Em “Glorious Bodies”, um dos espetáculos da oitava edição do Festival Internacional Sesc de Circo, seis acrobatas idosos fazem movimentos de solo, ancorados uns sobre os outros, além de saltos nas alturas, para investigar a resistência dos corpos que envelhecem —e continuam em cena.
A vetustez dos artistas de circo é um dos temas do festival, realizado de 8 a 24 de agosto, em 14 unidades do Sesc e seis espaços públicos na capital paulista.
Os acrobatas idosos são da companhia Circumstances, da Bélgica, e desafiam clichês sobre a vetustez.
“Eles têm a história arquivada no corpo. O pânico de errar faz secção do processo, mas já não é um grande problema. O treinamento é quotidiano e recreativo”, afirma o diretor Piet Van Dycke.
Pular corda e distrair de pega-pega são atividades que fazem secção do aquecimento da trupe, que aposta na improvisação e na pesquisa de movimentos.
A passagem do tempo também aparece em “Vetus Venustas”, da Cia Ciclicus, da Espanha, com uma trama com objetos e artistas abandonados em um arrecadação de artes e ofícios quando não são mais considerados produtivos.
Com idades entre 67 e 80 anos, três artistas se rebelam e criam uma relação de cumplicidade com profissionais mais jovens. Os conflitos surgem e são superados em números aéreos, malabarismo, malabarismo, prestidigitação e dança. A montagem conta com uma filarmónica ao vivo.
O festival, um grande encontro sobre a produção circense atual, conta com 40 espetáculos, reúne artistas de nove estados brasileiros e 21 países.
Uma das atrações nacionais, “A Maçã”, do mágico William Sevens, de São Paulo, reflete sobre os efeitos da doença de Alzheimer na vida de pacientes e familiares. Alterações súbitas de memória e comportamento e dificuldade de realizar tarefas cotidianas aparecem, de forma lúdica, nas apresentações.
Seven interpreta o mágico Nicolau Souberdes, que já foi aclamado e agora, longínquo dos palcos, vive episódios de desorientação.
“Mais do que entreter, é fundamental promover a conscientização sobre a premência de medidas preventivas para essa enfermidade, que ainda não possui trato, além de incentivar o progressão da ciência e oferecer suporte aos que já convivem com ela”, diz.
Além do envelhecimento dos artistas, a memória também aparece em apresentações, uma vez que é o caso de “Mina – Corpo Plebe”, uma homenagem à historiadora Ermínia Silva (1954–2023), pesquisadora e autora dos livros “Circo-Teatro: Benjamim de Oliveira e a Teatralidade Circense no Brasil” e “Venerável Público…O Circo em Cena”, oriente em parceria com Luiz Alberto de Abreu.
Considerada a maior referência em pesquisas sobre o circo no Brasil, Silva fazia secção da quarta geração de uma família circense e levou o tema para a liceu. Ela morreu em março do ano pretérito, aos 70 anos.
Outro meneio à história é um passeio a pé, transportado pelo Grupo Esparrama, até o Núcleo de Memória do Circo, no Largo do Paissandu, onde o Moca dos Artistas reunia profissionais e empresários circenses nas segundas-feiras.
Foi ali também que as companhias Irmãos Queirolo e Alcebíades & Seyssel, que tinham o palhaço Piolin uma vez que atração, mobilizaram São Paulo na dez de 1920, atraindo grande público para a região medial.
O rodeio será realizado na segunda-feira (11), a partir das 13h30. Começará em frente às futuras instalações do Sesc Galeria, na terreiro Ramos de Azevedo, seguirá pelas ruas Barão de Itapetininga e 24 de Maio até o Núcleo de Memória do Circo, na Galeria Olido, com visitante educativa e apresentação do espetáculo “A Mariposa”.
Entre as atrações do festival há uma homenagem ao legado de Chico Science (1966-1997), com “Circo Science – Do Mangue ao Picadeiro”, da Trupe Circus, de Pernambuco, formado por jovens oriundos da Escola Pernambucana de Circo, uma das mais antigas do Brasil
Já o grupo Palhaços Sem Fronteiras leva ao picadeiro, com “Memorável: Histórias Notáveis”, a experiência de apresentações de números circenses em áreas de conflito, uma vez que acampamentos de refugiados, guerras, desastres ambientais e espaços de exclusão social.
A orifício do festival, nesta sexta (8), no Sesc Vila Mariana, terá apresentação do grupo sul-africano Zip Zap Circus, com o espetáculo “Moya”, em que Jacobus Claassen, sabido uma vez que Trompie, conta sua história nas ruas da Cidade do Cabo até encontrar uma escola de circo.
