Diogo Nogueira une modernidade e tradição em novo show

Diogo Nogueira une modernidade e tradição em novo show – 01/03/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

“Zero poderá me alongar do que eu sou / Paixão, é o meu envolvente”. Os versos de “Minha Verdade” ecoavam repetidamente no quarto onde Diogo Nogueira tentava reorganizar a própria vida. Até pouco tempo antes, o sonho era um só: ser jogador de futebol. Mas a curso foi interrompida por uma grave lesão no joelho, sofrida justamente quando tentava a última cartada no Cruzeiro de Porto Satisfeito.

Diogo se recolheu em moradia, no Rio de Janeiro, por quase um ano, mergulhado numa tristeza profunda. Foi logo que o samba de Dona Ivone Lara e Delcio Roble passou a indicar um novo rumo. A música soprava, persistente, o caminho que Diogo tanto resistia em assumir — o mesmo que agora celebra na turnê “Infinito Samba”, que estreia em 1º de março, no Vivo Rio.

Ele iniciou profissionalmente uma vez que jogador aos nove, quando passou para um teste no recém-fundado time Barra Futebol Clube, na Barra da Tijuca. Foi federado e treinou em diversos times do Rio de Janeiro, tentando sempre esconder o trajo de ser fruto de João Nogueira.

“Usava o sobrenome Mendonça, da minha mãe, porque sabia que isso iria atrapalhar. Nas peneiras, a grande maioria tem muitas dificuldades financeiras, até para consumir. E eu sempre respeitei essa luta do jovem que quer ser jogador e procura um lugar ao sol. Mas todas as vezes que alguém descobria, eu era desunido. O papo era esse: você é rico, mora na Barra, tem olho azul, não precisa disso”.

Ao mesmo tempo, a música se mostrava um caminho disponível, sendo convidado para trovar sempre, principalmente posteriormente a morte do pai, em 2000. Neste ano, os shows que João tinha marcado na moradia Tom Brasil, em São Paulo, transformaram-se em um grande tributo, reunindo amigos e familiares uma vez que Beth Roble, Emílio Santiago, Arlindo Cruz e o fruto — a contragosto. A gravação daquelas noites deu origem ao disco “Através do Espelho”, lançado em 2001, com um show no Canecão, no Rio de Janeiro.

“Eu relutei até o último dia. Trovar era sempre uma questão para mim. No último dia, conseguiram me convencer a participar. Na gravação, eu cantei numa boa. Mas quando fizemos o lançamento no Canecão, eu não consegui trovar. Ali, bateu a ficha da perda, da minha saudade”.

No entanto, pretérito o luto e a desilusão com o esporte, ele se deixou abraçar pelo samba definitivamente. Sua presença nas rodas de amigos estendia para uma canja. No primeiro DVD do Samba do Trabalhador (2005), é verosímil reparar o olhar pomposo de Moacyr Luz ao ouvir a voz de Diogo em “Poder da Geração”, música composta por seu pai e Paulo César Pinho.

A semelhança com o timbre do pai gerou um burburinho entre sambistas e produtores, e Diogo se lançou profissionalmente uma vez que artista em 2006, rodando algumas casas no bairro boêmio da Lapa. “Uma das primeiras foi a Morada da Mãe Joana. Depois, fui convidado para revitalizar o Sacrilégio. Fiquei três meses lá, cantei muito para a família Madeira: as cadeiras, as mesas (risos). Mas aos poucos a moradia foi enchendo, Beth foi lá me ver, alguns jornalistas. Passei pelo Democráticos e pelo Rio Scenarium também”.

Afonso Roble, ex-empresário de Beth, passou a gerir sua curso e ampliou sua presença em casas maiores e em outros estados. Depois de um show no Teatro Rival, Diogo foi contratado pela extinta gravadora EMI Music. Em pouco tempo, estava no Teatro João Caetano para gravar seu primeiro DVD, “Diogo Nogueira — Ao Vivo”, lançado em 2007.

Ao longo da curso, sua voz grave personificou sobretudo canções de fé e perseverança, uma vez que “Fé em Deus”, “Tô Fazendo a Minha Secção” e “Clareou”. Em 2016, todavia, “Pé na Areia” mostraria que o sucesso não tem fórmula certa. “Ninguém acreditava nessa música. Ela é um balanço, não é um samba fidedigno. Apostei nela sozinho com a teoria de crescer no mercado pátrio e deu evidente. Ela representa a realização do trabalhador. Depois de dez anos cantando sobre garra, ele agora tá de pé na areia e com a sua cervejinha. Ele venceu!”, brinca.

Em sua novidade turnê, “Infinito Samba”, ele quer mostrar ao público que dá para ser moderno sem perder a tradição — bandeira que carrega há vinte anos: “esse trabalho é sobre meu paixão pelo samba. Quero permanecer na sua origem pura, que é a roda de samba, o pé no soalho, o fundo de quintal. Mas trazer isso para o lugar que o samba merece estar: em grandes palcos, em grandes eventos. Porquê se fosse um show da Broadway”.

No projeto, ele se apresenta escoltado por sua margem e uma grande orquestra, costurando influências, sucessos da curso e novas composições em arranjos grandiosos. “Vou trovar diferentes variações desse gênero, uma vez que o samba de gafieira, o partido-alto, o samba-canção e por aí vai”, antecipa. A estreia, no Rio, ainda vai lucrar participações especiais: Alcione está confirmada, além de uma convidada surpresa. Depois, a turnê vai passar por São Paulo, Porto Satisfeito, Curitiba, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza e Belo Horizonte.

Com dois Grammys, 12 álbuns, seis DVD’s e quatro sambas-enredos levados à Sapucaí pela sua Portela do coração, Diogo Nogueira segue carregando uma legado viva. Neto de João Batista, fruto de João Nogueira, sobrinho de Gisa Nogueira e pai de Davi Nogueira, o artista prova que tradição não é estática, mas dialoga com o contemporâneo o tempo todo.

Folha

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