Fernanda Gentil torce para que narradoras façam terapia 07/02/2026

Fernanda Gentil torce para que narradoras façam terapia – 07/02/2026 – Mônica Bergamo

Esporte

Em seguida 16 anos, Fernanda Gentil volta às Olimpíadas de Inverno uma vez que o maior trunfo da CazéTV. Os Jogos acontecerão de 6 a 22 de fevereiro em Milão e Cortinado, na Itália, e o Brasil terá a maior delegação de sua história no torneio, com 14 atletas. À poste a apresentadora reflete sobre o momento da emissora, a escolha de não voltar à Orbe, uma vez que o privilégio a blindou ao assumir sua relação com Priscila Montandon e faz um apelo às narradoras para que não ouçam os críticos.

“Passa um filme na cabeça”, diz. Foi há 16 anos, em Vancouver, no Canadá, que Gentil fez sua primeira grande cobertura. A convocação ainda a surpreende, já que tapume de um ano antes ela havia deixado o Esporte Interativo e ingressado na Orbe. “Eu quero saber quem foi o louco do diretor que mandou uma moça de 22 anos que tinha terminado de entrar para vedar uma Olimpíada de inverno”.

Gentil vivia uma “montanha-russa de emoções”, dividida entre a chance de uma grande cobertura e a separação dos pais. “Lembro muito do embarque [do avião]. Tentava focar exclusivamente na preparação, mas com uma incerteza enorme sobre o que encontraria na volta. Eu sabia que, provavelmente, nem para a mesma morada eu retornaria —e não voltei.”

O trabalho deu claro, pois seria chamada pela TV Orbe para um evento ainda mais importante do calendário brasiliano, a Despensa do Mundo da África do Sul. Ao receber o email de credenciamento, ignorou a mensagem. “Não entendi zero e achei que fosse spam. Nem respondi.” Só acreditou na graduação quando foi chamada pessoalmente pela chefia, já perto do término do prazo.

Na África, a portanto promessa do jornalismo se tornaria meme vernáculo ao tentar cumprimentar um varão cego durante uma ingressão ao vivo. “As pessoas lembram [de seu trabalho no evento] muito por pretexto do ceguinho, esse meme que não morre nunca […] hoje é engraçado, mas o glosa mais gentil que recebi na quadra foi ‘loira burra’.” O entrevistado era um galicismo responsável por um projeto que levava pessoas cegas aos jogos do torneio.

A apresentadora diz reconhecer nos ataques atuais às mulheres narradoras e comentaristas um padrão semelhante ao que viveu no início da curso. “Eu torço muito para que essas mulheres, meninas, garotas estejam com a terapia em dia, para não deixarem de fazer o que elas nasceram para fazer”, afirma. Gentil diz que desde pequena cuidou da saúde mental e segue fazendo isso até hoje.”

A presença da mulher no esporte é uma veras e tem que ser cada vez maior mesmo. Mas tem que ser de igual para igual, minha fala cá não quer expressar que os homens tenham que trespassar ou muito perder espaço. Muito pelo contrário, a gente só tem que conviver harmonicamente”, segue.

CRÍTICAS À CAZÉ TV

A apresentadora fala com a poste por vídeo, de seu quarto de hotel. Ela se divide entre as cidades de Milão e Bormio para ancorar a cobertura dos Jogos de Inverno. Além das provas, também comanda o programa quotidiano “Lerigou”, ao lado dos influenciadores Pedro Scooby e Diogo Defante, exibido ao final de cada dia de transmissão.

A CazéTV escolhe mais uma vez tentar emplacar um envolvente relaxado e heterodoxo às clássicas bancadas de esporte. A fórmula fez o que é hoje a CazéTV, atraindo a concorrência da mídia tradicional e, cada vez mais, críticas.

“Zero é unanimidade, nem Jesus Cristo”, diz Gentil. “Esse jeito mais originário, mais informal, vai transfixar brechas para críticas, sempre. Assim uma vez que o jeito mais formal também abre.” O critério, afirma, é fidelidade ao propósito. “Quanto mais a gente agir de concórdia com os nossos valores, mais possante fica esse DNA, que virou um fenômeno inegável.”

Ela cita a cobertura dos Jogos Pan-Americanos do Chile uma vez que um ponto de viradela. “A gente errou muito”, diz. Numa partida de beisebol da competição, por exemplo, nenhum dos comentaristas conhecia as regras do esporte —o matéria foi abordado até pelo próprio Casimiro Miguel, em uma de suas lives. “Recebemos pauladas, mas também muita sátira construtiva. E isso foi um pouco que me fez apreciar ainda mais o lugar em que estou. A gente ouviu, estudou e mudou durante a transmissão no meio da competição”.

Gentil fazia participações esporádicas na CazéTV desde que saiu da Orbe, em 2023. A decisão de sacramentar o relacionamento com o projeto de Casimiro Miguel e a Livemode até 2028 ocorreu depois uma negociação atravessada. Em agosto pretérito, a apresentadora chegou a encaminhar um concórdia para retornar à emissora da família Oceânico. Ela seria a estrela da GE TV, ducto esportivo da Orbe voltado ao YouTube. As bases salariais estavam acertadas, mas o contrato travou na cláusula de exclusividade.

A Orbe exigia que ela rescindisse seus acordos com a Fifa, onde produz teor de bastidores de competições, e encerrasse seu ducto próprio no YouTube. Fernanda recusou. Optou pela liberdade mercantil da CazéTV. “Eu entendi que fazia mais sentido para mim. Estava mais consolidada no meu coração a prosseguimento do trabalho que eu vinha fazendo com a CazéTV do que romper esse ciclo.”

Entendia também que precisava de mais tempo com a família, e o ducto pessoal ajudaria já que não teria que responder a chefes ou prazos. Ilusão, já que “hoje eu trabalho muito mais do que nunca, mas basicamente só com o que eu paladar e com o que eu quero”, diz Fernanda.

VIDA PESSOAL

A apresentadora ainda aborda a vida pessoal sob o prisma do privilégio social. Em 2016, quando assumiu o relacionamento com a jornalista Priscila Montandon, a repercussão foi imediata. “Eu não posso deixar de reconhecer o tamanho do meu privilégio, que eu tinha naquela quadra já. Eu era apresentadora do Esporte Espetacular”, afirma. Segundo ela, isso funcionou uma vez que uma blindagem. “Tenho certeza de que, se eu tivesse vivido isso no início da curso ou de forma anônima, teria sofrido muito mais.

Ela afirma nunca ter cogitado viver escondida. “Não viveria escondida. Vivo naturalmente, do jeito que entendo ser originário. Não preciso forçar zero, seja para mostrar mais ou menos”. Para Gentil, tornar o relacionamento público foi uma forma de transfixar caminho para outros. “É um fôlego, um respiro, uma esperança de que é provável viver um relacionamento assim.”

Casada desde 2018, ela é mãe de Lucas, de 16 anos, e de Gabriel, de 8. Sobre ter mais filhos, uma vez que afirmou no ano pretérito, o tom é mais precatado. “Vontade eu já tive mais, mas aí depois passa, aí volta. Eu ainda não defini se é uma vontade mesmo ou se é mais uma saudade”, explica. A estrutura atual da morada, com a independência dos filhos mais velhos e a rotina de viagens organizada, pesa na decisão de não reiniciar o ciclo da maternidade agora.”

Hoje em dia a gente está muito feliz com a nossa estrutura e com as coisas que temos feito. Confesso que [a possibilidade de ter outro filho] já esteve mais ensejo. Já foi mais uma vontade, assim, viva e mais clara entre a gente. Não sei, com o passar do tempo a nossa dinâmica de família foi ficando mais azeitadinha, mais redonda, sabe? A gente foi curtindo esse estilo de vida de ter crianças mais velhas, sem o trabalho braçal que requerem os bebês.”

Aos 39 anos, Gentil já projeta o próximo grande evento: a Despensa do Mundo de 2026, no Canadá, México e Estados Unidos. Até lá, segue na Itália tentando aproximar o público brasiliano de modalidades pouco conhecidas, uma vez que curling e bobsled.

com DIEGO ALEJANDRO, KARINA MATIAS e VICTÓRIA CÓCOLO

Folha

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