Feira do livro debate a série 'adolescência' e o chatgpt

Feira do Livro debate a série ‘Adolescência’ e o ChatGPT – 19/06/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

“Se o que você faz pode ser feito pela perceptibilidade sintético, não há sentido. O que o Paulo Coelho faz, não tem sentido”, é o que afirmou o noticiarista espanhol Jorge Carrión na Feira do Livro nesta quinta-feira (19).

Em encontro de Carrión com a chilena Lina Meruane, o jornalista Rodrigo Casarin mediou a conversa de dois escritores que, apesar de falarem a mesma língua, não eram uma combinação óbvia.

O tema da perceptibilidade sintético já apareceu no mais recente trabalho de Carrión, o livro “Membrana”. No romance, uma perceptibilidade sintético do porvir narra temas humanos. A obra foi escrita há seis anos, antes da popularização das inteligências artificiais generativas e até hoje, porquê afirma o responsável, elas não conseguem depreender o que ele escreveu. “Eu quero fazer o que o ChatGPT não consegue”, afirmou.

Para Meruane, a sina do noticiarista de hoje é “redigir mal”, já que o ChatGPT e seus similares buscam “redigir muito”. Ela valoriza o traço humano que vive nos erros e desvios de regras gramaticais.

O diferencial humano está também no modo de pensar do responsável. Meruane resumiu seu processo de maneira simples: “Quando escrevo romances vou detrás dos meus personagens e quando escrevo ensaios vou detrás de uma teoria.” Para Carrión, as ideias ficam para seus romances e as perguntas para seus ensaios.

Independente do formato, ambos concordaram que, ao redigir, é preciso provocar. “A literatura não pode acomodar, ela tem que gerar perguntas incômodas.”

Mais cedo, no auditório Armando Nogueira, Yamaluí Kuikuro Mehinaku conversou com a escritora e cineasta Rita Carelli sobre seu livro “Possessor das Palavras: A História do Meu Avô”. Para uma plateia majoritariamente branca, o indígena nascido no Supino Xingu afirmou: “O índio precisa que os brancos ouçam a nossa história”.

O lançamento de seu livro garantiu à Yamaluí o título de noticiarista —mais uma das várias ocupações que exibe. Seguindo os passos de seu avô Nahũ Kuikuro, um dos primeiros indígenas do Supino Xingu a aprender português, Yamaluí também é tradutor, além de transcritor, pesquisador, cantor, artesão e pescador. “Só falta virar flautista de jacuí”, porquê disse, para permanecer mais parecido com o avô.

Nahũ tem sua biografia contada em “Possessor das Palavras”. Ao narrar a história do avô, Yamaluí realizou um sonho de sua família —”o meu avô voltou para mim com esse livro”, afirmou. Além de descrever a história de uma das figuras decisivas na geração do Parque do Xingu, o livro também foi escrito para exigir reverência para o território indígena.

A obra, nas palavras de Carelli, “é uma revanche histórica”. Segundo Yamaluí, “o mato está acabando e o rio está secando” porque o branco ainda não aprendeu sobre preservação com os povos indígenas.

O noticiarista deu início e finalizou a mesa com um “quina de onça preta” na língua Kuikuro, que emana a resguardo do bicho das flechas do contendedor. “Cantei para todo mundo transpor daqui com saúde e alegria.”

Enquanto isso, no palco extrínseco, o jornalista canadense Paris Marx falava sobre carros, tecnologia e seu “Estrada para Lugar Nenhum” com a professora e pesquisadora Bianca Tavolari. Fazendo referência à Steve Jobs, o fundador da Apple, Marx disse que o computador pessoal é o novo veículo.

Para muitos, ter um carruagem é uma forma de prometer o seu espaço e, na procura por diferenciação, as pessoas buscam veículos caros. Mas, porquê ele aponta, o que essas pessoas esquecem é que não importa o quão rico ou pobre você é, todo mundo acaba recluso no mesmo trânsito.

Uma vez que contou Marx, carros self driving porquê o Tesla de Elon Musk não resolvem o problema do trânsito porquê eles se propõem a fazer. Eles são vendidos porque provocam o libido das pessoas de ter seu próprio carruagem e lembram a fascinação com a ficção científica. Ao ver filmes e ler livros com tecnologias futuristas, consumidores e, principalmente, desenvolvedores de tecnologia acreditam que “aquilo é o que deve ser conseguido”, porquê disse Marx.

A série britânica “Mocidade”, lançada oriente ano pela Netflix, serviu porquê ponto de partida para a mesa que aconteceu às 15h30 no Palco Petrobras da Feira do Livro de São Paulo. Juliana Borges, Lola Aronovich e Luciana Temer discutiram porquê a violência de gênero, a misoginia online e a preterição adulta atravessam o cotidiano de jovens no mundo inteiro.

Luciana Temer, diretora do Instituto Liberta, destacou porquê a série desmonta a teoria de que o lar é sempre um espaço seguro. “Mais de 60% da violência sexual contra crianças, por exemplo, acontece dentro de lar”, afirmou. Segundo ela, falta consciência por segmento dos adultos sobre o que de trajo prenúncio adolescentes.

Lola Aronovich contou que conheceu o termo “masculinismo” —movimento que propaga uma suposta superioridade masculina e ataca o feminismo— somente quando criou seu blog “Escreva, Lola, Escreva”. “Nunca tinha ouvido falar de masculinismo antes do blog. Nunca tinha sabido um varão misógino, aliás.”

Ela ressaltou que “a misoginia é a porta de ingressão para drogas mais pesadas na internet”. Aronovich foi uma das primeiras pesquisadoras a relacionar fóruns de exposição de ódio com feminicídios de trajo.

Juliana Borges falou sobre porquê os jovens de hoje vivem uma integração totalidade entre o do dedo e o real. “A minha geração ainda separa a vida real e o mundo virtual. Eu sinto que essa geração mais novidade eliminou essa barreira.”

Borges também comentou o sentimento de culpa dos adultos retratado na série. “Os adultos não têm tempo de mourejar com as questões dos adolescentes. Precisamos de uma escola multidisciplinar, com profissionais preparados para mourejar com a dificuldade dos estudantes —os professores já estão sobrecarregados.”

A mesa apontou para a urgência de escutar os adolescentes com mais atenção e de erigir redes que de trajo acolham seus dilemas —sem ignorar a responsabilidade dos adultos no processo.

Folha

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