
Kanye West comparece ao julgamento de Diddy
AP Photo/Michael R. Sisak
Kanye West publicou um proclamação no Wall Street Journal, veiculado nesta segunda (26), pedindo desculpas “a quem ele magoou” por fazer apologia ao nazismo nos últimos anos.
No texto, o músico nega ser antissemita e diz que “perdeu o contato com a verdade”.
“Lamento e estou profundamente envergonhado pelas minhas ações nesse estado, e estou comprometido com a responsabilização, o tratamento e mudanças significativas. Isso, porém, não justifica o que fiz. Eu não sou nazista nem antissemita. Eu senhoril o povo judeu”.
O músico se refere a uma série de declarações desde 2022, em que disse ter “paixão” pelos nazistas e sua assombro por Adolf Hitler. No ano pretérito, ele começou a vender itens com suásticas e lançou uma música chamada “Heil Hitler”.
No texto, ele relembra um acidente de coche sofrido em 2002, que afirma ter causado lesões cerebrais e um diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1. Ele diz que entrou em um estado “fragmentado”, que o fez “gravitar rumo ao símbolo mais destrutivo que ele poderia encontrar: a suástica”.
“Perdi o contato com a verdade. As coisas pioraram quanto mais ignorei o problema. Eu disse e fiz coisas das quais me arrependo profundamente. Algumas das pessoas que eu mais senhoril, tratei da pior forma. Vocês suportaram pânico, confusão, humilhação e o esgotamento de tentar mourejar com alguém que, às vezes, era irreconhecível. Olhando para trás, eu me afastei do meu verdadeiro eu.”
Essa não é a primeira vez que Kanye menciona o diagnóstico de transtorno bipolar. O músico, que tem um EP chamado “I hate being bipolar, it’s awesome” (“odeio ser bipolar, é ótimo”), disse no programa de David Letterman, em 2019, que havia um “potente estigma e discriminação” sobre o objecto.
Leia o texto completo:
Aos que eu magoei:
Há vinte e cinco anos, sofri um acidente de coche que quebrou minha mandíbula e causou uma lesão no lobo frontal recta do meu cérebro. Na estação, o foco foi no dano visível — a fratura, o inchaço e o traumatismo físico súbito. A lesão mais profunda, aquela dentro do meu crânio, passou despercebida.
Exames completos não foram feitos, avaliações neurológicas foram limitadas, e a possibilidade de uma lesão no lobo frontal nunca foi levantada. Isso só foi devidamente diagnosticado em 2023. Essa nequice médica causou sérios danos à minha saúde mental e levou ao meu diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1.
O transtorno bipolar vem com seu próprio sistema de resguardo. A negação. Quando você está em mania, não acha que está doente. Acha que todo mundo está exagerando. Você sente que está vendo o mundo com mais nitidez do que nunca, quando, na verdade, está perdendo completamente o controle.
Quando as pessoas te rotulam porquê “louco”, você sente porquê se não pudesse contribuir com zero significativo para o mundo. É fácil para as pessoas fazerem piada e rirem disso, quando na verdade se trata de uma doença muito séria e debilitante, da qual se pode morrer.
Segundo a Organização Mundial da Saúde e a Universidade de Cambridge, pessoas com transtorno bipolar têm uma expectativa de vida reduzida, em média, de dez a quinze anos, e uma taxa de mortalidade por todas as causas de 2 a 3 vezes maior do que a da população universal. Isso está no mesmo nível de doenças cardíacas graves, diabetes tipo 1, HIV e cancro — todas letais e fatais se não tratadas.
A coisa mais assustadora desse transtorno é o quão persuasivo ele é quando te diz: você não precisa de ajuda. Ele te deixa cego, mas convicto de que você tem recato. Você se sente poderoso, seguro, imparável.
Perdi o contato com a verdade. As coisas pioraram quanto mais ignorei o problema. Eu disse e fiz coisas das quais me arrependo profundamente. Algumas das pessoas que eu mais senhoril, tratei da pior forma. Vocês suportaram pânico, confusão, humilhação e o esgotamento de tentar mourejar com alguém que, às vezes, era irreconhecível. Olhando para trás, eu me afastei do meu verdadeiro eu.
Nesse estado fragmentado, me aproximei do símbolo mais destrutivo que consegui encontrar, a suástica, e cheguei até a vender camisetas com ela. Um dos aspectos difíceis de ter transtorno bipolar tipo 1 são os momentos desconectados — muitos dos quais ainda não consigo recordar — que levaram a julgamentos ruins e comportamentos imprudentes, que muitas vezes parecem uma experiência fora do corpo.
Lamento e estou profundamente envergonhado pelas minhas ações nesse estado, e estou comprometido com a responsabilização, o tratamento e mudanças significativas. Isso, porém, não justifica o que fiz. Eu não sou nazista nem antissemita. Eu senhoril o povo judeu.
À comunidade negra — que me sustentou em todos os altos e baixos e nos momentos mais sombrios. A comunidade negra é, sem incerteza, a base de quem eu sou. Sinto muito por ter desesperançado vocês. Eu senhoril nós.
No início de 2025, caí em um incidente maníaco de quatro meses, com comportamentos psicóticos, paranoicos e impulsivos, que destruiu minha vida. À medida que a situação se tornava cada vez mais insustentável, houve momentos em que eu não queria mais estar cá.
Ter transtorno bipolar é um estado notável de doença mental jacente. Quando você entra em um incidente maníaco, você está doente naquele momento. Quando não está em um incidente, você é completamente “normal”. E é aí que os destroços da doença atingem com mais força. Ao chegar ao fundo do poço há alguns meses, minha esposa me incentivou a finalmente buscar ajuda.
Encontrei conforto em fóruns do Reddit, de todos os lugares. Pessoas diferentes falam sobre estar em episódios maníacos ou depressivos de natureza semelhante. Li suas histórias e percebi que não estava sozinho. Não sou só eu que destruí a própria vida inteira uma vez por ano, apesar de tomar remédios todos os dias e ser informado pelos chamados melhores médicos do mundo de que não sou bipolar, mas que unicamente estou vivenciando “sintomas de autismo”.
Minhas palavras, porquê líder da minha comunidade, têm impacto e influência globais. Na minha mania, perdi completamente a noção disso.
À medida que encontro minha novidade base e meu novo núcleo por meio de um regime eficiente de medicação, terapia, exercícios e vida saudável, ganhei uma nitidez novidade e muito necessária. Estou canalizando minha pujança para uma arte positiva e significativa: música, roupas, design e outras ideias novas para ajudar o mundo.
Não estou pedindo simpatia nem um passe livre, embora aspire ocupar o perdão de vocês. Escrevo hoje simplesmente para pedir paciência e compreensão enquanto encontro o caminho de volta para vivenda.
Com paixão, Ye
Fonte G1
