Fagundes e Torloni brilham em 'Dois de Nós' 06/01/2026

Fagundes e Torloni brilham em ‘Dois de Nós’ – 06/01/2026 – Mise-en-scène

Celebridades Cultura

Com direção certeira de José Possi Neto e texto de Gustavo Pinho, “Dois de Nós” é uma comédia ácida que escancara as contradições do paixão e do tempo. Dois casais — um na mansão dos 70 (Antonio Fagundes e Christiane Torloni) e outro aos 40 (Thiago Fragoso e Alexandra Martins) — dividem o mesmo quarto de hotel em épocas diferentes, criando um diálogo geracional referto de humor e melancolia.

A peça, que retorna para novidade temporada no Teatro Tuca, brinca com espelhos: o parelha mais velho revê seu pretérito no par mais jovem, expondo machismo, arrependimentos e a ilusão do “felizes para sempre”. Fagundes e Torloni, juntos no teatro pela primeira vez posteriormente décadas na TV, roubam a cena com química e timing cômico, enquanto Fragoso e Martins representam a geração atual, presa entre cobranças sociais e desejos frustrados.

Possi Neto equilibra riso e drama sem pieguice, usando o cenário minimalista (um quarto de hotel) porquê redondel para conflitos universais. Embora alguns diálogos possam tanger previsíveis, a força do elenco e a direção precisa conseguem transformar clichês em reflexões potentes. E o elenco é um delícia.

No termo, “Dois de Nós” é sobre porquê o paixão envelhece — e porquê rir disso pode ser a única saída. Imperdível para quem já amou, errou ou se reconheceu no espelho de um relacionamento.

Importante: se for ao espetáculo, não se atrase!

Três perguntas para…

… Christiane Torloni

Uma vez que está sendo a experiência de subir ao palco com o Antonio Fagundes? O que o teatro proporciona a vocês, porquê dupla artística, que a TV não permite?

Estar com o Fafá no palco é o cumprimento de uma promessa mágica que fizemos há 44 anos, quando éramos dois jovens atores com uma sinergia magnífica. O tempo precisou passar para que estivéssemos prontos um para o outro, com nossas sólidas carreiras, para viver esta experiência. Terminamos agora uma passeio de 62 espetáculos em Portugal, para mais de 70 milénio espectadores, o que confirma o paixão que cá se construiu pela televisão brasileira ao longo de décadas. Estamos colhendo os frutos de uma primavera cultural.

A televisão não permite a interação viva com o público. No palco, somos duas crianças brincando, nos desafiando e rindo. A grande diferença, o que só o teatro permite, é esse encontro tete-a-tete, corpo a corpo, com as pessoas ali na nossa frente. É maravilhoso.

A peça aborda o enlace em diferentes gerações. O que você enxerga de mais verdadeiro e atemporal nas crises e alegrias conjugais retratadas por Gustavo Pinho?

O que o texto do Gustavo Pinho traz de mais lustroso é essa quebra do tempo. A discussão sobre o paixão e o enlace é permanente, não importa a geração. A fala “cuida dela enquanto houver paixão” é a núcleo. Tive o exemplo dos meus pais, que se cuidaram por 70 anos. Um parelha, seja de que tipo for, precisa de um propósito e um sonho em geral. O paixão se expressa no zelo.

Num mundo que está perdendo o libido do contato físico, o teatro é o contraveneno. É a instrumento do toque, do encontro humano. A peça fala disso: de humanidade. Pessoas que nos viram na TV por anos agora podem estar ali, conosco, sendo tocadas.

Uma vez que tantos anos de curso, o que mudou na sua forma de abordar um novo papel? Qual é o sigilo para manter a paixão e a curiosidade pela atuação?

O sigilo está sempre na qualidade da dramaturgia. Um bom texto é o que provoca, desafia e faz cintilar os olhos. É paixão à primeira vista. Gustavo é um desses autores que renova o cenário, um pai sensível e intelectual. Seu texto é uma joia que provoca o ator.

Por isso “Dois de Nós” nos move tanto. Estamos com 194 apresentações dando tudo de nós, porque é porquê pilotar uma Ferrari. Temos o veículo, somos o veículo e a pista. Tudo se completa. Quando um projeto assim aparece, com uma dramaturgia tão rica, a resposta é imediata: um lindo e definitivo sim.

Teatro Tuca – rua Monte Contente, 1.024, Perdizes, região oeste. Qui. e sex., 21h. Sáb., 20h. Dom., 17h. Até 17/5. Classificação indicativa: 12 anos. Duração: 90 minutos. A partir de R$ 100 (meia-entrada) em sympla.com.br


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Folha

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