Dois símbolos do Rio de Janeiro se juntam e trazem história para o público na exposição 75 Anos do Maracanã: Um senhor estádio a todo vapor, que estreia neste sábado (30), às 10h, e seguirá até o dia 20 de outubro. A mostra foi instalada no Palácio Tiradentes, onde funcionou a Tertúlia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) até agosto de 2021, quando foi transferida para o prédio do macróbio Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj), também no núcleo do Rio.
A exposição promete emoções que podem vir de memórias ou de aprendizados conforme o público percorrer as obras instaladas. E isso não vale só para os fãs do futebol, conta o colecionador e curador da exposição, Alex Braga, que é proprietário de 75% do montão.
“O principal é encontrar, na exposição, uma peça de um show ou de um jogo no Maracanã que você foi com seu pai, e ele não está mais cá, ou que foi com seu avô, que não está mais cá. Hoje, você é um adulto. Mas, um dia, seu pai o conduziu para o show de 50 anos de curso do Roberto Carlos no Maracanã. Às vezes, a pessoa nem gosta de futebol, mas vai se encontrar nesta peça. Ninguém que entra cá [na exposição] sai no 0x0”.
Ao todo, são 430 peças de um montão vasqueiro, que inclui itens porquê: a cadeira perpétua do estádio da quadra da sua inauguração, em 1950; a esfera utilizada na despedida de Pelé da Seleção Brasileira, em 1971; a medalha do título mundial do Santos; e uma camisa autografada por Garrincha, usada em seu último jogo no estádio, em 1973. Além desses, há tesouros das carreiras de atletas porquê Zico, Roberto Dinamite, Romário, Renato Gaúcho, Neymar e Maradona.
A exposição também recorda que, nos seus 75 anos, o Maracanã também foi palco para shows e eventos inesquecíveis, entre eles, as visitas do Papa João Paulo II, em 1980 e em 1997; e o show do cantor Frank Sinatra, em 26 de janeiro de 1980.
Das figurinhas às raridades
Uma das pelas que Alex destaca em sua coleção é a camisa da despedida do Garrincha, usada em uma partida festiva, chamada de Jogo da Gratidão, em 1973. Embora fosse nas cores verdejante e amarela, a camisa não era a solene da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). No amistoso, os times eram formados por jogadores brasileiros da seleção e estrangeiros que jogavam no Brasil.
“O Fundo Garantia do Desportista Profissional (Fugap) cedeu a camisa para o uniforme específico do jogo, e a seleção brasileira jogou com aquela camisa. [Foram escalados] praticamente todos os jogadores [da seleção da Copa do Mundo] de 1970, com Garrincha no lugar do Jairzinho. Isso foi em 73. Essa camisa é valiosíssima e ainda está autografada pelo Garrincha, que praticamente não dava autógrafos. Ele não gostava”, relatou Alex, lembrando que a comprou há dois anos e meio, de outro colecionador.
A vida de colecionador começou cedo para ele. Alex tinha unicamente 7 anos quando se interessou por juntar itens relacionados ao futebol. Em 1978, ano de Despensa do Mundo na Argentina, ele morava no bairro de Oswaldo Cruz, zona setentrião do Rio, onde nasceu e cresceu. A mãe, Maria José, era professora em uma escola municipal e tinha recta a uma prestação de amostras gratuito de figurinhas de álbuns, que as editoras levavam para partilhar nas escolas.
“Uma vez que a gente tinha uma vida financeiramente muito simples, foi o primeiro aproximação, o primeiro degrau, ao que era mais barato no mercado de coleção, que é a figurinha de futebol”, contou à Sucursal Brasil. “As minhas primeiras coleções foram aos 7 anos de idade. Dali em diante, eu colecionava coisas acessíveis, e até algumas que não eram do futebol. O hábito de preservar histórias e coisas ligadas ao futebol começou aí”, revelou,
E a mãe não era a única da família que o impulsionou a debutar sua coleção. Seu avô, Paulo, quando ia à panificação comprar o pão e o leite do moca da manhã, pedia também as tampinhas das garrafas de Coca-Cola, que tinham os rostos dos jogadores da Despensa de 1978. Uma vez que a família só tinha refrigerantes em aniversários, Alex lembra que ficava feliz quando o avô chegava com um saco referto de tampinhas para ele.
“Mais tarde, comecei a comprar peças maiores, se comparadas a figurinhas, bonecos e jogos de botão, e a incrementar mais a coleção, na Feira [de Antiguidades] da Rossio XV em 2002”, disse.
O hábito de colecionar passou a ter retorno financeiro quando ele passou vender peças sobre Despensa do Mundo, Flamengo e jogadores famosos. “Comecei a fazer renda para bancar uma coleção melhor, porque, na minha profissão, até portanto, não podia tirar do feijoeiro com arroz para fazer coleção. Hoje, a gente vive em uma verdade dissemelhante. A gente vai avançando a cada ano, tenho uma empresa que vende itens de coleção e tenho o nosso montão para fazer exposições”, comentou.
Mesmo sendo torcedor do Flamengo, ele contou que, na hora de negociar, o lado rubro-negro fica de fora. “No colecionismo e na preservação da história do futebol, não existe clubismo. Portanto, eu tenho peças do gol de ventre que o Flamengo levou em 1995, peças do gol do Cocada [ex-jogador do Vasco] em 1988 [na final do Campeonato Carioca contra o Flamengo]. Na coleção, a rivalidade some. Eu compro com o mesmo prazer uma peça do Vasco, do Botafogo, do Fluminense, do Garrincha, que representam história. Ali, não é o flamenguista. Ali, é o face que é vidrado em coleção e por isso tem o montão”, apontou.
Polo cultural
No dia da estreia e no dia 12 de outubro, a programação terá também visitas teatralizadas, de hora em hora, sobre a história do Maracanã. Para a diretora de Cultura da Alerj, Fernanda Figueiredo, o Palácio Tiradentes, que já é a sede histórica do legislativo, agora também se consolidou porquê polo cultural do núcleo do Rio de Janeiro. Nesse sentido, receber a exposição que marca os 75 anos de histórias do Maracanã é fundamental para ampliar a visitação.
“A gente espera receber mais visitantes, por fim, é uma paixão pátrio, o futebol”, disse, agradecendo a parceria com o colecionador Alex Braga. “Quem vier saber a história do legislativo durante os meses de setembro e outubro também vai saber a história do Maracanã”.
O nome de Palácio Tiradentes do prédio histórico não é unicamente uma homenagem ao líder da Inconfidência Mineira. Antes de ter a construção atual no estilo neoclássico, o sítio foi por três dias, a prisão do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes,
Foi de lá que ele partiu para a sua realização, no dia 21 de abril de 1792. Por oriente incidente, a construção ganhou seu nome e tem uma estátua dde Tiradentes em sua ingresso. Já o estádio, um dos cartões-postais da cidade,




