Thomaz Bellucci, atualmente um ex-atleta de 37 anos, é o brasílico que obteve até hoje a segunda melhor posição na história do ranking masculino do tênis —detrás somente de Gustavo Kuerten, líder por 43 semanas de 2000 a 2001. O paulista atingiu a 21ª posição em 2010 e está perto de ser superado por João Fonseca, que, aos 19 anos, terminou a temporada 2025 na 24ª.
Para Bellucci, ranking à secção, o carioca já está em uma prateleira supra da sua. Ele aposta que o garoto já em 2026 será capaz de fazer frente aos grandes nomes do rotação da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais).
“Nível técnico ele já tem para isso, não tenho incerteza. Não o vejo mais aquém para enfrentar um [Carlos] Alcaraz, um [Jannik] Sinner ou o próprio [Novak] Djokovic”, afirmou o ex-tenista à Folha.
“Logicamente, esses jogadores ainda estão um patamar supra, mas aos poucos essa diferença vai diminuindo. O ano que vem será um ano de consolidação. Não vejo por que ele não conseguir enfrentar e até lucrar desses jogadores de topo”, disse.
No mês de dezembro, Fonseca deu uma breve modelo do que pode estar por vir. Durante um evento de exibição em Miami, dificultou para o espanhol Alcaraz. O número um do mundo venceu por 2 sets a 1, mas precisou do super tie-break de dez pontos, formato definido para o confronto —o carioca ainda chegou a transfixar 5 a 0 antes de tolerar a rota. Os dois voltarão a se enfrentar em dezembro de 2026, no Allianz Parque, em São Paulo.
Para Bellucci, ainda que em um cenário de exibição, muito dissemelhante do observado nas competições, foi o “batismo de queimada” do jovem. “Foi a primeira temporada completa que ele jogou nos maiores torneios do mundo, não é fácil. Ele é um garoto que está muito supra do normal, já passou o pior.”
A subida rápida, saindo do 112º lugar no início do ano para o top 25, é vista uma vez que um feito de rara compreensão do envolvente profissional. “Aos poucos, os outros jogadores vão entendendo uma vez que jogar contra ele. Isso virá junto ao sazão técnico, mental e físico.”
Essa escalada cumpriu uma profecia precisa do italiano Sinner, número dois do mundo, vencedor do Australian Open e do Torneio de Wimbledon neste ano, além do ATP Finals, torneio que reúne os oito melhores do mundo. Ainda em janeiro, ele apontou que João encerraria o ano entre os 25 melhores.
“O jogo dele evoluiu uma vez que um todo. Ele é um jogador completo, não tem muito buraco. Tem o tempo a seu obséquio para encontrar a maneira correta de usar suas ferramentas”, analisou Bellucci, que ainda destacou: a núcleo ofensiva deve ser intocável.
“É a velocidade com que ele consegue escadeirar na esfera que o diferencia. Tem um arsenal de golpes que poucos têm no rotação hoje em dia.”
Sobre o paisagem psicológico, a avaliação é mais cuidadosa. Bellucci já falou claramente sobre a depressão enfrentada na reta final da curso. Segundo ele, o período durou murado de cinco anos, tendo o seu auge em 2020.
O ponto crucial para a longevidade, segundo o ex-tenista, reside na saúde mental: “Hoje é um divisor de águas. Muitos atletas sucumbem porque não têm mais estrutura para manter a rotina, as cobranças e os medos”.
“Mentalmente, que talvez seja o mais difícil, ele já é um jogador praticamente pronto. Tem uma maturidade incrível para um garoto de 19 anos”, observou.
Bellucci fez um alerta sobre a gestão de expectativas, lembrando a própria trajetória, com o peso de ser o sucessor de Guga. “Eu também fui 21 do mundo jovem, mas a cobrança foi mais incisiva. A gente vive hoje uma carência de ídolos, e o João veio suprir isso.”
“O torcedor quer que ele seja número dez ou cinco para ontem. Essas quedas e oscilações são normais. Quanto mais jovem o jogador, mais presente isso é”, acrescentou o ex-jogador, lembrando o trabalho do entorno do desportista. “É preciso blindar o João para ele não se afetar pelas expectativas das pessoas e pelas críticas infundadas.”
Para Bellucci, o suporte emocional permitirá a Fonseca encontrar prazer na rotina do rotação e compreender naturalmente maiores feitos: “Não é só jogar muito, é encontrar a alegria de estar competindo nos maiores torneios do mundo”.
João Fonseca decidiu fechar o calendário solene de competições de 2025 de maneira antecipada para tratar de uma lombalgia. Optou por não proteger o título do ATP Next Gen Finals —competição que conquistou no término de 2024, que reúne os melhores jovens do rotação—, já mirando 2026, quando terá a obrigação de jogar pelo menos 13 grandes torneios, entre eles quatro Grand Slams e oito dos nove Masters 1000 do calendário.
