Ex técnico da seleção fica preso no Qatar em meio a

Ex-técnico da seleção fica preso no Qatar em meio a guerra – 04/03/2026 – Esporte

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Quando chegou a Doha, capital do Qatar, o ex-técnico da seleção brasileira sub-20 Ney Franco tinha um único objetivo: superar o Al Ahli e conduzir o Al Hussein, time da Jordânia que comanda desde dezembro do ano pretérito, às quartas de final da Liga dos Campeões da Ásia.

Tudo correria muito, mas uma guerra cruzou seu caminho. Estados Unidos e Israel bombardear o Irã em ataque que matou, entre muitas outras pessoas, o líder supremo do país, Ali Khamenei.

Dali em diante as coisas mudaram.

Desde portanto, Ney e as quase 50 pessoas que compõem a delegação do Al Hussein —o que inclui outros três brasileiros— estão presas no Qatar porque o espaço desatento do país está fechado. Não há previsão de reabertura.

Ele chegou à capital qatari na noite de sexta-feira (27). Acordou cedo no sábado e decidiu ir ao shopping. Era por volta do meio-dia no horário lugar, seis horas avante do horário de Brasília, quando veio o alerta.

“O meu celular começou a tocar, o de todo mundo começou a tocar”, disse à Folha por telefone nesta quarta-feira (3).

São alarmes semelhantes ao da Resguardo Social de São Paulo, afirmou, que vieram acompanhados da orientação para que todos ficassem em lar.

Os ataques contra o regime dos aiatolás haviam começado.

A primeira reação foi buscar entender o que exatamente estava acontecendo. “A gente percebeu que estava numa posição delicada ao extremo”, conta o técnico brasílico.

Qatar e Irã não fazem fronteira por terreno —estão separados pelo mar do golfo pérsico—, mas é em território qatari que está a maior base aérea americana no Oriente Médio, a de Al-Udeid, o que torna a península um níveo óbvio.

Tão óbvio que a base aérea chegou a ser atingida por um míssil iraniano num ataque que, segundo autoridades locais, não deixou feridos.

De volta ao hotel, Ney viveu momentos de mortificação. A estrear pela família, com quem conversou ainda nas primeiras horas. “Meu fruto me ligou, me passou orientações, estava muito preocupado.”

Autoridades qatari passam à população a mensagem de que a segurança do país está garantida —e ela realmente está, afirma Ney, que vê no sistema antiaéreo do país “uma eficiência enorme”—, mas quem vive a iminência de um conflito fica naturalmente assustado.

Um dos episódios mais tensos se deu à noite, quando estava no quarto e escutou uma potente explosão do lado de fora. Olhou pela janela e viu dois foguetes subindo em direção ao firmamento.

“Achei que eram mísseis vindo para o hotel. Minha primeira decisão foi descer até a recepção”, conta. Outras centenas de hóspedes fizeram o mesmo.

Não demorou muito e a polícia chegou até o lugar para pedir que todos voltassem aos seus aposentos. Os agentes explicaram que os foguetes, na verdade, eram secção do sistema antimísseis do Qatar.

Outras explosões do gênero seriam ouvidas depois, “mas aí a gente já estava meio que viciado”.

Uma delas chamou a atenção porque Ney pouco depois ouviu sirenes de ambulância. No universal, porém, o conflito desatento passou longe do técnico brasílico, que só pôde transpor do hotel nesta quarta-feira (4).

Ele estava num táxi e se dirigia a um núcleo mercantil quando conversou com a Folha. “É uma cidade espetacular, com muita comida boa”, afirmou.

O Al Hussein de Ney Franco é um dos maiores times da Jordânia, país vizinho de Israel e do Iraque —está entre um e outro.

A equipe passou às quartas de final posteriormente vencer nas oitavas o Esteghlal, sediado no Irã.

O primeiro jogo das eliminatórias ocorreria em Teerã, mas acabou transferido a Dubai na presença de a iminência de um conflito que já se avizinhava.

O Al Hussein venceu ambas as partidas. A primeira por 1 a 0, e a segunda, na Jordânia, por 3 a 2.

A direção do clube jordaniano mantém a delegação atualizada das conversas que trava com a embaixada do país no Qatar para levar os atletas de volta para lar.

Para isso, porém, depende do resfriamento do conflito na região. “Tem turista de meio mundo cá, e na hora em que o espaço desatento for retomado terão de encaixar todos eles nos voos. Paciência”, diz.

Oriente é o primeiro time que Ney comanda no exterior. Antes ele esteve avante de clubes porquê Flamengo, São Paulo, Ipatinga e Botafogo pelos quais conquistou um Campeonato Mineiro, uma Despensa do Brasil, duas Taças Guanabara, um Brasileirão e uma Sul-Americana.

Quando foi técnico da seleção sub-20, levou um Sul-Americano, uma Despensa do Mundo, uma Despensa Internacional do Mediterrâneo e outros títulos.

Folha

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