Estudantes do ensino integral têm notas maiores no enem, diz

Estudantes do ensino integral têm notas maiores no Enem, diz estudo

Brasil

Uma pesquisa do Instituto Sonho Grande aponta que estudantes de escolas estaduais com oferta de ensino médio integral (EMI) tiveram desempenho universal no Vistoria Pátrio do ensino Médio (Enem) de 2024 mais supino do que o de alunos de unidades de vez parcial. Para ser considerada uma vez que escola com EMI, a trouxa horária deve ser igual ou superior a sete horas diárias ou 35 horas semanais. 

A partir da estudo dos microdados da edição de 2024 do vistoria, que é aplicado anualmente pelo Instituto Pátrio de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o levantamento revelou que a maior diferença está entre as notas da prova de redação do Enem. Em média, estudantes de escolas que oferecem tempo integral tiveram 12 pontos a mais na prova discursiva, que vai de 0 a 1.000 pontos. A diferença sobe para 27 pontos, quando consideradas as escolas em que 100% das matrículas são na modalidade integral. O desempenho também foi superior na dimensão de matemática e suas tecnologias: cinco pontos a mais em relação a escolas regulares.


Brasília (DF) 27/08/2025 - Diretora-executiva do Instituto Sonho Grande, Ana Paula Pereira. Foto: Ana Paula Pereira/Arquivo Pessoal
Brasília (DF) 27/08/2025 - Diretora-executiva do Instituto Sonho Grande, Ana Paula Pereira. Foto: Ana Paula Pereira/Arquivo Pessoal

Diretora-executiva do Instituto Sonho Grande, Ana Paula Pereira. Foto: Registro Pessoal

A diretora-executiva do Instituto Sonho Grande, Ana Paula Pereira, defendeu que a maior oferta de ensino integral implica em melhores resultados e gera mais oportunidades. “Esses dados vão ao encontro ao que já vínhamos observando em outras pesquisas: estudantes do ensino médio integral aprendem mais, quando comparados aos de tempo parcial”, afirmou em entrevista à Escritório Brasil. A entidade atua, em parceria com estados, para melhorar a qualidade de aprendizagem de jovens do ensino médio público brasílio. 

Força no Nordeste

O Recenseamento Escolar 2024 indica que as cinco maiores proporções de alunos em tempo integral matriculados na rede pública de ensino médio estão no Nordeste: Pernambuco (69,6%); Ceará (54,6%); Paraíba (54,5%); Piauí (54,1%) e Sergipe (35,2%). Na outra ponta, o Região Federalista (6,4%) e Roraima (8,1%) têm as menores proporções.

Na região Nordeste, as escolas que ofertam o integral têm médias mais altas na prova de redação e nas quatro áreas do conhecimento avaliadas no Enem: linguagens, códigos e suas tecnologias, ciências humanas e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias e matemática e suas tecnologias. 

A média da nota universal dos estudantes de ensino integral no Enem na região supera a de estudantes de vez parcial em 18 pontos. Na prova de redação, essa diferença é de 48 pontos.

Em Pernambuco, o estudo indica que a performance dos estudantes na prova de redação, no caso das escolas com oferta 100% integral, é 68 pontos mais subida do que os demais. Ana Paula Pereira acredita que o bom rendimento dos estudantes pernambucanos é resultado do pioneirismo da rede estadual na implantação do padrão integral em suas escolas. Atualmente, a política já está consolidada na rede, com grande segmento das escolas funcionando em horário ampliado.

Já no Ceará, a diferença aumenta para 134 pontos. Entre as 100 escolas cearenses de ensino médio com maiores notas no Enem 2024, 98 delas contam com oferta de ensino médio integral. Padrão semelhante ao que ocorreu em Pernambuco (89 escolas com EMI) e na Paraíba (84 com EMI).

Em relação ao Ceará, Ana Paula Pereira lembra que o estado também investe há anos na ampliação das jornadas escolares. Para ela, nas duas redes, foi dada prioridade política ao padrão ao longo dos anos. “Os governadores colocaram o integral uma vez que agenda medial, garantindo planejamento consistente, formação de professores e seguimento pedagógico contínuo. Com isso, o padrão deixou de ser uma experiência pontual e se consolidou em larga graduação, o que gera impacto coletivo”, avaliou.

Maior participação no Enem

Já o estudo intitulado “Efeitos do Ensino Médio em Tempo Integral sobre os Indicadores Educacionais dos Alunos”, dos economistas Naercio Menezes Rebento e Luciano Salomão, realizado em parceria com o Instituto Natureza, mostrou que alunos de escolas de ensino médio em tempo integral têm 16,5% mais participação no Enem do que os demais Neste levantamento, que leva em conta dados de 2017 a 2019, as notas dos alunos de escolas de ensino médio em tempo integral também são mais altas do que os estudantes de meio período,  principalmente em redação, com 29 pontos a mais.

A superintendente de Políticas Educacionais para o Brasil do Instituto Natureza, Maria Slemenson, defende que o ensino médio integral é a política pública em curso no Brasil que tem mostrado maior potencial de transformação. Ela afirma que o padrão é um caminho promissor para o país seguir na construção de uma sociedade mais próspera e justa.

A diretora do Instituto Sonho Grande destaca que, para além da aprendizagem, estudos indicam que a ensino em tempo integral melhora o horizonte profissional, uma vez que os alunos destas unidades têm maior chance de entrar no ensino superior e no mercado de trabalho, além de alcançarem salários mais altos e empregos mais qualificados. Há, também, a redução da violência, dos casos de fome, anemia, transtornos de comportamento, gravidez na juventude e doesto de substâncias, indicam as pesquisas. 

“Quando olhamos para esse conjunto de evidências, fica evidente que o Ensino Médio Integral não é unicamente uma política educacional, mas uma estratégia de desenvolvimento social e econômico para o Brasil”, disse. 

Desafios

Segundo dados do Recenseamento Escolar, entre 2022 e 2024, considerando todas as etapas da ensino básica (ensino infantil, ensinos fundamental e médio), houve um aumento no percentual de matrículas em tempo integral de 18,2% para 22,9%.

Mesmo com o propagação, o resultado ficou aquém da meta do Projecto Pátrio de Instrução (PNE), que estabeleceu para 2024 um patamar de 25% das matrículas da ensino básica em tempo integral.

Se considerada unicamente a evolução da proporção de alunos em tempo integral matriculados no ensino médio, entre 2020 e 2024, o Brasil saltou de 14,1% para 24,2%.

A diretora-executiva do Instituto Sonho Grande, Ana Paula Pereira, apontou os três principais desafios para a consolidação da política de ampliação do ensino integral. O primeiro deles é o financiamento público contínuo – seja por meio de programas federais, uma vez que o ‘Escola em Tempo Integral’, seja por mecanismos uma vez que o do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Instrução Básica e de Valorização dos Profissionais da Instrução (Fundeb), que prevê repasses diferenciados para matrículas em tempo integral.

Outro fator importante assinalado pela perito é a urgência de base direto aos estudantes em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica, com benefícios financeiros que estimulem a atração e a permanência dos alunos nas escolas. Ela mencionou o Programa Pé-de-Meia, do Ministério da Instrução (MEC), e outras iniciativas estaduais que permitem aos jovens maior dedicação aos estudos.

Por término, ela explica que as redes estaduais de ensino devem planejar e reorganizar suas estruturas para ampliar a oferta de escolas e vagas de forma consistente. Para Ana Paula, a ininterrupção da expansão depende de governadores e secretários de ensino manterem uma agenda estratégica, garantindo consistência ao longo do tempo. “É um processo gradual e cada estado segmento de um ponto dissemelhante, com contextos e capacidades distintas.”

Escola em tempo integral

O Programa Escola em Tempo Integral, lançado pelo MEC em 2023, tem a meta de registrar, até o término de 2026, murado de 3,2 milhões de novidade matrículas nesta modalidade de ensino em todas as etapas da ensino básica. O objetivo da política pública é promover o desenvolvimento dos estudantes  e melhorar os indicadores nacionais de aprendizagem.

Para perceber o objetivo, o governo federalista oferece base técnico e financeiro a estados e municípios para a ampliação do tempo integral em todas as etapas da ensino básica, com jornada educacional igual ou superior a sete horas diárias ou 35 horas semanais.

A representante do instituto entende que o programa federalista é responsável por espalhar a referência de ensino integral pelo país, antes restrita a algumas redes.

“Essas políticas públicas são fundamentais porque dão segurança à ensino integral, ajudando a transformar o padrão em política de Estado, menos sujeita à descontinuidade. Ao mesmo tempo, posiciona o integral uma vez que prioridade pátrio e viabiliza a adoção de políticas públicas robustas por redes com diferentes perfis e disponibilidade de recursos”, afirmou.

Porém, ela defende que a meta brasileira estabelecida para o ensino em tempo integral para 2035 seja mais ambiciosa. “No mínimo 50% das matrículas na ensino em tempo integral e 70% das escolas em tempo integral. E que essa expansão venha acompanhada de duas premissas: perceber estudantes historicamente mais vulnerabilizados e testificar diretrizes pedagógicas que garantam o desenvolvimento integral.”

A perito destaca ainda que o padrão deve ir além da simples ampliação da jornada. “A trouxa horária estendida sem revisão de padrão pedagógico não produz resultados melhores. O foco deve estar em uma vez que esse padrão pedagógico cria um envolvente mais hospitaleiro, no qual o jovem se reconhece e encontra sentido para aprender.”

 

 

 

Fonte EBC

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