Denise stoklos revive sua peça 'mary stuart' nos palcos

Denise Stoklos revive sua peça ‘Mary Stuart’ nos palcos – 09/08/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Desde a estreia em 1987, no Teatro La MaMa, em Novidade York, a peça “Mary Stuart”, de Denise Stoklos, foi apresentada em 33 países e sete idiomas —a artista teve aulas com professores locais para fazer a encenação sem a premência de tradução, uma vez que uma forma de mostrar ao público a sua dedicação e entrega à história contada.

Trinta anos posteriormente a última apresentação em São Paulo, o espetáculo volta à capital, com estreia sábado (9), no Teatro Estúdio, na região meão, em uma celebração de seus 75 anos —57 deles nos palcos.

“É uma peça que sempre me deu muitas alegrias, porque ela sempre foi muito recebida”, diz a atriz, dramaturga e diretora.

Acompanhada unicamente de um foco de luz e de uma cadeira, ela interpreta duas rainhas rivais, Mary Stuart, da Escócia, e a prima Elizabeth 1ª, da Inglaterra. Temas uma vez que poder, vexame e liberdade são abordados no espetáculo, escrito, dirigido e interpretado pela artista com humor, gestos, palavras e marcante ousadia cênica.

Foi a partir das pesquisas para “Mary Stuart” que ela escreveu o “Manifesto do Teatro Necessário”, uma proposta baseada na presença do ator, com o mínimo verosímil de efeitos, uma vez que figurino, cenário e iluminação. O texto é, até hoje, uma referência para o teatro brasílico contemporâneo.

“Quero no sedento. Com raiva, decreto o término do excesso. A pirotecnia mente. Quero sinceridade”, diz trecho do manifesto. “No lixo o broche. No palco o peito”.

“Percebi que estava construindo princípios que se repetiam, de convenção com o que concebia”, lembra sobre a decisão de grafar o documento. De convenção com a teoria de Stoklos, zero é tão importante quanto os recursos do ator —corpo, voz, memórias, pensamentos, percepção.

“Mary Stuart” começou a ser concebida posteriormente a apresentação, no Festival Internacional de Teatro do Uruguai, de “Um Orgasmo Adulto Escapa do Zoológico”, peça de Dario Fo, dirigida por Antônio Abujamra e estrelada pela atriz.

A diretora Ellen Stewart, criadora do La MaMa, assistiu e a convidou para apresentações em Novidade York. “Quando cheguei, pensei: quero fazer uma coisa novidade”, conta.

Stoklos havia visto uma montagem italiana da história de Mary Stuart, com quatro atrizes, mas decidiu produzir a sua própria dramaturgia.

“Comecei a ver outras relações na luta pelo poder, a localizar com as questões brasileiras”, relata. “E, por casualidade, estreei exatamente 400 anos depois que ela foi decapitada”.

Além do sucesso com o público, “Mary Stuart” recebeu uma sátira positiva no jornal The New York Times, em fevereiro de 1987, importante para devotar o espetáculo e a artista.

“A evocação das rainhas por Stoklos —auxiliada por músicas gravadas de compositores que vão de Milton Promanação a Villa-Lobos, Brahms e Donizetti— é assombrosa, divertida e desconcertante”, escreveu o crítico D.J.R. Bruckner.

O sucesso rendeu um invitação de Stewart para que ela voltasse ao La MaMa com outras peças e proporcionou à “Mary Stuart” uma trajetória de muitas apresentações internacionais e também para grandes públicos em várias cidades brasileiras. Stoklos gosta disso, teatros enormes, públicos amplos.

Na Ucrânia, a encenação foi privativo. Porquê fez em outros países, a atriz teve aulas com um professor lugar e, quando a cortinado abriu, encontrou uma plateia surpresa e emocionada pelo trajo de a peça ser falada na língua do país.

Progénito de ucranianos, ela não aprendeu a língua na puerícia, mas teve contato com o alfabeto cirílico no período universitário, o que facilitou o trabalho de tradução.

“Fui mostrar o que meu avô veio fazer no Brasil: ter uma neta que faz teatro, que estava levando aquele trabalho para lá”, diz a paranaense nascida em Irati, no interno do estado.

A dedicação na terreno dos avós rendeu uma saia-justa em Moscou, para onde viajou em seguida.

“Cá você vai ter que fazer a peça em russo”, exigiram os produtores locais, informados sobre a comoção causada pela artista na Ucrânia e querendo o mesmo tratamento.

Russo ela não sabia, mas aprendeu com a ajuda de uma secretária e de um mordomo da embaixada brasileira, onde estava hospedada. Deu patente. Chegou a ser elogiada por um diplomata pelo “russo perfeito”.

Em 2025, entre os ensaios na sala do espaçoso apartamento na Vila Madalena, os projetos de direção e as aulas que oferece em seu curso online, Stoklos acompanha com tristeza a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. “Sinto na músculos e no osso. Estou horrorizada”.

A reestreia de “Mary Stuart” é, de certa forma, um marco do retorno da artista aos palcos. Nos últimos anos, principalmente durante a pandemia, Stoklos estava mais voltada à formação de artistas por meio de seu meio de estudos.

A dedicação às aulas foi uma sugestão de um dos filhos, que disse à mãe para atender as pessoas que a procuram com o libido de aprender sobre o teatro necessário; e também uma orientação de uma psicóloga dramatista para a distribuição do conhecimento em contraponto à suplente de mercado.

“Isso tocou na minha segmento socialista. Tenho que partilhar [conhecimento] às pessoas interessadas. Aí começou esse processo e veio um curso detrás do outro”.

Em junho, três peças do repertório da criadora voltaram a ser apresentadas no Rio de Janeiro. Além de “Mary Stuart”, ela encenou, no Teatro Prio, “Elis Regina”, baseada na frase corporal a partir de interpretações da grande cantora; e “Um Fax para Colombo”, em que denuncia consequências do descobrimento da América.

Fãs e amigos ajudaram a convencê-la a não deixar a cena teatral, lembrando que há uma geração que nunca a viu e outras que querem de revê-la.

Entre os artistas que Stoklos influenciou está Alessandra Maestrini, 48, atriz e cantora com quem é casada e vive uma parceria profissional.

Elas dirigiram “O Papel de Parede Amarelo”, o primeiro solo de Gabriela Duarte; vão atuar juntas em uma peça que é escrita por Miguel Falabella e aborda a lucidez sintético; têm um projeto de direção para o ator João Paulo Lorenzon, a partir de um poema de Stoklos; e outro para Mateus Solano, também um espetáculo solo.

“Sabor de estar com o público. Fiz ‘Mary Stuart’ com 37 anos e estou com 75, mas vejo que a produção física, mental e a memória são coisas recuperáveis”, relata. “Isso me dá um prazer pessoal também, não só artístico”.

Folha

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