Fonseca tenta esquecer lesão e estreia no Australian Open

Fonseca tenta esquecer lesão e estreia no Australian Open – 16/01/2026 – Esporte

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O tenista João Fonseca, 19, inicia oficialmente neste termo de semana, contra o norte-americano Eliot Spizzirri (89º do ranking da ATP, a associação dos tenistas profissionais), a temporada 2026 sob a sombra de desconfianças por conta de um incômodo problema crônico na região lombar.

Atual 29º disposto do ranking, o brasílio terá o duelo de superar o período de inatividade justamente no Australian Open, torneio que o catapultou ao cenário internacional no ano pretérito. Ele estreou derrotando o russo Andrei Rublev, número 9 do mundo na ocasião.

A partida contra Spizzirri ainda terá seu horário confirmado pela organização, mas ocorrerá no segundo dia de disputas, a segunda-feira (19) da Austrália. Essa rodada terá início no horário de Brasília na noite de domingo (18), às 21h.

A brasileira Beatriz Haddad Maia já tem horário para a sua estreia: 21h (de Brasília) de sábado (17), contra a cazaque Yulia Putintseva. O torneio terá exibição da ESPN e de sua plataforma de “streaming”, a Disney+

No caso de João, segundo Luís Stival, “a grande incerteza é de uma vez que vai estar, tendo em vista que desistiu de dois torneios”. “A temporada técnica dele é muito boa, o potencial é gigantesco, e a projeção para o ano, melhor ainda. Acredito que brigará, no mínimo, por top 15 em 2026”, disse à Folha o comentarista da CazéTV e responsável pelo ducto de YouTube Tênis Além do Óbvio.

A lesão que colocou em risco até mesmo a participação de Fonseca no Grand Slam levou o jogador a desistir dos ATPs 250 de Brisbane e de Adelaide, também em solo australiano, além de ter provocado carência da lista de convocados para o duelo do Brasil contra o Canadá, pela Despensa Davis.

O problema chamado por especialistas de “poste retificada” não é novo para o desportista, detectado ainda quando ele era juvenil. Em entrevista recente, o tenista deu declarações que preocuparam torcedores, afirmando ter nascido com “um pouco nas costas” e que “às vezes a região fica mais rígida”.

“Todo jogador de cimeira rendimento tem lesões e leva o corpo ao limite o ano inteiro. No caso do João, o que me preocupa é o roupa de estrear em uma melhor de cinco sets, o corpo sempre fica muito dolorido. O lado bom é que o padrão de jogo dele precisa de menos ritmo do que outros tenistas, dos que são de consistência, porque tem potência, tem saque e consegue definir mais rapidamente os pontos”, afirmou Ricardo Accioly, o Pardal, ex-técnico de Fernando Meligeni e Marcelo Ríos.

Pardal ainda apontou o roupa de jogadores de cimeira rendimento possuírem maior resiliência para suportar dor, relembrando o último título conquistado por Pete Sampras em Wimbledon, em 2000.

“O fisioterapeuta de Sampras, meu colega pessoal, conta que ele estourou a panturrilha logo na segunda rodada. Mesmo assim, seguiu. Fazia os jogos e ficava off durante todo o tempo. Foi vencedor sem sequer fazer treinos leves”, recordou Accioly.

Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, João Fonseca disse estar sentindo-se de maneira melhor, mas citou a urgência de cuidados: “Preciso respeitar meu corpo e tomar a decisão certa porque tenho uma longa curso pela frente”.

“Acredito que, se está inscrito no Australian Open, seguramente tem 100% de condições de jogar o torneio. Caso contrário, a equipe dele, que é muito profissional, não se arriscaria”, disse Patrícia Medrado, ex-tenista, a brasileira com mais tempo no top 100 da WTA (a associação das tenistas profissionais).

“Não foi nenhuma pausa muito prolongada também. Hoje em dia, com muito fortalecimento, desvelo e, principalmente, uma boa gestão de curso, isso não vai atrapalhar. Há diversos exemplos de atletas com lesões crônicas, que conviveram com a dor: Novak Djokovic, Andy Murray, Del Potro… Mais antigamente houve o Stan Smith, que mudou seu estilo de saque por desculpa de um problema no cotovelo. A questão é fazer as melhores escolhas”, acrescentou Medrado.

Contendor da estreia, Spizzirri chegou recentemente ao top 100 e já cruzou o caminho de Fonseca em 2024. O norte-americano levou a melhor na ocasião, em jogo válido pela terceira rodada do “qualifying” do US Open –o americano venceu por 2 sets a 1: 7/6 (8), 6/7 (5) e 6/4.

Aos 24 anos, ele competiu em dois torneios nesta temporada. Em Brisbane, acabou eliminado ainda no “qualifying” pelo gaulês Quentin Halys. Em Auckland, teve vitórias relevantes sobre o prateado Juan Manuel Cerúndolo e o português Nuno Borges. Foi eliminado nas quartas pelo húngaro Fabian Marozsan.

“Spizzirri é um jogador estável, fisicamente muito poderoso. É o que chamamos de ‘pace absorber’, o opositor que sabe haurir impactos, que joga muito com o peso da globo que vem. Esse é um estilo de jogo com que o João não costuma ter dificuldades. Mas, uma vez que ele não está com tanto ritmo, se o jogo se impelir para o campo físico, poderá ser um problema”, analisou Stival.

Caso avance no torneio, Fonseca, cabeça de chave em um Slam pela primeira vez na curso, terá na segunda rodada o vencedor do jogo entre o italiano Luca Nardi (108º )e um jogador vindo do “qualifying”. Depois, poderá encontrar na terceira temporada o italiano Jannik Sinner, número dois do mundo.

“A possibilidade me assusta, mas o Sinner assusta qualquer um porque tem um nível estratosférico de tênis, é o atual bicampeão do torneio e está invicto. Por outro lado, é uma coisa que o João quer e deseja no intrínseco dele. O mundo do tênis pararia para presenciar”, disse Stival.

Em recente entrevista à Folha, o ex-tenista Thomaz Bellucci avaliou que Fonseca já possuía nível técnico para enfrentar nomes uma vez que Sinner, Djokovic e Carlos Alcaraz, contra quem jogou em dezembro durante um evento de exibição em Miami.

Bia Haddad estreia contra cazaque

A brasileira Beatriz Haddad Maia entrará em quadra logo na primeira leva de partidas da chave principal, às 21h (de Brasília) de sábado (17). Atual número 59ª do mundo, ela medirá forças com a cazaque Yulia Putintseva, 105ª do ranking. O jogo abre a programação da quadra 6.

Folha

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