Ex-lutador Dwayne Johnson protagoniza filme em Veneza – 01/09/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Muito sabido pelas colaborações com o irmão Josh, em filmes porquê “Joias Brutas”, de 2019, o cineasta americano Benny Safdie faz sua estreia solo no aguardado “The Smashing Machine”, exibido em competição no Festival de Veneza. A trama é estrelada por Dwayne Johnson, que antes de ir para o cinema era sabido na luta porquê The Rock, em uma de suas poucas chances em um papel dramático. Em que, aliás, se sai muito muito.

No longa, ele também tem a oportunidade de desempenhar lutas porquê as que o tornaram um ídolo, no MMA da dezena de 1990. A trama se inspira na história real do praticante do mesmo esporte, Mark Kerr, que chegou ao auge em 1997, mas enfrentou problemas com o vício em remédios, que quase o fez se reformar antes da hora. As brigas com a namorada Dawn, interpretada por Emily Blunt, tampouco cooperavam para seu restabelecimento, e foi preciso passar por reparação até retornar ao esporte e se reencontrar.

O cinema tem toda uma tradição de obras sobre lutadores, seguindo a mesma estrutura: o primórdio auspicioso da curso, o vértice, a decadência, a ingressão em termos consigo próprio depois da queda. Esse substrato já gerou obras-primas, porquê “Sindicato de Ladrões”, de Elia Kazan, de 1954, e “Touro Indomável”, de Martin Scorsese, de 1980 —ambos sobre boxeadores.

Embora fale de MMA, o longa de Safdie não foge desse esquema, e nesse reverência o filme é convencional e sem novidades. Embora o diretor até procure alguns caminhos diferentes para narrar a sua história.

Por exemplo, evita colocar a câmera muito próxima das lutas —ela acompanha tudo com certa intervalo, sem estetizar ou glorificar a violência. Mas o que o filme possui de mais realçado está fora do octógono, nas interações entre Mark e Dawn.

Existe paixão entre eles, mas a incapacidade de notícia do par é severa. Em certa cena, quando ela quer provar ternura, diz ao namorado que seu jeito melindroso com as coisas o tornaria um ótimo pai —o que, aos ouvidos de Mark, soa porquê uma querela por ele ter preposto nunca ter filhos. E a relação é enxurro de mal-entendidos do gênero.

Blunt tem uma atuação notável, sem exagerar na caracterização da mulher pouco letrada e que usa roupas coladas ao corpo. Ela atua com reverência pela personagem, sem querer nunca deixar evidente que ela, Blunt, não é assim na vida real e que está unicamente “atuando”. Procura recriá-la honestamente, sem truques fáceis.

Mas o que surpreende mesmo é Johnson, que tem uma performance irretocável. Quando ele se irrita com um disparate dito pela namorada, não reage de inopino, mas lhe direciona um olhar tão enfurecido que existe ali mais violência que no momento de explosão logo em seguida, quando atrapalhadamente soca uma porta e a destrói na base do soco.

Mas seu Mark não é o caso clássico do brutamontes incapaz de fazer um tanto que não seja violento. Ele é um varão sensível, até relativamente instruído, que diz que se tornou um lutador porque, ali, conseguiu ter o que ele diz ser a melhor sensação provável a um ser humano: a de vitória. Se ele fosse um ás da matemática, por exemplo, provavelmente se dedicaria a vencer lidando com números. Mas a adrenalina que ele teria seria a mesma, e sua tristeza diante da guia despertaria o mesmo desencanto que desperta no octógono. Johnson já aparece porquê possibilidade no Oscar do ano que vem.

Ainda na competição, a norueguesa Mona Fastvold apresentou o estranho músico “The Testament of Ann Lee”. Coescrito por ela e o marido, Brady Corbet, de “O Brutalista”, o roteiro retraça a trajetória da britânica que migrou no século 18 para a América para evangelizar a população, divulgando a crença religiosa dos shakers.

O filme tem muita cantoria chata e involuntariamente soa porquê uma grande e extemporânea pregação místico por segmento da cineasta. A teoria era trazer à luz o papel pioneiro de uma mulher no meio religioso, mas os dogmas defendidos pela protagonista vivida por Amanda Seyfried são unicamente superficialmente progressistas. No fundo, são tão conservadores que talvez fosse melhor, para as intenções feministas da diretora, que deixasse Ann Lee esquecida pela História.

Fora da disputa, a argentina Lucrécia Martel levou ao Lido “Nuestra Tierra”, seu primeiro documentário. Fala sobre a morte do líder indígena Javier Chocobar, assassinado por brancos em uma disputa por terras no setentrião da Argentina.

Para além da temática dos conflitos agrários, o longa tem outros elementos de grande interesse enquanto registro. Durante o julgamento do homicídio, é provável confrontar os discursos empolados, agressivos e arrogantes dos brancos com as falas simples, precárias e despidas de artifícios dos indígenas. Investigar a forma discursiva de cada grupo implicado traz talvez mais informações sobre o que aconteceu que saber dos fatos debatidos no julgamento.

Folha

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