Gabriel Bortoleto, 20, tem novas metas para sua primeira temporada na F1. Depois de saber sua melhor posição na categoria, com o sexto lugar no GP da Hungria, no domingo (3), o paulista quer se manter entre os dez primeiros colocados nas dez corridas que restam no Mundial de 2025.
Trata-se de uma significativa mudança de perspectiva para o piloto que, há pouco mais de três meses, nos dias que antecederam sua estreia na principal categoria do automobilismo, dizia que era muito difícil levar seu sege para a zona de pontuação.
De indumentária, era.
A Sauber teve o pior monoposto da última temporada e só conseguiu pontuar uma vez em 2024, no penúltimo GP do ano, quando o chinês Guanyu Zhou conquistou o oitavo lugar no Bahrein —nem isso ajudou o primeiro piloto do país asiático a permanecer no grid para a temporada seguinte.
Neste ano, o sétimo lugar de Nico Hülkenberg logo na lisura do Mundial, na Austrália, renovou o ânimo da equipe. Mas foi só a partir do GP da Espanha, na nona lanço do campeonato, quando os carros verdes passaram por significativas evoluções, que tanto Bortoleto quanto Hülkenberg passaram a perseguir metas mais ambiciosas, uma vez que fazer da Sauber a quinta equipe do grid —só detrás das poderosas McLaren, Ferrari, Mercedes e Red Bull.
“Se a gente não tivesse melhorado o sege do primícias do ano, não somaríamos nenhum ponto”, disse Bortoleto posteriormente a prova no rotação húngaro. “Não é que a gente esteja facilmente lá [entre os dez primeiros], é difícil. Não é fácil para o Nico. Ele é um rostro extremamente rápido, mas cada pormenor, cada milésimo de segundo faz a diferença nesse meio de pelotão.”
A equipe suíça pontuou nas últimas seis corridas e ocupa atualmente a sétima posição do Mundial de Construtores, com 51 pontos —um a menos do que a Aston Martin. Na quinta posição, a Williams somou 70 até cá.
Com 14 pontos, Bortoleto contribuiu com 27% da pontuação obtida por sua escuderia. Pode parecer pouco, mas é bom lembrar que seu companheiro de equipe é muito mais experiente. Hülkenberg está na F1 desde 2010, com mais de 250 corridas no histórico, e o brasílico disputou unicamente 14 provas até cá.
O desempenho de Gabriel tem sido aplaudido dentro e fora da Sauber. Fernando Alonso, da Aston Martin, teceu elogios ao novato depois do GP da Hungria.
Para o bicampeão (2005 e 2006), que também é empresário de Bortoleto desde 2022, ele é o “melhor novato da novidade geração” e já tinha provado isso ao vencer o título da F2 em 2024, em seu ano de estreia. Antes, em 2023, também foi vencedor da F3. A F3 e a F2 funcionam uma vez que categorias de chegada à F1.
“A verdade é que ele sempre força, não comete erros, está sempre ali te pressionando. É o melhor novato desta geração, sempre digo isso. Ele mostrou isso no ano pretérito com carros iguais. Acho que, se fosse inglês ou um pouco assim e terminasse em sexto com uma Sauber, estaria na envoltório de todos os jornais, porque o que faz é um pouco sensacional”, disse Alonso.
A prelo europeia deu, sim, destaque para o resultado do piloto da Sauber. O Marca, da Espanha, por exemplo, citou a consistência do novato na temporada: “Ele teve o pior sege no início do ano e o pior companheiro verosímil, um osso duro uma vez que Hülkenberg, mas, longe de desanimar, é rico em consistência e já soma 14 pontos, quatro a mais que [Yuki] Tsunoda com uma Red Bull”.
O próprio brasílico reconhece que está surpreso com seu rendimento —desde 2017 o Brasil não tinha um piloto no top 6 de uma corrida; o último havia sido Felipe Tamanho. “Eu tenho surpreendido as pessoas e me surpreendido também, porque pensar que eu chegaria à última lanço antes das férias de verão e estar em sexto… Eu não sei se eu acreditava nisso”, afirmou Bortoleto.
Antes de disputar as últimas dez etapas do ano, o paulista vai iniciar agora o período de férias da F1. Nas próximas duas semanas, as equipes estarão com suas fábricas fechadas. Os trabalhos só voltam pouco antes da próxima lanço, no dia 31 de agosto, na Holanda.
“Vou viajar com a minha família, cá na Europa, por uma semana, e depois eu volto para o Brasil. Vou ver minhas avós, minha tia, meus sobrinhos, todo o mundo que está lá. Consumir feijoada, churrasco, aproveitar, fazer de tudo no Brasil, porque agora é hora de repousar.”
