Folha indica os melhores discos de 2025; veja a lista

Folha indica os melhores discos de 2025; veja a lista – 25/12/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

O ano de 2025 na música foi marcado por nomes uma vez que Bad Bunny e Rosalía desbancando a música anglófona, que em universal domina a indústria tanto nos números quanto na preferência da sátira. No Brasil, se destacaram artistas novos e veteranos, nomes conhecidos e outros menos falados.

A Folha convidou sete profissionais especializados em música para listar os cinco melhores álbuns que ouviram levante ano. O resultado é uma seleção diversificada, que transita pelo pop, tecnobrega, funk, rap, rock, música clássica e MPB, entre outros estilos.

Confira a lista completa aquém.

Amanda Cavalcanti

Jornalista especializada em música

Novo Testamento

Ajulistacosta. Gravadora: Independente

Levante não somente foi o ano em que a rapper de Mogi das Cruzes Ajuliacosta caiu nas graças do pop brasílico, colaborando com Duda Beat e Ludmilla, mas também foi o ano em que ela lançou seu trabalho mais impactante até cá. “Novo Testamento” é exatamente o que o nome sugere: apesar da influência de medalhões do rap vernáculo, com beats no estilo boom bap e parcerias com KL Jay e Nave Beatz, Julia reescreve as regras do gênero neste disco que é tanto um história pessoal quanto um manifesto público.

Debí Tirar Más Fotos

Bad Bunny. Gravadora: Rimas Entertainment

De 5 de janeiro para frente, o ano foi dele. É difícil descobrir alguma coisa para expor sobre “Debí Tirar Más Fotos” que ainda não tenha sido dito, mas é mais difícil ainda encontrar um disco que tenha sido mais influente, inspirador e dançante do que a história de Bad Bunny e seu reencontro com sua terreno natal, Porto Rico. Na antecipação de sua primeira passagem pelo Brasil, que vai intercorrer em fevereiro, o disco soa ainda mais bonito.

Rock Doido

Gaby Amarantos. Gravadora: Deck

Quem acha que o hyperpop nasceu em Londres certamente nunca foi a Belém. O ritmo de sensibilidade pop, que leva nome de rock mas na verdade é brega, é o objeto de estudo de Gaby Amarantos nessas 22 faixas que se atropelam uma vez que num set de aparelhagem paraense. De quebra, ainda carrega as melodias mais chicletes de 2025.

Sem Esperança

Deaf Kids e Test. Gravadora: Cospe Queimação Gravações

Numa colaboração que já vinha borbulhando há anos, os quatro músicos comemoram os 15 anos de suas bandas fundamentais para o metal e noise brasílico da última dezena. São dez faixas que soam diretas, mas não retas. A percussão de Barata e Sarine brilha por cima das guitarras dissonantes e vocais enterrados, recriando em estúdio a atmosfera de improvisação dos shows que os músicos fazem em conjunto há anos.

Root Echoes

DJ Babatr. Gravadora: Hakuna Kulala

Se a cena de club music latina está explodindo dentro e fora do Brasil —com nomes uma vez que Nick León, Clementaum e Wost, só para reportar alguns dos artistas que tiveram destaque neste ano—, grande secção disso se deve ao venezuelano DJ Babatr. Um dos criadores do que veio a ser divulgado uma vez que “raptor house”, o artista, que começou em Caracas nos anos 2000, ficou longe da música por 14 anos até ser convidado por León a gravar a colaboração “Xtasis” em 2022. “Root Echoes” expande e resume sua paleta sonora de hard techno, tribal e trance, que encontra reflexões em pistas por todo o mundo —da rave paulistana Mamba Negra aos festivais internacionais uma vez que Sónar e Unsound.


André Barcinski

Jornalista, crítico e roteirista

Death Hilarious

Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs. Gravadora: Rocket Recordings

Imagine o Melvins fazendo covers do Emerson Lake & Palmer, com passagens quebradas uma vez que o Gang of Four. Denso, homérico e viajante. Essa orquestra inglesa é tudo que o Idles almeja ser.

It Was the Moment

Michelle Gurevich. Gravadora: Independente

Gurevich é uma crooner do submundo ao estilo de Tom Waits, Leonard Cohen e Marianne Faithfull, fazendo uma música de cabaré extremamente erótica e misteriosa. Acho incrível que ela não seja mais falada por aí.

Instant Holograms on Metal Film

Stereolab. Gravadora: Warp Records

O 11º disco, primeiro em 15 anos, dessa orquestra única liderada pelo britânico Tim Gane (guitarra) e pela francesa Laetitia Sadier (vocais, teclados). Zero mudou no planeta Stereolab, que continua entortando o pop gálico dos anos 60, a bossa novidade e os ritmos repetitivos do krautrock do Neu, criando um som que é só deles.

Po$t American

Dead Pioneers. Gravadora: Independente

Projeto músico de Gregg Deal —pintor, estatuário, grafiteiro, artista performático—, que vem marcando seu nome por trabalhos fortes e impactantes sobre a experiência indígena nos Estados Unidos. Dead Pioneers resgata o hardcore político do Dead Kennedys e o pós-punk torto do Minutemen. Um discaço.

The Bad Fire

Mogwai. Gravadora: Rock Action Records

O 11º LP do grupo veterano grupo escocês de post-rock que continua sua incansável missão de fazer música linda e sem letras, explorando camadas em cima de camadas de guitarras e teclados. Para os padrões do Mogwai, até que “The Bad Fire” é um disco muito mercantil.


Felipe Maia

Jornalista e etnomusicólogo

Bruxaria Não É Phonk

Halc DJ. Gravadora: Hino dos Bailes

O funk de rua de São Paulo há alguns anos têm sido uma das bússolas da música eletrônica mundial. Na capital, o gênero se renova nas favelas, pequenos estúdios e celulares de artistas uma vez que Dayeh, D.silvestre, RD da DZ7 e LK da VB. Halc DJ é um desses nomes. Em seu disco, ele une com originalidade a potência sonora da zonas oeste e sul, de bailes uma vez que DZ7 e Helipa, à audácia rítmica das zonas leste e setentrião, caso dos bailes da Caixa d’Chuva, Marcone e 12 do Cinga. Muitas dessas festas têm sido intuito de uma repressão solene movida a pânico moral e demagogia, a chamada “CPI dos Pancadões”. Pena para eles. Apesar de sufocado, o funk segue vivo.

Horizonte Cercano

Valesuchi. Gravadora: Discos Nutabe

Música feita com barulhos, sintetizadores, senóides, fios, cabos, tomadas, vigor elétrica de amperagem e voltagem. Em seu segundo disco, a produtora e DJ Valesuchi procura as formas mais prístinas do fazer músico eletrônico para nos mostrar um amanhã. É um horizonte próximo, palpável, uma opção à perceptibilidade sintético tosca, ao “type-beat” pastiche, à música básica incensada uma vez que revolucionária pela confederação de indústria e redes sociais. Em faixas que vão do apoteótico jogo de arpejos de “G” ao funk minimalista “Fortune”, a artista subjuga a máquina para invitar o humano a dançar.

Debí Tirar Más Fotos

Bad Bunny. Gravadora: Rimas Entertainment

Em 2022, esta lista já dava Bad Bunny uma vez que um dos nomes do ano. Em 2025, ele o faz de novo. Benito abraçou o mundo a partir de sua pequena ilhéu em “Debí Tirar Más Fotos”. O disco é mais que latino —é caribenho. É no interceptação isolar que tanto deu à música que o artista conquistou o planeta. Lançando mão de um rico léxico de claves, líricas e harmonias —salsa, plena, petardo—, ele transforma o reggaeton em pop multíplice e indefectível. Demorou a pegar por cá, e seu sucesso nos Estados Unidos —para o terror de Donald Trump— colaborou. Mas agora não tem jeito, o coelho mau vem em 2026. Quem falava de uma tal barreira linguística queimou a língua.

Paixão de Encava

Weed420. Gravadora: Independente

“Essa é a internet, eu sou seu guia.” A frase é um meme alguma coisa datado, mas não menos futurista —ao menos nas mãos dos jovens do Weed420. Desterrados do seu próprio país, a Venezuela, os artistas do grupo imaginam um mundo de música latino-americana entre onirismo do dedo e paisagens sonoras ruidosas. A bordo de uma “encava”, ônibus que circulam por cidades venezuelanas, eles viajavam entre joropos e vallenatos, músicas bregas e populares, e juntam as sucatas de baterias de jungle, locuções de rádio, buzinaços e até qualquer funk. É uma vez que ouvir um novo Akira, dessa vez nascido em uma neo-Caracas, em um jornada do tipo “Diários de Motocicleta” rumo às vísceras da América do Sul.

Melodia&Fragor

Mauí. Gravadora: Deck

Brasil e Jamaica há décadas tecem uma frondosa malha músico, seja no roda do Recôncavo que vai de Catarata a Salvador, seja nas radiolas ludovicenses e nos sistemas de som do interno do Maranhão, entre outros. Mauí, carioca de Duque de Caxias, nos apresenta outra dessas trilhas em “Melodia&Fragor” —é a via da melodia e da rima brasileiras com dancehall, drum’n’bass, reggae, uma triangulação que ecoa tanto a ilhéu quanto sua diáspora em Londres. Coligado a beatmakers e DJs que vêm definindo a novíssima música eletrônica brasileira —nomes uma vez que Taleko, Linguini, Jacquelone, Chediak— e toasters (MCs) nacionais uma vez que Kabrum e Afrodite Bxd, o jovem de voz de veludo e caneta de historiador faz na sua estreia um disco verdejante, amarelo e preto.


Guilherme Luís

Jornalista da Folha

Lux

Rosalía. Gravadora: Columbia Records

Com Rosalía, o relâmpago cai no mesmo lugar uma, duas, quantas vezes forem necessárias. Seu “Lux” é apoteótico mas singelo, tudo na medida certa, uma verdadeira luz na mesmice que vinha se alastrando pelo ano.

Ego Death at a Bachelorette Party

Hayley WIlliams. Gravadora: Post Atlantic

Difícil imaginar que a vocalista do Paramore se sairia melhor fora da orquestra. Mas foi isso mesmo. Seu terceiro disco solo é melhor que os últimos que ela lançou com o grupo, seu trabalho mais íntimo até logo, uma união poética e muito muito produzida dos seus traumas juvenis e dos dramas de mulher adulta.

Something Beautiful

Miley Cyrus. Gravadora: Columbia Records

A maior diva pop lançada pela Disney chega ao seu auge justamente ao se alongar do pop plastificado que fez —muito muito— no megahit “Flowers”, há dois anos. Cá, Miley eleva sua eterna vontade de testar, e apresenta um disco dançante, muito escrito, e superelegante.

Mayhem

Lady Gaga. Gravadora: Interscope Records

Não é o melhor disco de Gaga, mas é a forma mais precisa de resgatar o melhor que ela já fez. Com ares de “Born This Way”, o “Mayhem” reempacota o seu dark pop dos anos 2010 com um toque de atualidade, umas boas batidas eletrônicas, e muita atitude no vocal.

Coisas Naturais

Marina Sena. Gravadora: Sony Music

Há anos Marina Sena domina o pop brasílico, e com o “Coisas Naturais” ela reafirma seu jeito único de fazer música fácil, mas muito pensada, com um texto poético, mas não cabeçudo. Destaque também para o “Marinada”, minidisco de verão que ela acaba de lançar.


Isabela Yu

Jornalista

Black Star

Amaraae. Gravadora: Golden Angel/Interscope Records

Dividida entre os Estados Unidos e Gana, a artista resgata a história da música de pista entre continentes, onde house, R&B e funk se entrelaçam em um multíplice mosaico sonoro. Na coprodução das músicas, ela contou com os brasileiros Deekapz, Maffalda e MU540, o espanhol El Guincho e mais uma porção de feats —entre eles Bree Runway e PinkPantheress.

KM2

Ebony. Gravadora: Independente/Altafonte

Menos pop que o predecessor, “Terapia”, de 2023, o trabalho leva a rapper de volta pra morada —não à toa o nome, sobrenome da cidade de Queimados, na Baixada Fluminense. Nas faixas, a artista versa sobre saúde mental, divide inseguranças e reflete sobre as angústias da vida.

Rock Doido

Gaby Amarantos. Gravadora: Deck

Com um cardápio vasto de bordões nas letras —de mandar foguinho pro crush a botar a blusa cropped pra jogo—, o álbum leva o espírito dançante e irreverente das aparelhagens. Nas músicas, a cantora une diferentes gerações da música eletrônica paraense —Gang do Eletro, Viviane Batidão, DJ Méury e Baby Plus Size.

Big Buraco

Jadsa. Gravadora: Risco/Altafonte

O segundo álbum da compositora baiana traz uma rica paleta sonora —em “Sol na Pele”, por exemplo, o groove do reles se alterna com scratches, tudo isso enquanto ela canta sobre paixão e faz referência a Caetano Veloso e Olodum. Por cá, a MPB de Jadsa bebe da vanguarda paulista, do hip hop e do jazz.

Moisturizer

Wet Leg. Gravadora: Domino Recording

Ao longo das músicas, a orquestra demonstra a força de se mostrar vulnerável. As ironias e referências à cultura pop, que fizeram o grupo invocar atenção na estreia, em 2022, ainda estão lá, mas há a segurança de quem sabe que ocupa uma posição de destaque na novidade geração do rock britânico —evidente, sem levar tudo isso muito a sério.


Sidney Molina

Crítico, professor e violonista

Os Guardiões da Magia

João Luiz. Gravadora: Rocinante

Lançado também em vinil, o álbum traz a produção recente do cubano Leo Brouwer, de 86 anos —o mais importante nome vivo da elaboração para violão— nas mãos do violonista brasílico João Luiz, a quem o compositor dedicou duas das obras gravadas.

Lux

Rosalía. Gravadora: Columbia Records

Imanência e transcendência trabalhadas com poderoso sentido autoral conduzem o pop experimental de Rosalía à maturidade plena. Atenção para os arranjos de Caroline Shaw e, evidente, para as participações de Carminho e Björk.

50 Ponteios de Camargo Guarnieri

Karin Fernandes. Gravadora: Selo Sesc

A pianista aborda com categoria a integral de um dos mais importantes ciclos brasileiros para o instrumento. Escritos entre 1931 e 1959, os “Ponteios” de Guarnieri são “prelúdios” artesanalmente elaborados, dignos de figurar ao lado de Chopin e Debussy.

Sinfonias nº 13 e nº14 de Claudio Santoro

Orquestra Filarmônica de Goiás dirigida por Neil Thomson. Gravadora: Naxos

A cada novo lançamento do projeto devotado à integral sinfônica do compositor amazonense pela Filarmônica de Goiás revela-se a qualidade deste que talvez tenha sido o mais importante sinfonista do país.

Lembrando Garoto

Cristóvão Bastos, Romero Lubambo e Mauro Senise. Gravadora: Biscoito Fino

Nos 70 anos da morte do genial compositor Anibal Augusto Sardinha, o Garoto, Cristóvão Bastos (piano), Romero Lubambo (violão e guitarra), Mauro Senise (sax e flauta) exploram o potencial de seus temas para a improvisação.


Thales de Menezes

Jornalista

From the Pyre

The Last Dinner Party. Gravadora: Universal Music

O quinteto feminino britânico não se contentou em gravar o melhor álbum de 2024, “Prelude to Ecstasy”, sua estreia. Já emendou logo o disco mais empolgante de 2025. “From the Pyre” é outro coquetel de pop sofisticado uma vez que seu predecessor, mas desta vez menos jovem. Se antes a vocalista Abigail Morris era o dínamo do Last Dinner Party, com a melhor voz roqueira em muitos anos, agora a guitarrista Emily Roberts toma realmente o controle sonoro. Só tem hit, uma vez que “Second Best”, “Woman Is a Tree” e “The Scythe”.

Again

The Belair Lip Bombs. Gravadora: Third Man Records

O segundo álbum da orquestra australiana saiu pelo selo criado por Jack White. É mais um acerto do ex-White Stripes, que leva para o resto do mundo o rock urgente do quarteto liderado pela vocalista e guitarrista Maisie Everett. Apesar do título do álbum remeter à repetição, o grupo avança bastante em relação ao trabalho de estreia, que já tinha feito fragor. Canções uma vez que “Hey You” e “Cinema” mostram que o rock está vivíssimo na Austrália com The Belair Lip Bombs.

Something Beautiful

Miley Cyrus. Gravadora: Columbia Records

A badalação é menor em relação ao novo e supervalorizado álbum de Taylor Swift, mas nesta temporada Miley Cyrus venceu a disputa fonográfica das divas. “Something Beautiful” é um dos álbuns pop mais muito feitos da história. Impressionante. Talvez demore qualquer tempo, muito tempo até, mas vai ser reconhecido uma vez que uma pérola pop. Não tem uma música ruim. Miley dispara sua voz rouca em baladas, canções que são quase rock e flertes com a disco music.

No Hard Feelings

The Beaches. Gravadora: AWAL

Demorou, mas, no terceiro álbum, o quarteto feminino canadense finalmente conseguiu levar ao estúdio a mistura criativa de rock, pop, fúria e deboche que já tinha transformado The Beaches num dos shows mais incendiários do planeta. E foi necessário um megahit, “Can I Call You in the Morning?”, para colocar a orquestra no topo sem que as garotas tivessem que transfixar mão de sua atitude safada e da militância lésbica que dominam as ótimas entrevistas do grupo.

Novo Rumo

Arnaldo Antunes. Gravadora: Rocinante/Três Selos

Passou a pandemia, veio o disco e a longa turnê com o pianista Vitor Araújo, e depois o reencontro dos Titãs em grandes arenas. Já estava na hora de Arnaldo Antunes fazer outro álbum solo bacana. E “Novo Rumo” aparece soando uma vez que um disco de orquestra, um disco de grupo de rock. Mas vai muito além, misturando pop, experimentalismos e até um flerte com samba. E tem participação de David Byrne, uma das fontes de inspiração de Arnaldo. Um álbum para ouvir cimeira.

Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *