O Kino International será reaberto em Berlim neste mês. É uma sala de cinema de 1963, restaurada com esmero nos últimos dois anos. Ficou porquê era, uma joia da arquitetura modernista alemã oriental, acrescida de projeção 4K e sistema de som surround. Um prédio que dá vontade de entrar sem perguntar que filme está passando.
Numa cidade que cultua a esse ponto os seus espaços dedicados ao cinema, a 76ª edição do Festival de Berlim, que começa nesta quinta-feira, pretende colaborar com a formação de um novo público para os filmes ditos de responsável.
“Cinema cria comunidades e, neste momento, precisamos porquê nunca de mais experiências comunitárias”, afirmou a diretora da mostra, Tricia Tuttle, ao apresentar a programação da Berlinale, porquê o festival é espargido, em janeiro. Trazer gente jovem para as salas de exibição é uma missão também política, em tempos de desintegração.
O exposição da americana, trazida do Festival de Londres há dois anos, parece uma leitura de um sentimento generalizado entre os europeus, espremidos em seu próprio papel diante de um mundo cada vez mais hostil ao continente —da invasão russa na Ucrânia, que já chega a quatro anos, às ameaças de Donald Trump e a corrida tecnológica com a China.
O esforço se reflete em atitudes práticas, porquê ingressos mais baratos para quem tem de 18 a 25 anos, patrocínio do TikTok, além, é evidente, da seleção de filmes. Haverá quem veja uma profíquo fuga da polêmica, porquê a que marcou a Berlinale em 2024, com a premiação de “Sem Soalho” e uma intrincada discussão sobre porquê reclamar contra a ação de Israel na Fita de Gaza e o antissemitismo.
Outros, no entanto, poderão concordar com Tuttle, que vê nos trabalhos escolhidos as pressões dos tempos atuais, a despeito do contexto. Por via das dúvidas, a opção para a lhaneza parece uma aposta segura na escrita do festival, “No Good Men”. Terceiro filme da afegã Shahrbanoo Sadat, retrata a história de uma mulher num Afeganistão pré-Talibã.
É inegável que a competição solene traz nomes conhecidos do grande público, porquê Juliette Binoche, Amy Adams, Sandra Hüller e Elle Fanning. Indicada ao Oscar por “Valor Sentimental”, Fanning encabeça o elenco de “Rosebush Pruning”, segundo filme internacional do cineasta cearense Karim Aïnouz.
Classificado pelo próprio diretor porquê “a coisa mais louca” que já filmou, a produção mostra o “patriarcado ressentido”, descreveu ele em entrevista a oriente jornal, na história de uma família americana enclausurada numa morada de veraneio na Espanha.
O peso dos homens também é objeto de Beth de Araújo, californiana filha de brasílio, diretora de “Josephine”, que levou dois prêmios no Festival Sundance no termo do mês pretérito e críticas muito elogiosas na prensa. Nele, uma moça de oito anos presencia um delito chocante e começa a agir de forma violenta para se proteger.
Depois do Urso de Prata para “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, no ano pretérito, a produção vernáculo terá participação importante nas sinais paralelas. Eliza Capai, Allan Deberton, André Novais Oliveira, Gabe Klinger, Priscilla Kellen, Karen Suzane, Janaína Marques e Grace Passô apresentam filmes porquê “A Fabulosa Máquina do Tempo”, “Feito Pipa”, “Isabel”, “Se Eu Fosse Vivo… Vivia” e “Nosso Sigilo”.
Labareda a atenção na lista de 22 filmes que concorrem ao Urso de Ouro a animação “A New Dawn”, de Yoshitoshi Shinomiya, que sinaliza de forma magníloquo a tentativa de ampliação de público. Berlim assistirá ainda à estreia de “The Blood Countess”, com Isabelle Huppert, e às primeiras exibições europeias de “The Weight”, estrelado por Ethan Hawke, e “Boa Sorte, Divirta-Se, Não Morra”, de Gore Verbinski.
Um cardápio que parece pequeno para setores da sátira alemã. Com ou sem política, a Berlinale estaria perdendo relevância para a indústria, ficando cada vez mais para trás em lançamentos na confrontação com Cannes, na França, e Veneza, na Itália. Segundo Tricia Tuttle, a crise é do setor, e a Berlinale, uma frente de guerra “para manter cinemas independentes abertos, os distribuidores e exibidores que defendem esses cinemas prosperando e prometer que eles ainda possam percorrer riscos”.
Ir ao cinema, diz a diretora do festival, é “a maneira mais poderosa” de tutelar toda a indústria. O International Kino voltará às atividades unicamente depois da Berlinale, com uma exibição peculiar de “Marty Supreme”. Os filmes do festival estarão nas grandes salas, mas também no Xenon, menor cinema da cidade a receber o evento, com 140 lugares.
