De todas as pessoas, foi justo um republicano a lucrar as notícias nesta semana ao se posicionar contra os planos das empresas de IA de expandir a construção de data centers nos Estados Unidos.
O governador da Flórida, Ron DeSantis, alertou na quarta-feira (6) quanto aos impactos desses projetos na conta de luz, questionou subsídios para tais iniciativas e voltou a proteger uma proposta de regulação que tramita no legislativo do estado.
“Muitas pessoas não sabiam o que eram os data centers”, disse o político em um debate numa universidade. “Eles usam a pujança de uma cidade com meio milhão de pessoas e não produzem empregos, porque só são necessárias dez pessoas para governar um data center.”
DeSantis tem sido uma das vozes mais influentes a contrariar as empresas de tecnologia nesse campo e tem expressado posições semelhantes ao socialista Bernie Sanders, da fileira esquerda do partido democrata. Ambos contrariam as políticas da Moradia Branca, que quer expelir obstáculos regulatórios aos planos do Vale do Silício e punir estados que tentarem permanecer no caminho.
O republicano e o democrata são dois dos rostos de uma oposição cada vez maior aos planos das empresas de lucidez sintético. E, na traço de frente, estão comunidades locais que não querem tais centros de processamento e armazenagem de dados em seus quintais. A expansão acelerada dos data centers, secção crucial da estratégia das empresas de IA, já se desenha uma vez que um dos temas eleitorais mais potentes nos EUA em 2026 —levante, dizem analistas, é o ano da politização da novidade tecnologia.
Os levantamentos mais atualizados mostram uma explosão na resistência de comunidades aos planos das gigantes da lucidez sintético: no segundo trimestre do ano pretérito, quase US$ 100 bilhões em projetos do tipo foram bloqueados ou adiados. O número é maior do que a soma de todos os trimestres desde 2023.
Os dados são da 10Labs, empresa americana que, entre outras atividades, monitora riscos ao desenvolvimento da lucidez sintético. Diante do cenário, a companhia resolveu produzir uma base para dimensionar e escoltar a oposição aos data centers.
“Estamos trabalhando nos novos dados, sobre o segundo semestre de 2025, mas já vemos tendência de incremento”, diz o consultor de risco e pesquisador Miquel Vila, que chefia o projeto Data Center Watch, da 10Labs.
“Esse tema já tinha sido importante em corridas a governos estaduais no ano pretérito, uma vez que na Virgínia e New Jersey, e deve ser uma das questões quentes das eleições de meio de procuração deste ano, principalmente para políticos desafiando candidatos à reeleição. Já vemos candidatos tratando do tópico.”
A oposição acompanha a aceleração dos investimentos. Neste ano, Amazon, Microsoft, Google e Meta devem investir mais de US$ 400 bilhões na construção de data centers.
Não são só os impactos ambientais desses projetos, que consomem fontes de chuva para o resfriamento de servidores. Há preocupação também com questões de zoneamento, com a ocupação de terras em regiões rurais que em tese estavam destinadas à produção agrícola.
Uma das principais polêmicas diz reverência ao consumo de eletricidade dos data centers. O aumento da demanda leva a um aumento nos custos para o consumidor geral. Não à toa, um levantamento da Bloomberg mostrou que, nos últimos cinco anos, houve uma subida de 267% na conta de luz em áreas próximas a data centers.
“Se os planos das empresas de IA se materializarem, os EUA não têm hoje capacidade de geração ou transmissão de pujança [para dar conta desses data centers]. Só que o investimento das empresas locais de pujança não será para atender uma demanda do consumidor e sim das companhias de IA. E o consumidor pode vir a remunerar essa conta”, diz Paulo Carvão, ex-executivo da IBM e pesquisador na Universidade Harvard.
As lideranças ficam portanto pressionadas a tarar os custos e oportunidades, já que tais projetos também trazem uma série de benefícios, uma vez que a geração de empregos na construção social, principalmente no pequeno prazo.
Esses poderiam ser conflitos exclusivos de comunidades localizadas, mas não. Com o sistema de voto distrital americano, é normal que debates locais tenham influência na esfera federalista —e a politização em torno dos data centers vai ser um dos temas das eleições de meio de procuração, em novembro, que vão determinar se o presidente Donald Trump vai manter sua maioria parlamentar.
A Moradia Branca é aliada de vertentes aceleracionistas da indústria de IA e tem atuado para retirar obstáculos à atuação das empresas do ramo. Em dezembro, Trump assinou uma ordem executiva que, entre outros pontos, tenta neutralizar tentativas de regulação da novidade tecnologia pelos estados. Washington também ameaço governos locais com o galanteio de verbas federais.
Mas o problema que o partido Republicano pode enfrentar é que a política sítio tem dilemas próprios, não necessariamente alinhados às prioridades do governo mediano.
Uma estudo com foco nos CEPs listados na base de data centers da organização FrackTracker Alliance mostra que 60% das iniciativas em período de proposta, aprovação ou construção se localizam em regiões rurais. E pudera, já que essas instalações precisam de terreno farta e barata, alguma coisa mais difícil em áreas urbanas. A questão é que a América rústico é um bastião de eleitores trumpistas —e eles vão sentir os efeitos de tais empreendimentos.
Por dinâmicas assim, a oposição aos projetos das empresas de IA é bipartidária nos estados. E, para além da resistência de cidadãos comuns, há uma série de regulações sendo aprovadas. Na Virgínia, que concentra a grande maioria dos data centers dos EUA, 20 projetos de lei para regular esses empreendimentos foram apresentados —mais de um terço deles por republicanos.
Ron DeSantis, governador da Flórida que tem falado do tópico, tornou prioridade a aprovação de um projeto com uma série de normas para regular a lucidez sintético —o que inclui empoderar comunidades para interromper a construção de data centers e proibir que empresas de pujança repassem seus gastos com infraestrutura aos consumidores comuns.
As tentativas de regular a novidade tecnologia mostram que a politização da IA em 2026 vai além dos conflitos envolvendo os data centers e inclui também temas uma vez que direitos autorais, transparência e pornografia infantil. Sem falar no mal-estar com empregos que podem desvanecer por justificação dessa tecnologia.
A aposta do pesquisador Paulo Carvão, de Harvard, é que a pressão sobre o Congresso deve crescer e o tema deve esquentar mais ainda perto das eleições de meio de procuração e seguir em uma escalada até a corrida presidencial de 2028.
“Antes os principais riscos associados à IA eram os riscos existenciais ou o viés dos modelos, que são mais conceituais. Agora há uma mudança de oração e fala-se mais dos riscos à vida cotidiana. São discussões em que você não precisa ter um PhD em ciência da computação para entender”, diz ele.
