Fonseca tieta federer, vibra com agassi e encanta rafter

Fonseca tieta Federer, vibra com Agassi e encanta Rafter – 21/09/2025 – Esporte

Esporte

João Fonseca experimentou, em nove dias, no que se refere ao mundo do tênis, a hostilidade e o ovação em algumas de suas versões mais estridentes. Xingado em Atenas e ovacionado em San Francisco, o brasiliano de 19 anos deu passos importantes na tentativa de se estabelecer uma vez que um dos principais nomes da modalidade.

No termo de semana dos dias 13 e 14, o carioca comandou o Brasil na vitória sobre a Grécia, pela Despensa Davis, diante de um público ensandecido no Estádio Olímpico de Atenas. Abraçou as provocações, procurou devolvê-las e fechou o confronto com uma grande vitória sobre Stefanos Tsitsipas, de 27 anos, ex-número 3 do mundo (e atual 27º).

Fonseca perdia o set decisivo por 5/3, mas se mostrou mais pronto do que o experiente rival na hora agá e levou a melhor por 2 sets a 1, parciais de 6/4, 3/6 e 7/5. “Joguei o meu melhor tênis nos momentos mais importantes. Foi uma partida superimportante, provavelmente uma das mais importantes que eu já joguei”, afirmou.

Do tênis competitivo João partiu para uma semana dissemelhante, de tênis festivo. A midiática Laver Cup, criada pelo craque suíço Roger Federer e pelo empresário brasiliano Jorge Paulo Lemann, não vale pontos no ranking mundial, mas um invitação para a competição representa prestígio no volta mundial.

A edição 2025 se deu no Chase Center, em San Francisco. Uma equipe formada por jogadores europeus enfrentou uma de atletas do restante do mundo, em disputa do tipo Passa ou Repassa. Realizadas de sexta (19) a domingo (21), as partidas tinham valor crescente no sistema de pontuação, de modo que a decisão do título ficasse para o último dia.

O resultado universal pouco importava, embora os membros dos dois lados afetassem grande comoção a cada ponto. Fonseca (42º do mundo) era integrante do Time Mundo, ao lado de Taylor Fritz (EUA, 5º), Alex de Minaur (AUS, 8º), Francisco Cerúndolo (ARG, 21º), Alex Michelsen (EUA, 32º) e Reilly Opelka (EUA, 62º).

Os técnicos dessa equipe eram o norte-americano Andre Agassi e o australiano Patrick Rafter. Do outro lado, no Time Europa, o galicismo Yannick Noah e o inglês Tim Henman comandavam Carlos Alcaraz (ESP, 1º), Alexander Zverev (ALE, 3º), Holger Rune (DIN, 11º), Casper Ruud (NOR, 12º), Jakub Mensik (TCH, 17º) e Flavio Cobolli (ITA, 25º).

“É um prazer estar com esses caras”, disse João, que foi escalado para uma partida. Inspirado, mostrou precisão nos golpes, sobretudo sua potente direita, e derrotou Flavio Cobolli por 2 sets a 0, parciais de 6/4 e 6/3. Mais do que exibir seu talento, viu-se secção de um grupo seleto, convivendo com os líderes do ranking e celebrando o triunfo com uma peitada em Agassi.

Jubilado em 2006, 12 dias em seguida o promanação de Fonseca, Agassi abraçou o garoto em San Francisco. Vibrou com boas jogadas gritando, em português, “vamooos”. E, ao lado dos demais integrantes do Time Mundo, puxou um coro, imitando os torcedores brasileiros do Chase Center: “Joãããão… Fonseca!”.

Tudo era secção do entretenimento oferecido ao público nos Estados Unidos, uma plateia que incluía estrelas do basquete da NBA. Mas o contato próximo com figuras da escol do esporte, do pretérito e do presente, parece ter feito muito ao carioca, que recebeu múltiplos elogios pelos golpes e também pela mentalidade.

“Ele é esperançoso. Não procura a validação de ninguém”, resumiu Agassi, que tem oito títulos de Grand Slam, distribuídos entre os quatro principais torneios do volta.

Rafter, bicampeão do US Open, foi ainda mais efusivo em sua avaliação do brasiliano. Embora tenha indicado que seu jogo tenha pontos que podem ser melhorados, observou no jovem a disposição e a humildade para ouvir.

“Incrivelmente maduro, muito bom cérebro para o tênis. Ele é imperturbado, desimpedido a sugestões, desimpedido a aprender. E rápido para responder, rápido para aprender. No próximo ano, neste momento, ele vai ser um grande jogador. Daqui a dois anos, vai ser fabuloso, porque tem a capacidade de aprender e quer continuar aprendendo. Ele ainda não está pronto, mas eu vi maturidade”, disse o australiano.

Rodeado de figuras proeminentes do volta, João passou a tratar algumas delas com maior proporção de intimidade –referiu-se a Francisco Cerúndolo uma vez que Fran e chegou a facilitar no atendimento de De Minaur em seguida um ferimento na ouvido. E tratou de escutar, mormente no contato com velhos campeões do esporte.

“Temos que pegar as coisas feitas por essas lendas e colocar na cabeça. São detalhes que só a experiência traz mesmo. Agradeço muito ao Andre [Agassi] e ao Pat [Rafter]. O que eu posso manifestar é que estou somente ouvindo. Não copiando, mas adquirindo experiência com eles e aprendendo muito”, afirmou.

Fonseca também teve contato com Roger Federer, 20 vezes vencedor de torneios Grand Slam. Nessa hora, permitiu-se ser mais um tiete do que um aspirante a número um do mundo.

“Foi um prazer, uma oportunidade. É um pouco com que toda párvulo que nutriz tênis sonha. Quando você encontra seu ídolo, é incrível. Quando me falaram que eu o encontraria, minhas mãos começaram a suar, eu estava tão nervoso. Tivemos uma conversa divertida, ele é um face superlegal.”

Folha

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