Filme interrompido por tragédia no rs encerra festival 20/09/2025

Filme interrompido por tragédia no RS encerra festival – 20/09/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Uma mulher olha para a janela e lamenta. “É muito estranho ver a cidade no escuro”, diz, com um visível sotaque sulista, a personagem do filme gaúcho “Horizonte Horizonte”, filmado em Porto Prazenteiro. Naquela história futurista, uma enchente atinge a cidade fictícia.

No dia seguinte, fora de cena, o meio da capital gaúcha estava tomado pelo breu e todo inundado. Era maio do ano pretérito, data da tragédia que inundou o Rio Grande do Sul e atingiu milhões de pessoas.

O longa-metragem de Davi Pretto fechou a mostra competitiva do 58º Festival de Brasília do Cinema Brasílico, nesta sexta (19), e preencheu a sala do Cine Brasília com a cor vermelha, o som de sintetizadores e um clima de melancolia.

Desde a concepção do roteiro, nos idos de 2020, estava resolvido que haveria uma enchente naquela história. As gravações começaram entre abril e maio de 2024 e era uma chuvarada que não parava. Naquela profundeza, as águas do rio Guaíba já ameaçavam tomar conta da cidade.

O décimo dia de gravação teve de ser interrompido, já que a enchente tinha inviabilizado os sets de filmagem. Algumas locações não chegaram nunca mais a ser revisitadas pela equipe, pois o estrago causado foi de rabo longa.

“Horizonte Horizonte” traz um protagonista que não sabe o seu nome. O varão desmemoriado acorda na superfície pobre de uma cidade brasileira agredido de uma novidade síndrome neurológica. Nesta periferia, todos sonham em estar na secção rica da cidade, inacessível para quem não é de lá.

Nascente é um horizonte próximo, marcado pelo progressão da perceptibilidade sintético, pela precarização do trabalho e pela radicalização das desigualdades sociais.

“É um filme que não tenta fazer profecia, não tenta prognosticar horizonte nenhum, ele tenta especular”, diz o diretor, que buscou abordar temas porquê tecnologia, cidades, relações de trabalho e imagens.

De certa forma, porém, o filme gaúcho acaba especulando um horizonte próximo de uma maneira mais drástica e num projecto menos conceitual do que os realizadores imaginavam.

“Foi uma coincidência muito trágica”, diz a produtora Paola Wink. Apesar de ser traumático e da decisão de não colocar imagens da enchente real no filme, “não tinha porquê tirar a enchente da história”

Antes da exibição do filme, o diretor Davi Pretto descreveu sua obra. “É um filme estranho, meio que o oposto de uma ficção científica”, disse.

“A gente gosta de pensar que esse filme pensa o horizonte porquê uma sombra que se projeta no presente”, diz Pretto. “Fala muito sobre o tramontana das nossas cidades, da tecnologia, o tramontana das nossas imagens. Portanto eu queria destinar a todo mundo que luta para que o VoD [vídeo sob demanda] seja, em qualquer dia, e a gente espera que seja amanhã, regularizado nesse país.

Nesta última noite da mostra competitiva do evento, a escolha dos filmes foi menos óbvia.

Nas noites anteriores havia uma temática generalidade que unia o conjunto de filmes de cada sessão —LGBTQIA+, mulheres, conflitos de terreno, a periferia, o Nordeste— cada um desses temas representando diferentes fronts das chamadas guerras culturais que inundaram o Brasil na última dezena.

O tema que uniu os três filmes de sexta, porém, foi mais etéreo. De uma forma ou de outra, eles falam de ruína —de um patrimônio histórico, de uma moradia de família, da memória, de sonhos, do mundo.

Dois curtas abriram a última noite da mostra competitiva. “Replika”, de Piratá Waurá e Heloisa Passos, narra o dilema enfrentado por um povo do Xingu diante de um lugar sagrado que está fora da suplente indígena. Com uma história sobre memória, tradição e espiritualidade, o filme coloca o testemunha de frente para temas urgentes, porquê a demarcação de terras indígenas, por meio de outra perspectiva.

Já o curta brasiliense “Lume Precipício”, de Roni Sousa, traz um relato em primeira pessoa sobre a relação com a cidade onde cresceu, na periferia de Brasília, a mãe, o pai e os medos de cada um deles. A partir de fotos de família, o diretor revisita sua puerícia e apresenta sua moradia.

Na noite anterior, nesta quinta (18), também se fugiu da categorização calcada nas tais pautas de costumes e se voltou para o gênero. O conjunto das obras exibidas se volta para filmes de violação. O curta “Ajude os Menor” é um faroeste alagoano em preto e branco, que narra o conflito entre pedreiros e um engenheiro numa construção.

Já o longa “Assalto à Brasileira”, de José Eduardo Belmonte, retrata de forma cômica o assalto a uma escritório do banco Banestado em Londrina, no Paraná, em 1987. É o filme com mais apelo mercantil da mostra, com nomes porquê Murilo Benício, Christian Malheiros, Robson Nunes e Paulo Miklos no elenco.

Folha

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