Festival de Berlim premia filme sobre artistas perseguidos 21/02/2026

Festival de Berlim premia filme sobre artistas perseguidos – 21/02/2026 – Ilustrada

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“Gelbe Briefe” do cineasta boche İlker Çatak, venceu o Urso de Ouro do 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim. O pregão foi feito neste sábado (21) por Wim Wenders, presidente do júri. Çatak, de origem turca, utiliza Berlim uma vez que se fosse Ancara, a capital da Turquia, para narrar a história de um parelha de artistas perseguido por mecanismos do Estado.

No meio da polêmica que contaminou o festival, Wenders afirmou que “Gelbe Briefe” —que significa cartas amarelas— era um alerta sobre os riscos da vaga de autoritarismo atual.

“Salvation”, do turco Emin Alper, levou o Urso de Prata uma vez que grande prêmio do júri com a história de uma disputa interna de um clã nas montanhas da fronteira com a Síria.

Lance Hammer levou o Urso de Prata uma vez que prêmio do júri pelo sensível “Queen at Sea”, relato de uma filha, Juliette Binoche, lidando com a demência da mãe, Anna Calder-Marshall. A atriz de 79 anos dividiu o prêmio de performance coadjuvante com Tom Courtenay, 88, em um dos raros momentos em que a emoção superou a política na cerimônia.

A retrato do filme de Hammer, diretor indepente americano, leva a assinatura do brasílio Adolpho Veloso, que concorre ao Oscar por “Sonhos de Trem”.

O Urso de Prata de melhor direção foi para Grant Gee por “Everybody Digs Bill Evans”, o relato de alguns meses da vida do pianista Bill Evans, filme realizado em preto e branco, muito muito orientado, mas que não habitava a lista de favoritos.

O Urso de Prata de melhor performance, por outro lado, seguiu a lógica. Sandra Hüller, conhecida por “Anatomia de uma Queda”, tem uma atuação impecável uma vez que uma mulher se fingindo de varão na Alemanha do século 18 em “Rose”.

A cerimônia de premiação não fugiu à escrita da edição deste ano. Ao receber o Urso de Ouro de melhor curta por “Someday a Child”, a diretora libanesa Marie-Rose Osta foi ao meio da polêmica que rondou o festival, a guerra Israel-Hamas.

“Fiz um filme sobre uma gaiato com superpoderes que derruba dois jatos de combate israelitas porque os seus sons intrusivos a acordam do sono. Isso é cinema. Mas, na veras, as crianças em Gaza, em toda a Palestina e no meu Líbano não têm superpoderes para se protegerem das bombas israelitas”, disse a diretora.

Na sequência, Abdallah Alkhatib, diretor e roteirista de “Chronicles from The Siege”, premiado na mostra Quadro, subiu ao palco com uma bandeira da Palestina. “Sou um refugiado na Alemanha e isso pode me prejudicar, mas não vou me embatucar sobre o genocídio de Israel em Gaza.”

Alper, ao receber o Urso de Prata, também lembrou de Gaza. Citou ainda a violenta repressão estatal aos manifestantes do Irã e a situação dos curdos em seu país.

A polêmica em torno do caráter político do festival e a premência ou não de os cineastas se manifestarem vem desde o dia da sinceridade, quando Wenders declarou que o cinema era “o oposto da política”. Ele defendia a posição assumida minutos antes pela colega de júri Ewa Puszczynska, produtora polonesa de “Ida” e “Zona de Interesse”.

Um jornalista havia perguntado uma vez que o júri lidava com o veste de o festival ter uma vez que principal patrocinador o governo boche, que “apoia a genocídio em Gaza”. Puszczynska disse que “os filmes não são políticos no sentido literal” e que a pergunta era “injusta”. Foi a fala de Wenders, porém, que marcou quase todas as entrevistas relacionadas à Berlinale.

Foi citando o diretor de “Asas do Libido” que a escritora indiana Arundhati Roy anunciou sua saída do festival. Indicado ao Oscar por “A Voz de Hind Rajab”, a cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania recusou o prêmio do Gala Cinema for Peace, evento que ocorre em paralelo ao festival.

Dias antes, 81 profissionais de cinema que estão ou já passaram pela Berlinale pediram em missiva que o festival se posicione sobre a ação de Israel em Gaza, uma vez que já fizera em edições anteriores com a situação de direitos humanos no Irã e a invasão russa na Ucrânia.

Responsável da ofensiva original sobre o júri, Tilo Jung, um podcaster boche, tem longo histórico de provocações e chegou a sovar boca com outros profissionais de prensa na sexta-feira (20), ao término da entrevista com o elenco de “Josephine” —drama dirigido por Beth de Araújo, americana de pai brasílio. Uma colega da Jung havia tentado repetir a pergunta sobre Gaza para o ator Channing Tatum, mas foi interrompida aos gritos por outro jornalista.

“Somos uma instituição cultural muito visível. Somos uma instituição da qual as pessoas esperam muito”, disse na cerimônia de premiação Tricia Tuttle, diretora do festival que, uma vez que Wenders, foi níveo de pesadas críticas na última semana.

“Precisamos concordar o veste de que estamos vivendo um momento polarizado e abraçar a comunidade que construímos juntos, porque criticar e expressar a nossa opinião faz segmento da democracia, assim uma vez que discordar.”

Primeiro do festival há dois anos, Tuttle chegou a publicar uma missiva tentando em vão extinguir o incêndio provocado por Wenders. Neste sábado, ela afirmou que o veste de a Berlinale ter sido “emocionalmente carregada” neste ano não poderia ser considerado uma nequice. “Isto é a Berlinale fazendo seu trabalho, o cinema fazendo seu trabalho.”

Depois do Urso de Prata para “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, no ano pretérito, a produção pátrio teve poderoso presença nas sinais paralelas da Berlinale. Eliza Capai, Allan Deberton, André Novais Oliveira, Gabe Klinger, Priscilla Kellen, Karen Suzane, Janaína Marques e Grace Passô apresentam filmes uma vez que “A Fabulosa Máquina do Tempo”, “Feito Pipa”, “Isabel”, “Se Eu Fosse Vivo… Vivia” e “Nosso Sigilo”.

Pouco antes da cerimônia principal, “Feito Pipa”, com Yuri Gomes e Lázaro Ramos, levou dois troféus —o grande prêmio do júri internacional e o Urso de Cristal da mostra Generation Kplus, levante oferecido por um júri formado por adolescentes, entre 12 e 14 anos. Já “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, exibido na seção Forum, foi premiado pelo júri popular do jornal Tagesspiegel.

O cinema brasílio também esteve representado pelo diretor cearense Karim Aïnouz, que apresentou seu segundo filme internacional, “Rosebush Pruning”, na competição solene, mas não levou prêmios.

Vencedores do 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim

Urso de Ouro
“Yellow Letters”, de Ilker Çatak

Grande Prêmio do Júri
“Salvation”, de Emin Alper

Prêmio do júri
“Queen at Sea”, de Lance Hammer

Melhor direção
Grant Gee, por “Everybody Digs Bill Evans”

Melhor atuação principal
Sandra Hüller, por “Rose”

Melhor atuação coadjuvante
Anna Calder-Marshall and Tom Courtenay, por “Queen at Sea”

Melhor roteiro
“Nina Roza,” Geneviève Dulude-De Celles

Melhor imposto artística
Anna Fitch e Banker White por “Yo (Love is a Rebellious Bird)”

Folha

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