Filmes abordam a morte de formas diferentes em gramado

Filmes abordam a morte de formas diferentes em Gramado – 21/08/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

A coprodução brasileira, portuguesa e espanhola “Sonhar com Leões”, do português Paolo Marinou-Blanco, foi o quarto filme a ser exibido, na noite desta quarta (20), entre os seis da competição de longas-metragens de ficção no 53º Festival de Cinema de Gramado.

Estrelada por Denise Rochedo, estamos diante de uma tragicomédia sobre a eutanásia e o suicídio presenciado. Ela faz o papel de Gilda, uma imigrante brasileira vivendo em Lisboa e que chegou ao termo da risco. Com uma doença terminal e somente um ano de vida pela frente, seu único libido é morrer enquanto ainda é ela mesma, ainda tem sua pundonor e sem dor.

O filme trabalha no tom do humor preto e com quebra da quarta parede, com Denise sempre saindo de seu papel para conversar direto com o testemunha. E não se furta a exibir diversas tentativas de suicídio da personagem, com arma de queima, com faca, com remédios etc.

“Quando eu li o roteiro”, disse Denise, na entrevista coletiva na manhã desta quinta. “falei ‘gente, quem é essa pessoa que escreve isso?’ Eu quis logo conversar com o Paulo, eu tinha a questão toda do recta de morrer. Eu também tinha minha mãe em decadência física. Minha mãe sempre falou que as pessoas deveriam ter o recta de ter a pundonor no termo.”

“Minha inspiração veio de um momento familiar muito difícil, que foi a morte do meu pai”, afirmou Paolo Marinou-Blanco, que escreveu o roteiro e dirigiu a obra. “Acho que eu não estava pronto para falar aprofundar e submergir nessa dor para tirar alguma coisa de positivo e de inspirador para os outros. Logo, a abordagem foi meramente cômica só. Ignorei o lado trágico da coisa.”

Diferentemente das coproduções que somente utilizam quantia de vários lugares para fechar o orçamento, essa de vestimenta usa atores dos três países e viaja entre Portugal e Espanha para as locações. O ator português João Nunes Monteiro, por exemplo, é o par de Denise na maior secção da história.

O título do filme remete a uma passagem do livro “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway, no qual o velho sente seus poucos momentos de sossego quando lembra de um grupo de leões que viu na puerícia.

Já na noite de terça, a vez foi de outro competidor, “A Natureza das Coisas Invisíveis”, da estreante Rafaela Camelo. É um filme sobre morte mas, curiosamente, levado por duas atrizes mirins, Serena e Laura Brandão.

Elas interpretam meninas de 10 anos que se conhecem num hospital de Brasília. Glória está lá porque está em tratamento e também porque entrou em férias e sua mãe, que trabalha no hospital, não tem com quem deixá-la.

Já Sofia tem a bisavó, que está em vias de suportar das consequências do mal de Alzheimer, internada em seguida suportar uma queda. O elenco é completado por Larissa Mauro, Camila Márdila e Aline Marta Maia.

Na metade do filme, a mudança para uma granja no interno de Goiás será o mecha para o envolvimento de benzedeiras e a revelação de um sigilo sobre a morte do irmão de Sofia.

“Era um libido meu fazer um filme que fosse sobre morte, mas também que fosse sobre paixão. Justamente para não ter um tom muito duro. Logo, foi muito importante para mim falar sobre uma amizade, uma amizade de meninas nascendo”, disse a diretora, na entrevista coletiva na manhã desta quarta.

O duelo de trabalhar com crianças já era esperado por Rafaela Camelo. “Deu muito trabalho para poder chegar num nível de simplicidade que parece genuíno mesmo, de crianças se conhecendo”, afirmou.

Já as meninas divertiram os jornalistas sobre os problemas que enfrentaram no set. “Pode falar a verdade?”, perguntou Serena. “Aconteceram muitas brigas entre eu e a Laura. Só um pormenor. Por exemplo, quem ia permanecer com o quartzo mais bonito. Ela ficou”, revelou a atriz.

Laura Brandão deu mais detalhes sobre esses momentos difíceis: “Era tipo ‘ai, eu quero recrear de ter uma casinha’. Aí ela dizia ‘eu quero recrear de ser vampira’. Aí a gente tinha um conflito, ali, gigante por conta de casinha ou vampira. Logo, a minha relação com a Serena sempre foi assim, daquelas irmãs que brigam, mas no fundo se patroa, sabe?”

Rafaela Camelo também comentou sobre o vestimenta de “A Natureza das Coisas Invisíveis” ser o segundo filme do festival a possuir um elenco somente feminino —ainda que, em “Nó”, os homens eram nefastos e sequer apareciam na tela, enquanto cá, dois homens aparecem de forma positiva, emanando paixão.

“Eu me considero feminista, mas entendo que o feminismo não pode descartar que a forma com que o patriarcado nos assola, ele assola os homens. É cruel em muitos momentos.”

O jornalista viajou a invitação do Festival de Gramado

Folha

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