Filme observa o Drauzio Varella médico e o maratonista

Filme observa o Drauzio Varella médico e o maratonista – 15/11/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Aos 82 anos, o médico, jornalista, comunicante, voluntário em presídios e maratonista Drauzio Varella agora se torna protagonista de sua própria história no documentário “A Vida É uma Maratona”, que estreia nesta segunda (17), às 17h, em seu via no YouTube.

Dirigido por Jeff Peixoto, Michel Souza e Thais Roque e produzido pela Júpiter Teor em Movimento, o filme é um projeto do YouTube em parceria com o Google e faz um paralelo entre a trajetória pessoal do também colunista da Folha e as maratonas que ele corre.

O longa acompanha o médico desde a puerícia no bairro operário do Brás, zona leste de São Paulo, até sua última maratona, em Berlim, em setembro deste ano. Pela primeira vez, ele não completou o trajectória por razão de uma dor na coxa e na perna.

Ao revisitar o bairro onde cresceu, Drauzio conta que pouco restou daquele Brás de sua puerícia, mas uma imagem resistiu ao tempo. A frente da antiga fábrica que ficava em frente à sua vivenda continua de pé.

“Eu olhei para aquele pórtico e vi, aquele menino magro, subindo nos ombros dos amigos para pegar a esfera no telhado. Foi a única recordação concreta que sobrou”, diz o médico.

Ele afirma, no entanto, não ser apegado a nostalgias. “O pretérito é um editor muito habilidoso. Ele vai cortando o que não interessa e o que te provocou sofrimento. Sobram as boas lembranças.”

No documentário, Drauzio reflete sobre os principais marcos da sua jornada médica, porquê sua atuação na espaço oncológica, o atendimento de pacientes com Aids e o trabalho voluntário em presídios.

O eixo meão do filme é sua relação com a corrida, iniciada aos 50 anos e mantida com rigor até hoje. “Eu entendi que se quisesse envelhecer muito, tinha que ter uma atividade física desse tipo. E depois percebi que tinha uma genética apropriada para passar maratona.”

Ao longo de mais de três décadas, completou “25 ou 26 maratonas, não tenho certeza”, além de invadir em 2022 a cobiçada medalha Six Majors, quando finalizou a maratona de Londres aos 79 anos.

A disciplina exigida pelos treinos, diz ele, moldou mais que sua vida esportiva. “A maratona exige um longo processo de treinamento, disciplina, persistência. Você tem que confiar que aquilo é importante. Na minha vida também é assim.”

O deserção da maratona de Berlim revelou outra classe dessa relação: o reconhecimento dos limites. “Quando cheguei no quilômetro 30, a dor começou a incomodar. Falei: ‘mais sensato eu parar’. Depois pensei ‘também não tá mal passar 30 quilômetros aos 82 anos’.”

Mesmo diante da frustração, ele não cogita desistir: “Parar de passar eu não quero. Enquanto for verosímil, nem que seja dez, cinco, três, um quilômetro, eu vou continuar.”

O médico acha originário que sua experiência inspire outras pessoas, embora não corra pensando nisso. “Tem um efeito pedagógico: se um varão de 82 anos corre, outros percebem que também podem.”

Drauzio rejeita a teoria de que envelhecer signifique recolhimento ou limitação. Continua viajando para gravações e projetos, sobe e desce escadas porquê secção da rotina e embarca agora em novos trabalhos, porquê um filme sobre agentes comunitários de saúde. “As pessoas mais importantes do SUS”, diz.

No documentário, ele lembra que muitos dos seus amigos da puerícia deixaram a escola para trabalhar nas fábricas, e atribui ao pai, o contador José Varella, a chance de continuar os estudos. “Meu pai dizia que os filhos dele iam entrar na universidade.”

Drauzio afirma que essa consciência de privilégio sempre o guiou e lhe trouxe uma responsabilidade: propalar conhecimento para quem não teve as mesmas oportunidades. Ao longo de 26 anos na TV Mundo e com o alcance atual do YouTube, tornou-se o médico brasílico com maior presença nos meios de informação.

Sobre seus próximos quilômetros de vida, mantém a serenidade de quem já encarou o termo de perto, quando teve febre amarela aos 61 anos. “Achei que ia morrer e pensei: ‘até cá, fiz tudo o que queria ter feito’. Hoje penso a mesma coisa. Quero fazer muitas coisas, mas serão uma ininterrupção do que já fiz.”

Recatado em relação à vida pessoal, Drauzio diz que resistiu inicialmente à teoria do documentário com receio de que virasse um festival de elogios. “Quando vejo esse tipo de coisa nos outros, fico meio desgostoso. Mas me garantiram que não fizeram isso.” Até a última sexta (14), ele ainda não havia visto o filme.

O longa traz depoimentos de amigos e familiares, porquê a mulher, a atriz Regina Braga, as filhas Mariana e Letícia, e a mana mais velha do médico, Maria Helena. “O Drauzio é a mesma pessoa teimosa que sempre foi na vida”, entrega a primogênita.

Se pudesse falar alguma coisa ao menino pobre que corria livre pelas ruas do Brás na dez de 1940, ele diz que seria direto: “Aproveita muito essa tempo. Zero substitui a liberdade que você tem hoje.”

Folha

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