Festival de campos do jordão faz 'intensivão' para músicos

Festival de Campos do Jordão faz ‘intensivão’ para músicos – 04/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Quando a Osesp, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, terebrar com Richard Strauss, neste sábado, no Auditório Claudio Santoro, a 55ª edição do Festival de Inverno de Campos do Jordão, interno paulista, dará início a uma maratona de 84 apresentações gratuitas que seguirão até 3 de agosto em quatro endereços da cidade serrana e, em São Paulo, na Sala São Paulo e na sede principal do Mackenzie.

Mas mais do que uma sequência de concertos principalmente de orquestras brasileiras, o festival é um “intensivão” de música para os próprios músicos, uma oportunidade de incremento técnico, de subida profissional e de proveito de experiência e networking.

A violista Stefany Stelet, 23, vai para sua terceira edição porquê bolsista do Festival, evento que a induz, porquê afirma à Folha, a se destinar mais. Em setembro, ela segmento para Sion, na Suíça, para estudar na Haute École de Musique, com o britânico Timothy Ridout, prodígio de seu instrumento, vaga que de alguma forma cavou ao se esforçar em outras edições do Festival.

Stefany, ainda que hoje a integrar a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, sofre com a falta de posições nos corpos estáveis brasileiros. “A Osesp e a Filarmônica de Minas Gerais têm nível muito cume, quase não aprovam ninguém, isso tira um pouco nossas esperanças.”

O Festival de Inverno é também uma possibilidade de faturar alguns reais. Distribui bolsas em quantia —oriente ano, de R$ 4.700 a R$ 6.500 –, alguma coisa que outros festivais pelo Brasil, porquê o de Pelotas, no Rio Grande do Sul, não fazem, exceto valores simbólicos para traslado e outras despesas.

Mesmo assim, o evento enfrenta restrições orçamentárias. O atual borderô, de murado de R$ 8 milhões, é o mesmo, nominalmente, de 2019. Atualizado pela inflação, o montante subiria para R$ 11,2 milhões.

Em 2019, aquela que foi a 50ª edição do evento distribuiu 201 bolsas, 60 a mais do que hoje —com algumas desistências, são 220 alunos em 2025, mas eles dividem 141 bolsas. Pelos custos de estadia, não se cogita levar os bolsistas de volta para Campos do Jordão, tradição interrompida com a crise econômica dos anos 2010.

O evento também concede prêmios por desempenho para os bolsistas. O principal deles, o Eleazar de Roble, garante nove meses de estudo no exterior, as despesas de traslado desde o Brasil e ainda US$ 1.400, ou R$ 7.500. Leste ano também serão distribuídos três prêmios em quantia para intérpretes de repertório de música antiga.

De qualquer forma, a oportunidade de ser escoltado por professores de várias partes do Brasil e do exterior é o que anima os candidatos. Leste ano marca o recorde de inscrições dos últimos 12 anos, 453. Ministram aulas e masterclasses 84 professores, porquê a maestrina francesa Stéphanie-Marie Degand e o regente russo Mikhail Agrest.

Podem se candidatar à bolsa pessoas de 16 a 35 anos, mas a filete etária preponderante é dos 22 aos 27 anos. Segundo dados da organização, mais de dois terços dos candidatos moram no estado de São Paulo e pouco mais de 35% deles se declaram pretos e pardos —os indígenas, pouco mais de 1%. Muro de dois terços já participaram, também porquê bolsistas, de outra edição, ou de outras edições, do festival.

Para Fabio Zanon, coordenador pedagógico do Festival de Inverno, não é incomum que as pressões financeiras abortem carreiras musicais já encetadas. “Alguns músicos viram corretores de imóveis”, diz, escolhendo um exemplo não tão aleatório.

Muitos músicos de concerto têm seu primeiro contato com a música em organizações sociais e em igrejas, e, vindo de famílias de, em universal, reles poder econômico, tornam-se, não vasqueiro, o maior salário da moradia.

Por isso, ao virarem bolsistas do festival, encaram a oportunidade com “pragmatismo”, porquê diz Zanon. “Eles podem não ser melhores músicos do que aqueles que têm quesito econômica superior, mas dá para proferir que são mais eficientes.”

A saga dos bolsistas virou ano pretérito, por encomenda da Osesp, um docu-reality, o “Compondo Futuros”. Os seis episódios, produzidos pelo meio Arte 1, podem ser vistos gratuitamente no YouTube. Neles, os bolsistas narram suas histórias de vida e comentam as expectativas futuras.

Uma segunda temporada, com a versão deste ano, está no prelo, e deverá estrear a ser exibida no Arte 1 em 23 de agosto. Os bolsistas agora contracenam com veteranos do festival, alguns deles membros de longa data da Osesp, porquê o oboísta Arcadio Minczuk, na orquestra desde 1981, e da timpanista Elizabeth Del Grande, 52 anos na Osesp.

Folha

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