Em 2026, a F1 dá mais um passo para reduzir suas emissões de carbono. Neste ano, a principal categoria do automobilismo mundial implementa mudanças no regulamento técnico e inclui a adoção de combustível 100% sustentável e a reformulação das unidades de potência, que passam a ter participação ainda maior da pujança elétrica. O objetivo faz segmento da meta de zerar as emissões líquidas até 2030.
As medidas entram em vigor em mais uma edição com 24 corridas, espalhadas por quatro continentes. Ao mesmo tempo em que mantém seu alcance global, a categoria encara o repto de reduzir o seu impacto ambiental diante de sua complexa logística intercontinental.
A lhaneza será neste término de semana, com o GP da Austrália. A largada será na madrugada de sábado (7) para domingo (8), à 1h (de Brasília).
O combustível desenvolvido para 2026 substitui o E10 –fórmula feita com 90% gasolina e 10% etanol, usado desde 2022. A atual formação será produzida de forma sintética pela tomada de carbono, retirada diretamente do ar ou de emissões industriais, resíduos urbanos e biomassa não fomentar, ou seja, material orgânica não destinada ao consumo humano.
“Ao contrário da gasolina convencional, que é produzida por meio do refino do petróleo bruto, esses componentes são fabricados convertendo as matérias-primas sustentáveis em moléculas de combustível por meio de processos químicos delicados”, explica um porta-voz da Aramco, empresa fornecedora de lubrificantes à equipe Aston Martin.
Segundo a Aramco, que também produziu o combustível sustentável usado na F2 e na F3, categorias de chegada à F1, no ano pretérito, o principal repto foi identificar componentes que atendam aos critérios de sustentabilidade determinados pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) para a F1.
“Cada componente pode ter seu próprio processo de produção único, apropriado à matéria-prima específica utilizada, e a mistura final de combustível deve satisfazer os limites de emissões de gases de efeito estufa”, diz a fornecedora.
Até portanto, o dispêndio do combustível usado era contabilizado uma vez que segmento do limite orçamentário que as equipes apresentavam à FIA. Com o aumento nos custos de pesquisa e produção das novas fórmulas, essa despesa deixa de integrar o teto anual de gastos.
De concordância com a F1, o combustível foi projetado para substituir equivalentes fósseis sem urgência de adaptações nos motores, o que permite seu uso em veículos de rua.
A categoria também dá destaque à eletrificação dos motores, que aumenta de forma significativa e passa a dividir quase também a entrega de potência com o motor a esbraseamento.
O brasílico Pietro Fittipaldi, piloto de testes da Cadillac, explica que a mudança impacta a pilotagem e as estratégias de corrida.
“A estratégia de uma vez que usar o acelerador e a pujança ao longo da volta também vai ser muito dissemelhante do que era no pretérito. Antes, era alguma coisa uma vez que 75% da potência vindo do motor a esbraseamento e 25% da bateria. Agora, virou mais ou menos 50% a 50%”, conta Fittipaldi.
Na prática, as equipes terão de rever abordagens tanto para voltas de classificação quanto para a corrida, já que a pujança elétrica precisa ser gerenciada e recarregada.
“Isso afeta bastante a forma uma vez que o piloto conduz o sege, já que ele pode ser mais eficiente no uso de pujança ao longo da volta. Durante a corrida, isso pode se aglomerar. Um piloto que é mais inteligente na estratégia pode lucrar vantagem. A gente viu isso muito cedo no simulador e já começou a entender o que é mais importante para maximizar o potencial do sege”, explica.
Se dentro da pista a meta é reduzir emissões e aumentar eficiência, fora dela o repto é logístico. A temporada 2026 terá 24 etapas distribuídas na América, Europa, Ásia e Oceania. O transporte de carros, peças, estruturas de hospitalidade e equipamentos de transmissão envolve operações aéreas e marítimas de grande graduação.
Embora a F1 tenha tentado otimizar rotas —uma vez que a reorganização de etapas na América do Setentrião, aproximando Canadá e Miami—, o protótipo de um calendário extenso e intercontinental impõe limites práticos à redução de emissões.
No caso do Autódromo de Interlagos, que recebe a 21ª lanço do calendário, a operação aérea segmento do México, sede da corrida anterior. “De lá, chegam oito aviões cargueiros com os materiais mais nobres, uma vez que carros e motores, no aeroporto de Viracopos, em Campinas”, explica Regina Yazbek, da Célere Intralogística, empresa responsável pela operação do GP São Paulo.
“Para cada voo, são utilizadas entre 14 e 16 carretas. No totalidade, de Viracopos até Interlagos, realizamos entre 115 e 120 viagens.”
Além da ponte aérea, há também a fardo marítima, que chega muro de três semanas antes do evento. “São 600 toneladas transportadas em navios que atracam no porto de Santos, vindos de diferentes regiões, uma vez que Singapura e Europa”, afirma Yazbek.
