Especialistas alertam sobre cuidados para um carnaval seguro

Especialistas alertam sobre cuidados para um carnaval seguro

Brasil

Cuidados e precauções para manter a saúde sempre em bom estado devem ser tomados diariamente. Mais ainda em estação de carnaval, quando a alegria e os ânimos se avolumam, acompanhando os cortejos e blocos pela cidade.

A nutricionista Anete Mecenas, coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Estácio, disse à Filial Brasil que a primeira coisa a lembrar é que o folião vai estar na rua em longos períodos de calor. Por isso, a hidratação é prioridade, para reduzir a perda de líquidos. A indicação é tomar, no mínimo, dois litros de chuva por dia.

“O foco é aumentar a ingestão de chuva, chuva de coco, bebidas isotônicas, que vão prevenir mal-estar associado à desidratação. Outro ponto importante é não pular as refeições, ou seja, não permanecer muitas horas sem consumir. Porque isso pode contribuir para a queda de glicemia, para tontura. Fazer sempre refeições leves e regulares.”

Ela citou, por exemplo, iogurtes, frutas, sanduíches naturais, castanhas, barras de cereais orgânicas com menos conservantes e corantes. “Tentar ir alternando isso e não permanecer muitas horas sem consumir, porque isso vai gerar a possibilidade de tontura e hipoglicemia”. O folião deve preferir sempre víveres de fácil digestão, porque são refeições mais simples, e evitar maioneses, pelo risco de má conservação e de contaminação.


Rio de Janeiro (RJ), 04/02/2026 – Nutricionista Anete Mecenas . Especialistas alertam sobre cuidados para um carnaval seguro.
Foto: Anete Mecenas/Arquivo pessoal
Rio de Janeiro (RJ), 04/02/2026 – Nutricionista Anete Mecenas . Especialistas alertam sobre cuidados para um carnaval seguro.
Foto: Anete Mecenas/Arquivo pessoal

Nutricionista Anete Mecenas indica ingerir muita chuva. Foto: Anete Mecenas/Registo pessoal

As pessoas devem permanecer atentas também a víveres de proveniência duvidosa, conservados em temperatura inadequada. Sanduíches naturais conservados no isopor por longos períodos, churrasquinhos vendidos na rua com carnes armazenadas em temperatura envolvente vão aumentar o risco de contaminação e infecção intestinal, ou gastroenterite, que é uma infecção bacteriana.

O mesmo desvelo deve ser tomado em relação a víveres ultraprocessados, que são ricos em gordura, sódio e açúcar. “São refeições que podem até ter uma aspiração mais rápida, mas não vão ter uma nutrição adequada. O tipo está desidratando, ingerindo uma quantidade de álcool e consumindo uma quantidade maior de açúcar e de gordura. A tendência é permanecer com uma digestão mais lenta, fazer hiperglicemia com hipoglicemia e, consequentemente, o excesso de corantes e conservantes vai gerar distúrbio gastrointestinal, desconforto,. E sem nutrição”.

Daí a recomendação ser a de dar preferência a víveres minimamente processados (frutas, verduras e legumes). Sempre que provável, fazer uma repasto mais completa.

“É melhor ir ao restaurante mais próximo e consumir arroz, feijoeiro, legume cozido e um frango, do que ingerir, por exemplo, um pacote de Trakinas ou uma lasanha pronta. São refeições mais leves, nutritivas e, consequentemente, vão contribuir para um estabilidade maior”, indicou a nutricionista.

Em relação à ingestão de álcool, Anete Mecenas recomendou intercalar com ingestão de chuva, para alongar risco de desidratação, e evitar tomar álcool em jejum, porque isso vai gerar mais desconforto. Sobre o período pós-folia, quando a pessoa procura restaurar o corpo, é o momento de buscar uma alimento mais rica em proteína (frango, peixe), verduras, legumes e frutas para aumentar a ingestão de proteínas, vitaminas, minerais que podem atuar na reparação tecidual, na melhora do estabilidade e na recuperação mesmo da saúde do tipo, concluiu.

Controle de danos

O cirurgião gastroenterologista Rodrigo Barbosa, do corpo galeno do hospital Sírio Libanês, endossou que a hidratação funciona porquê um controle de danos, porquê é chamado na medicina, em próprio no carnaval, que é uma estação do ano que impõe algumas combinações de fatores de risco muito conhecidos, porquê privação de sono, exposição a um calor intenso, muito sol, álcool, alimento irregular, principalmente para quem está pulando nos blocos de rua, exposto a víveres contaminados “muito comuns nas barraquinhas cá no nosso Brasilzão”, afirmou à Filial Brasil.


Rio de Janeiro (RJ), 04/02/2026 –  Dr. Rodrigo Barbosa. Especialistas alertam sobre cuidados para um carnaval seguro.
Foto: Rodrigo Barbosa/Arquivo pessoal
Rio de Janeiro (RJ), 04/02/2026 –  Dr. Rodrigo Barbosa. Especialistas alertam sobre cuidados para um carnaval seguro.
Foto: Rodrigo Barbosa/Arquivo pessoal

Rodrigo Barbosa alerta sobre cuidados que os foliões devem seguir. Foto: Rodrigo Barbosa/Registo pessoal

“Isso é um resultado que aparece nos prontos-socorros todos os anos. Diarreia, vômito, desidratação, refluxo intenso, crises fortíssimas de gastrite, muitas vezes hepatites alcoólicas, que são também coisas que acontecem bastante nessa estação”. 

Rodrigo Barbosa afirmou, porém, que algumas dessas coisas são evitáveis e pode-se tentar preveni-las ao supremo.

O mais importante, segundo o cirurgião, é a hidratação. Porque a perda hídrica pelo suor, por justificação do álcool, pelos longos períodos em pé, reduz o fluxo sanguíneo gastrointestinal, favorece constipação, dor abdominal, queda da isenção.

“Logo, tomar bastante chuva ao longo do dia é fundamental e existe sempre um valor mínimo, que é 35 ml de chuva por quilo de peso. Esse deve ser o mínimo do mínimo que uma pessoa deve tomar, principalmente quando está exposto a qualquer risco de desidratação”, indicou.

O médico confirmou a dica da nutricionista sobre a prestígio disso ser feito intercalando a ingestão de chuva com álcool. “Você está tomando uma cerveja, está tomando um drinque ali na praia, deve intercalar com chuva, porque isso vai manter ali a viabilidade da hidratação das células”. Outra coisa muito boa de se fazer para hidratação é ingerir uma bebida isotônica, porque vai prometer que a pessoa não tenha um distúrbio eletrolítico, principalmente se está com fezes mais soltas, ou uma diarreia.

Para o cirurgião, não há incerteza de que o álcool seja o elemento que mais irrita a mucosa gástrica, aumenta o risco de gastrite e refluxo, altera a motilidade do tripa, facilita a permeabilidade do tripa para infecções transitórias. No item álcool, chamou a atenção para bebidas vendidas nos blocos, cuja proveniência é ignorada muitas vezes.

“Porque essas bebidas não são distribuídas por vendedores legais. Você não sabe a proveniência delas. Logo, ter atenção com o que você está tomando, onde você está tomando, é muito importante, até porque as intoxicações por metanol podem ter consequências muito graves”, lembrou o médico.

Ele disse também que o folião deve procurar dormir muito “porque muitas vezes fica querendo ir para todas as festas possíveis e imagináveis e acaba bebendo demais sem dormir muito. E a perda do sono também aumenta a permeabilidade intestinal e pode fomentar alguns problemas”.

Barbosa destacou que tem que ter muito desvelo com a ingestão de remédios, principalmente com anti-inflamatórios e antiácidos em excesso. “Porque os anti-inflamatórios podem fomentar úlceras, piorar a gastrite, fomentar sangramentos digestivos, e os antiácidos, muitas vezes, mascaram esses sintomas e você acaba piorando do quadro”. Ele ressaltou ainda a urgência de atenção para a procura de um pronto-socorro e não tentar regularizar o que está sentindo, porquê se fosse coisa típica do carnaval.

“Se a diarreia está persistindo por mais de 48 horas, estiver com vômitos, febre, sangue nas fezes ou dor abdominal que está progredindo, pronto-socorro na hora, para poder cuidar, muitas vezes tomar uma hidratação na veia, tomar um antibiótico, e controlar melhor os sintomas para que não venha a piorar”, apontou.

Complicações cardiovasculares

O cardiologista Leandro da Silva Elias, médico emergencista e professor do Instituto de Instrução Médica (Idomed), ressaltou que o calor excessivo, próprio do período do carnaval, pode sobrecarregar o coração e o sistema circulatório, ampliando o risco de complicações cardiovasculares.

Daí, o corpo precisa trabalhar mais para dissipar o calor e manter a temperatura seguro. Os principais efeitos das temperaturas elevadas são aumento da frequência cardíaca, queda da pressão arterial, desidratação e desequilíbrio de eletrólitos, maior esforço cardíaco e aumento do risco de coágulos e acidente vascular cerebral (AVC).

O grupo de maior risco é integrado pelas crianças, bebês, idosos e pessoas que têm comorbidades, porquê obesos, diabéticos, cardiopatas, doentes renais crônicos. “Essas pessoas precisam ter um desvelo maior”.

Um dos perigos principais que se deve ter bastante atenção é a desidratação, sustentou Elias. “O nosso sistema cardiovascular sofre muito com essa perda de líquidos. Isso justificação uma repercussão muito grande. Associada ao álcool, propicia até uma piora ainda mais importante dessa desidratação e pode desencadear problemas porquê arritmias, desmaios, tonturas, problemas que têm possibilidade de levar o folião ao hospital”.

Suor excessivo pode ser um sinal de alerta. Do mesmo modo, tonteiras, falta de ar, cansaço fora do geral. “Alguns pacientes desmaiam sem mesmo ter antecedentes de hipotensão”. Por isso, o cardiologista reafirmou que ao sentir dor de cabeça, sensação de desmaio ou de tonteira, o folião precisa se preocupar com o que está acontecendo e aumentar a quantidade de líquido para se hidratar.

O médico destacou que a pessoa, em um quadro de temperatura excessiva e sol, pode tolerar insolação, também chamada de golpe de calor. É uma exigência grave, causada pela exposição excessiva ao calor e à radiação solar, quando o corpo não consegue mais regular sua temperatura. Isso faz com que a temperatura corporal ultrapasse 40°C, podendo levar a danos cerebrais, falência de órgãos e até morte, se não tratada rapidamente.

O médico alertou ainda para o uso de drogas no carnaval.

“A gente sabe que embora seja prejudicial, muitos foliões tomam muita droga nesse período de festas. Isso também afeta bastante o coração e pode aumentar palpitações. Quando associada com à falta de líquido, pode estugar o quadro. A gente sabe que o uso de drogas nos carnavais acontece, e isso traz um prejuízo muito grande para a saúde do folião. É preciso ter muito desvelo”, recomendou o médico. 

Fonte EBC

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