Em “F1: O Filme”, o diretor e corroteirista Joseph Kosinski retoma o argumento meão do bem-sucedido “Top Gun: Maverick”, com Brad Pitt no lugar do veterano que coube a Tom Cruise da outra vez. Ele é Sonny Hayes, antiga promessa do automobilismo que, depois suportar um terrível acidente, largou tudo e optou por uma vida livre e nômade. Com o prêmio de uma corrida, sai pelo mundo procurando por alguém que precise de um piloto.
Para ajudar seu colega Ruben, papel de Javier Bardem, possuinte de uma equipe praticamente falida da Fórmula 1, Sonny topa, depois de muita relutância, voltar à categoria maior desse esporte.
Que fique simples, Sonny não é qualquer um. Em seus bons tempos, correu com gente uma vez que Ayrton Senna e Alain Prost. Mas agora é um cinquentão e, tal uma vez que Cruise no filme anterior de Kosinski, recebido com espanto e gozação pelos mais novos. O que esse velhote vem fazer cá? E com um carruagem vagabundo uma vez que o de Ruben, que não marca pontos há um século.
Para quem não viu “Maverick”, atenção —Sonny está lá para ensiná-los a amadurecer, dando-lhes lições que não pediram. Trata-se de decrescer a crista sobretudo do jovem e intrépido companheiro de equipe Joshua Pearce, papel de Damson Idris. Joshua o vê mais rival do que uma vez que companheiro de equipe e, em definitivo, não bota fé em Sonny, com boas razões —o veterano não sobe num carruagem de Fórmula 1 há quase três décadas.
Mas uma vez que dar essas lições, quando o carruagem só ocupa a última fileira na hora da largada? Esse é o problema que a projetista Kate, papel de Kerry Condon, terá de resolver. Nota feminista —a charmosa Kate é a primeira mulher a ter posto de tal relevo na categoria e está disposta a provar que é boa. Pitt, com aquele jeito de bonitão descompromissado, logo secção para a paquera.
A esta fundura, todo mundo já deve ter notado o que vai intercorrer no resto do filme. Não vamos tocar no ponto, mas a previsibilidade é muito grande.
Falemos de pontos fortes —as corridas estão muito okay. Mas duvido que ofereçam aos fãs muito mais do que as coberturas da TV, com câmeras por todos os cantos, ou a série “Guiar para Viver”, da Netflix, com os bastidores da categoria.
É visível que existem as manobras arriscadas e nem sempre muito cheias de cortesia de Sonny. É visível também que Pitt tem o jeito visível para o papel do rostro livre, que rejeita convenções, exceto quando se trata de ajudar um colega.
Mas o filme tem também problemas muito objetivos. Logo de início, sabemos que o personagem de Bardem tem uma dívida incrível, que está perto da falência, que só não terá de vender a escuderia se tiver um carruagem competitivo com pilotos idem antes de o filme terminar. Portanto o verdadeiro drama da história não é o de Sonny ou Joshua, na pista, e sim o de Ruben às voltas com bancos e credores.
Os dramas da aerodinâmica, digamos, também são importantes e negligenciados. Por exemplo, Kate projeta um célebre novo assoalho. Mas nunca o vemos. Quando é montado? Para que serve?
Ora, presumo que qualquer fã de F1 saiba que a peça importante, mas uma vez que exatamente age, assim uma vez que asas, para mandar o resultado de uma corrida? A opção é por apostar quase tudo na pilotagem. Uma exceção —a dificuldade para a troca de uma roda, durante a paragem de um carruagem para troca de pneus, é um belo momento dramático, de modo rápido e eficiente.
No mais, “F1” não tem um vilão, ao menos até chegar ao terço final. É quando ele se revela. Mas aí estamos às voltas com um opositor puxado às pressas do bolso do colete. Parece mesmo um improviso para suprir as fraquezas do filme. Seria muito mais eficiente se mostrasse a ação do vilão desde o início, em vez de mostrá-lo exclusivamente uma vez que um vulgar traidor.
Em indemnização, não há mocinhas desesperadas esperando que seu namorado ou marido acabe vivo ao término da corrida —há muito não se morre na F1—, nem há romances juvenis apaixonados, só umas transas maduras e sem compromisso.
Ao mesmo tempo em que rompe com esse clichê do gênero, “F1” aposta na plasticidade das corridas e nos efeitos especiais contemporâneos. Ainda acredita que a relação mestre-discípulo, que funcionou em “Maverick”, poderia se repetir, trocando exclusivamente o arquifocado Tom Cruise pelo piloto folgado, genial e anti-heroico de Pitt. Isso não funcionou tão muito desta vez. Enfim, F1 é o lugar por vantagem em que os garotos vivem passando a perna nos veteranos.
Esses senões, diga-se, não desviarão os fãs de automobilismo da porta do cinema —sempre é bom ver seus carros adorados em formato Imax. Nisso, é visível que “F1” não vai decepcionar ninguém.
