O jornalista Édouard Louis ficou impressionado ao ver a montagem de “História da Violência”, adaptação para os palcos do livro homônimo que ele lançou em 2016. Pouco tempo depois, o artista foi surpreendido por uma relação.
Era Thomas Ostermeier, diretor do espetáculo, pedindo o seu aval para adequar um outro livro. “Uma vez que ele tinha feito um pouco tão incrível com ‘História da Violência’, falei que poderia fazer o que quisesse”, diz Louis. O diretor, porém, decidiu ser mais ousado. “Ele perguntou se eu gostaria de atuar no espetáculo também.” Depois de alguma resistência, o jornalista acabou sendo convicto a trocar brevemente as letras pelos palcos.
O resultado dessa mudança de ofício poderá ser visto no Sesc Pinheiros, na capital paulista, entre quarta-feira (11) e sexta-feira (13), quando ele subirá ao palco para encenar o solilóquio “Quem Matou Meu Pai”, um dos destaques da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp.
No espetáculo, ele narra a relação conflituosa com seu pai —uma figura autoritária, preconceituosa e repressora. Apesar disso, a produção não o retrata uma vez que um monstro, mas sim uma vez que alguém que se embruteceu em razão da desigualdade socioeconômica. É uma vez que se Louis tentasse exorcizar traumas de puerícia sobre o palco, humanizando alguém que de certa forma assombrou a sua juventude.
A despeito desse contexto hostil, o jornalista diz que a violência o salvou, já que precisou se reinventar para fugir da vexação.
“A violência me empurrou a questionar a veras ao meu volta, porque ela me pôs à margem. Uma vez que eu era marginalizado, podia ver o mundo de fora”, diz ele, acrescentando que um pouco parecido aconteceu com sua mãe.
Ela decidiu se separar e mudar de vida em seguida anos de violência doméstica, experiência que o jornalista relatou no livro “Monique se Liberta”. “Não me entenda mal. Muitas vezes a dominação te destrói. Mas, em algumas ocasiões, há uma inversão de forças.”
Ele encontrou uma outra forma de se salvar por meio da encenação. Ao longo dos anos, abandonou o jovem de sotaque interiorano que se vestia uma vez que um rapper para dar vida a uma outra versão de si mesmo. Louis mudou o modo de falar, de gesticular e de se vestir. Mudou até mesmo o próprio nome, deixando para trás Eddy Bellegueule para se tornar Édouard Louis —pseudônimo aristocrático desempenado ao seu libido por subida social.
“Em qualquer momento da minha vida, eu não tive escolha senão me tornar outra pessoa, porque eu odiava meu pretérito e a minha puerícia na pobreza e na violência. Eu tive de fugir disso tudo”, diz o jornalista. “Não era uma questão de escolha. O meu próprio pretérito estava dizendo que eu precisava evadir.”
Essa disposição para se tornar outra pessoa veio a calhar quando o jornalista recebeu o invitação para subir no palco uma vez que ator.
“Foi ótimo dirigi-lo, porque ele é tudo o que um ator precisa ser, isto é, sensível, frágil e está pronto para se perfurar no palco”, diz Thomas Ostermeier, o diretor da peça. “Prefiro pessoas talentosas que não têm formação a pessoas com formação que não têm talento.”
Ostermeier convidou o jornalista em seguida ter dificuldade para escalar um ator que conseguisse transmitir a história com propriedade. “Foi um duelo encontrar um artista que tivesse a credibilidade de alguém da classe trabalhadora e da comunidade LGBTQIA+. Portanto, decidi perguntar se Édouard toparia participar do projeto.”
O encenador decidiu adequar o livro em razão do modo uma vez que o jornalista usou a literatura para redimir e até mesmo perdoar o próprio pai. “Embora tenha sido alguém terrível, Edouard entende que esse varão é o resultado da violência social.”
O pai do jornalista começou a trabalhar ainda cedo em uma fábrica, onde teve as costas esmagadas por um maquinário. Em razão do acidente, precisou se reformar de forma precoce. A situação física e financeira dele se deteriorou em seguida decisões políticas dificultarem o chegada à assistência social. Por isso, foi obrigado a trabalhar uma vez que gari apesar de sentir dores lancinantes.
Em dos momentos de maior voltagem política do texto, Louis acusa nominalmente lideranças uma vez que Nicolas Sarkozy e Emmanuel Macron pela derrocada de seu pai em razão dos cortes de recursos na espaço social.
“Não estou sonhando que podemos mudar o mundo com nosso teatro, mas podemos tentar dar voz a pessoas que não têm voz na sociedade e jogar luz sobre essas questões”, diz Ostermeier. “A peça é a nossa pequena imposto para o que está acontecendo no mundo.”
