomas

Durante a COP30, lideranças indígenas defenderam que não há política climática robusta sem segurança territorial. “As dez demarcações abrangem povos, biomas e regiões distintas, fortalecendo a proteção climática, a flutuação sociocultural e a justiça ambiental”, avalia o ministério.

>> Confira os territórios demarcados: 

Tupinambá de Olivença (BA) 

O território Tupinambá de Olivença é ocupado pelo povo de mesmo nome. A superfície demarcada conta com 47.374 hectares e é ocupada por 4.631 pessoas, de entendimento com as últimas medições. No ano pretérito, o povo tupinambá recebeu de volta o véu sagrado, guardado no Museu Vernáculo da Dinamarca por três séculos. A demarcação havia sido prometida durante o ato de restituição do objeto histórico. 

Vista Jubiloso (AM)  

No Amazonas,  se encontram as terras indígenas Vista Jubiloso, habitada pelo povo Mura. A superfície reconhecida pela portaria conta com 13.206 hectares. Em 2008, a população indígena era de 160 pessoas. 

Comexatiba – (Cahy-Pequi) (BA)

O município de Prado (BA), onde se localiza o território Comexatiba – (Cahy-Pequi), abriga o povo Pataxó. A superfície demarcada tem 28.077 hectares e é habitada por 732 indígenas..

Ypoi Triunfo (MS) 

No município de Paranhos (MS), o território indígena Ypoi Triunfo foi demarcado com uma superfície de 19.756 hectares e abriga 869 indígenas, segundo dados da Instauração Vernáculo dos Povos Indígenas (Funai) de 2009. 

Sawre Ba’pim (PA)

Com 150.330 hectares, a terreno indígena Sawre Ba’pim é lar do povo Munduruku, no município de Itaituba (PA). A localidade conta com 62 cadastros de ocupações, sendo um imóvel registrado e as demais ocupações identificadas uma vez que posse.

Pankará da Serra do Arapuá (PE) 

Em Pernambuco, no município de Carnaubeira da Penha, está o território indígena Pankará da Serra do Arapuá, habitado pelo povo Pankará. A superfície tem 15.114 hectares e é ocupada por 4.716 indígenas.

Sambaqui (PR)  

No município Pontal do Paraná está situada a terreno indígena Sambaqui, habitada pelo povo Guarani-Mbya. O território demarcado possui 2.798 hectares, ocupado por 31 pessoas.

Ka’aguy Hovy (SP)

Na cidade da Iguape (SP), o povo Guarani-Mbya vive na terreno indígena Ka’aguy Hovy, situada no Vale da Ribeira, que em conjunto com a zona litorânea paulista, abriga a maior extensão contínua ainda conservada da Mata Atlântica no Brasil. A superfície demarcada tem 1.950 hectares e é habitada por 90 indígenas.

Pakurity (SP) 

Habitado pelo povo Guarani-Mbya, o território indígena Pakurity, no município de Cananéia (SP), foi demarcado. A superfície possui 5.730 hectares e, segundo dados de 2016 da Funai, abriga 133 indígenas. 

Ka’aguy Mirim (SP)

Ainda no estado de São Paulo, nos municípios de Miracatu e de Pedro Toledo, o povo Guarani-Mbya teve o território Ka’aguy Mirim demarcado. A superfície possui 1.190 hectares, é habitada por 70 indígenas, e está situada no Vale da Ribeira.

Fonte EBC

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