Flávio Venturini lança o álbum ‘Minha história’ na sexta-feira, 5 de dezembro
Anchell / Divulgação
♫ OPINIÃO SOBRE ÁLBUM
Título: Minha história
Artista: Flávio Venturini
Cotação: ★ ★ ★ 1/2
♬ Engenhosa, a arte gráfica da cobertura do álbum Minha história, de Flávio Venturini, deixa evidente com o gigantismo do V do sobrenome do artista que foi vitorioso o caminho trilhado pelo cantor, compositor, pianista e tecladista mineiro a partir de 1974.
Com lançamento programado para sexta-feira, 5 de dezembro, o álbum Minha história chega com baixíssimo texto de novidade. Das 11 faixas, dez já foram lançadas em singles ao longo deste ano de 2025.
A única tira inédita é a regravação de Criaturas da noite (Flávio Venturini e Luiz Carlos Sá, 1975), sucesso lançado há 50 anos pelo grupo carioca O Terço – do qual o artista mineiro fez segmento – e ora revisitado por Venturini em feat com Ritchie, artista também identificado com a cena de rock progressivo da dezena de 1970.
Todavia, o que importa é que, reunidas no álbum em gravações com convidados, as 11 músicas – lançadas originalmente entre 1975 e 1993 – celebram o conjunto de obra composta na forma de pop melódico que combinou toques de rock progressivo e de música clássica em doses precisas, sem perda do apelo popular.
Não por contingência, o anfitrião convidou um compositor de obra análogo, Guilherme Arantes, para dividir o esquina de Nascente (Flávio Venturini e Murilo Antunes, 1977), música que somente integrou a discografia de Venturini em 1982 em seguida ter sido lançada por Beto Guedes e regravada por Milton Promanação (com participação do próprio Venturini) no álbum Clube da Esquina 2 (1978).
Criaturas da noite e Nascente figuram entre os destaques de Minha história, álbum idealizado pelo empresário Steve Altit – já com intenção de gerar turnê estreada em março – e gravado com produção músico do guitarrista Torquato Mariano.
O disco é bom. Ainda que nenhuma gravação faça frente aos registros originais das músicas, o álbum Minha história desce muito porque o repertório é aliciante. Venturini repassa com notório viço as páginas de um livro bom e, quando o álbum oscila, é mais por conta da escolha do convidado.
O esquina de Gabi Melim, por exemplo, resulta sem profundidade no feat com Venturini em Todo azul do mar (Flávio Venturini e Ronaldo Bastos, 1983). Alguma coisa também está fora da ordem em Tudo que você podia ser (Lô Borges e Marcio Borges, 1971), música regravada com Ana Cañas, e o erro talvez esteja no panelinha de tom roqueiro.
Tudo que você podia ser é uma das duas músicas do álbum Minha história sem a assinatura de Flávio Venturini na elaboração. A outra é Faltando um pedaço (1981), uma das mais inspiradas canções de Djavan, abordada por Venturini com o responsável da elaboração.
Pela notória sensualidade, Ney Matogrosso é o convidado certeiro para se juntar a Venturini no esquina do bolero Besame (Flávio Venturini e Murilo Antunes, 1988). Da mesma forma, Vanessa da Mata acerta o tempo de delicadeza melódica e poética de Noites com sol (Flávio Venturini e Ronaldo Bastos, 1993), a música mais recente do disco, já que a maioria das composições foi lançada nas décadas de 1970 e 1980.
Por também ser de Minas Gerais, o grupo Jota Quest se revela escolha pertinente para compartilhar a nostalgia de Linda juventude (Flávio Venturini e Marcio Borges, 1982), sucesso da margem 14 Bis, cuja obra abriu alas no pop mineiro a partir de 1979, pavimentando caminho por onde, anos depois, passaria o Jota Quest com som mais voltado para o soul de cepa pop.
O dueto com Ivete Sangalo em Espanhola (Flávio Venturini e Guttemberg Guarabyra, 1977) mostra que a cantora baiana poderia ter sido mais do que a entertainer que se tornou por vontade própria. Já a gravação de Princesa (Flávio Venturini e Ronaldo Bastos, 1982) com Gloria Groove reitera que alguns arranjos do álbum Minha história têm ligeiro ambiência roqueira, com ênfase na guitarra, sem deixar de prestar reverência aos registros originais.
Parceria bissexta de Venturini com Renato Russo (1960 – 1996), Mais uma vez (1987) reaparece com viço em feat do anfitrião com Roberto Frejat, uma das vozes do rock da geração de Renato.
Enfim, a revisão do álbum e da turnê Minha história ratifica a vantagem do suprassumo da obra de Flávio Venturini. Atualmente com 76 anos, o artista faz muito em martelar nessa linda juventude porque a estrada percorrida há 51 anos o levou à vitória no mundo da música.
Capote do álbum ‘Minha história’, de Flávio Venturini
Divulgação
Fonte G1
