Gasto milionário, roteiro chapa branca, salas quase vazias: a estreia do

Gasto milionário, roteiro chapa-branca, salas quase vazias: a estreia do filme de Melania Trump em SP

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Montagem com o edital do filme sobre Melania Trump e o registro da sessão de estreia em um cinema na Pompeia, em SP, com somente um testemunha
Reprodução e Vinícius Lemos/g1
Eram 12h30 de sexta-feira (30) quando o emérito Fernando Passos, de 74 anos, se sentou em uma sala de cinema na Pompeia, em São Paulo, para testemunhar ao filme de Melania Trump, a primeira-dama americana.
“Paladar muito dela, porque ela é estilosa. Paladar daquele chapéu dela cobrindo os olhos nas celebrações, uma vez que nas posses. Acho que ela, uma vez que tudo em política, além de interessante, é meio hilária”, disse Passos.
Ele era a única pessoa presente naquela sala em um shopping. O horário ruim em um dia de semana, segundo ele, foi um dos principais motivos para a baixa procura pelo documentário “Melania”, lançado nesta sexta-feira (30) em todo o mundo.
“Quem vem ao cinema nesse horário em dia de semana, além de aposentados uma vez que eu?”, questiona.
Passos se declara apoiador do presidente americano Donald Trump. “Ele é um negociador, é um ‘businessman’, ele tem feito sempre coisas muito positivas”, avalia.
O emérito diz que por muitas décadas pertenceu à esquerda para tutorar pautas minoritárias, mas argumenta que ficou desenganado com as primeiras gestões do presidente Lula (PT) e hoje se define uma vez que conservador.
“Hoje em dia tenho uma outra visão sobre política. A esquerda tem muitas falácias em suas promessas, teve muita prevaricação no governo Lula e, por isso, mudei a minha visão”, comenta Passos.
Ao final do documentário, ele disse ter ficado seduzido com a postura de Melania. “Foi um filmaço”, resumiu.
Emérito Fernando Passos foi o único testemunha na estreia de “Melania” em um cinema da Pompeia, em São Paulo
Vinícius Lemos/g1
“Melania” acompanha a trajetória da primeira-dama americana nos 20 dias que antecederam a posse de Donald Trump em 2025, durante o seu retorno à presidência.
A obra tem sido intuito de polêmica e críticas por ser completamente chapa-branca: não há zero que desagrade a primeira-dama. Ela exerceu completo controle editorial sobre o teor, o que fez com que críticos questionassem a integridade artística e o valor jornalístico da produção.
Aliás, a produção recebeu investimento de US$ 75 milhões da Amazon MGM Studios, muito superior a outras obras do gênero. Esse valor, segundo o jornal “New York Times”, inclui murado de US$ 40 milhões pelo licenciamento da obra e outros US$ 35 milhões em uma agressiva campanha de marketing.
Analistas da indústria e críticos questionam os motivos por trás de um gasto tão saliente, sugerindo que a Amazon pode estar tentando recrutar favores com o governo Trump.
LEIA TAMBÉM: ‘Melania’: documentário que custou US$ 75 milhões à Amazon deve receber US$ 5 milhões na estreia
Salas quase vazias
Além do shopping da Pompeia, o g1 acompanhou a estreia do filme em outras duas salas de cinemas em São Paulo. Todas disponibilizaram somente um horário no período da tarde nesta sexta-feira.
As amigas Suzan, de 68 anos, e Denise, de 62 (ambas não quiseram informar o sobrenome), reclamaram do horário das 14h20, o único disponível em um shopping do Morumbi. “Tivemos que almoçar correndo pra conseguir chegar a tempo”, criticou Suzan.
Elas dizem que gostam de Melania e compraram ingresso para o filme porque queriam saber os bastidores da posse de 2025. Enquanto Denise é comedida sobre comentários políticos, Suzan logo se manifesta ao ser questionada sobre o presidente americano. “Eu base totalmente a gestão do Trump, porque ele está certíssimo”, disse.
Na mesma sessão estava a aposentada Sônia Pansera, que contou ter ido ao cinema para relaxar e também por curiosidade sobre a vida de Melania. “No sábado eu vim testemunhar Hamnet e vi o trailer do filme da Melania, logo decidi vir.”
Pansera não se considera admiradora de Trump ou de Melania. “Não sou fã, zero muito peculiar”, diz. “Não sou totalmente em prol, nem totalmente contra o Trump. Acho que ele é impetuoso, fala muito e depois retrocede, age mais ponderadamente”, afirmou.
Além delas, havia outras quatro pessoas na sala de cinema no Morumbi, sendo uma delas um crítico de cinema, que estava no sítio para examinar a produção.
O terceiro sítio que a reportagem visitou foi no bairro Bela Vista, em São Paulo, em uma sessão às 16h. No lugar havia seis pessoas na sala, sendo uma delas um outro crítico de cinema.
A baixa procura pelo filme não é alguma coisa restrito do Brasil. Ao volta do mundo, a produção também tem sofrido para atrair público. Em Londres, por exemplo, segundo o jornal The Guardian, foram vendidas poucas unidades de ingressos na estreia do filme.
g1 acompanha estreia do filme de Melania Trump em SP
Vinícius Lemos/g1
O g1 procurou a Amazon MGM, responsável por “Melania”, para saber detalhes sobre a distribuição do filme no Brasil, mas não obteve resposta até a desenlace deste texto.
Nos cinemas de São Paulo, o filme recém-lançado continuará com uma única exibição diária, na imensa maioria no período da tarde, nos próximos dias.
Mesmo no termo de semana, o documentário não parece atrair muita atenção. Em uma procura nas plataformas de ingressos na capital paulista, é verosímil ver salas de exibição sem nenhum assento ocupado ou com uma ou duas unidades de ingresso vendidas para sábado (31) e domingo (1).
Veja os vídeos que estão em subida no g1

Fonte G1

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