Gilberto Gil canta raridades em show leve em seu cruzeiro

Gilberto Gil canta raridades em show leve em seu cruzeiro – 03/12/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Gilberto Gil cantou pérolas e raridades no segundo show que fez no Navio Tempo Rei, cruzeiro temático dele que saiu de Santos na segunda (1°) e fica no mar até quinta (4). O baiano abriu a noite de quarta (3), que também tem apresentações de Elba Ramalho e Liniker.

Ele fez um show muito dissemelhante do dia anterior, quando mostrou uma versão enxuta de sua turnê de despedida, “Tempo Rei”. A orquestra e os arranjos na véspera foram os mesmos que ele tem levado a estádios e arenas do país ao longo do ano, somente com menos músicas no repertório.

Agora, na apresentação batizada de “Aquele Amplexo”, trouxe números novos, secção deles levados ao violão. Gil foi escoltado pelos filhos Muito, na guitarra e reles, e José, na bateria, além dos netos João, também na guitarra e reles, e Flor, no teclado. Todos se revezaram nos instrumentos de percussão.

Ele começou com “Expresso 2222”, que havia cantado na noite anterior, só que agora sentado ao violão, e seguiu com performances inéditas no embarcação —que também não estão na turnê de “Tempo Rei”. Seguiu com “Viramundo”, enquanto a plateia gritava que o amava, em seção que Gil definiu uma vez que “canções que remetem ao modo sertanejo do Nordeste do Brasil”.

Depois, emendou uma sequência rara de sambas —secção deles, composições de outras pessoas. Cantou “Chiclete com Banana”, de Jackson do Pandeiro, “Upa Neguinho”, de Gianfrancesco Guarnieri e Edu Lobo, conhecida na voz de Elis Regina, e “É Luxo Só”, de Ary Barroso e gravada por João Gilberto. Também “Ladeira da Preguiça”, que o baiano lembrou a plateia ter sido constituído durante seu exílio em Londres.

“Pequena de Ipanema”, clássico de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, veio numa mistura de bossa novidade com reggae —ou “um samba regado a Jamaica”, uma vez que Gil definiu. Ele dividiu os microfones com Flor Gil, de somente 17 anos, e que brilhou ainda mais no número seguinte, “Estrela”, com uma voz cândida que arrancou os aplausos e gritos do público.

O show teve clima relaxado, com Gil conversando com a plateia, apresentando cada música e contando histórias breves. Também teve um tom familiar, incluindo herdeiros do tropicalista que não estão na orquestra da turnê de despedida. Além de Flor, Bento Gil subiu ao palco para tocar violão para o avô em “Tempo Rei” —outro que recebeu ovação do público.

Gil nesta quarta-feira atrasou em quase meia hora, mas não foi atrapalhado pela chuva poderoso uma vez que na véspera. Foi uma apresentação também mais compacta e menos eufórica que a do dia anterior, quando ele teve a seu dispor a numerosa orquestra de sua excursão atual.

Dissemelhante do dia anterior, o navio MSC Preziosa estava em movimento cortando o oceano. O cruzeiro comporta muro de 4.000 pessoas, a maioria delas nesses dias são pessoas mais velhas e de classe subida —a cabine mais barata saiu por muro de R$ 9.000 para duas pessoas, fora custos com bebida e internet, por exemplo.

Além do espaço do palco principal no último dos 18 andares, a embarcação conta com piscinas, teatro, cassino, fliperama, cinema, liceu e diversas opções de bares e restaurantes. Nos dias anteriores, passaram pelo palco do navio Gilsons, Nando Reis e Jorge Vercillo. O Paralamas do Sucesso tocou na terça, assim uma vez que o cantor João Gomes.

Deu para ouvir com mais contundência o coro da plateia do Preziosa no segundo show de Gil. Ele chamou a participação do público, que levou nas palmas diversas performances do baiano.

Ele mudou alguns arranjos de músicas cantadas na véspera. Foi assim com “Tempo Rei”, centrada no violão de Bento Gil, e “Palco”, reestruturada e com Gil assumindo a guitarra, depois de passar toda a primeira secção da apresentação sentado ao violão.

O tropicalista estava à vontade e regeu os músicos da família com comandos uma vez que “mantém a levada!”, orquestrando a ingresso de solos ao invocar os herdeiros pelo nome. Também vibrou com a mostra de talento dos filhos e netos, ao término de cada performance deles.

Foi uma experiência verdadeiramente única, a oportunidade de ver um gigante da música popular brasileira fugindo dos hits óbvios para mostrar outros lados de sua obra. Também a chance de ver canções consagradas em arranjos compactos, carregados pela espontaneidade do encontro familiar —e de uma família que, particularmente, respira musicalidade.

Gil até arriscou alguns dos agudos impressionistas que marcaram sua obra, principalmente nos anos 1960 e 1970, mas que ele foi reduzindo ao longo dos anos para preservar a voz. O baiano distribuiu alguns deles em “Sarará Miolo”, em versão arrastada guiada pela guitarra saturada de João Gil.

Parecia mais uma jam despretensiosa na mansão da família Gil do que um show minuciosamente ensaiado para entreter as massas. E nisso houve espaço para Flor trovar “No Setentrião da Saudade”, em inglês e português, com o avô, e o tropicalista retrair um cover de “Stir It Up”, pedra do primeiro álbum de Bob Marley —”Catch a Fire”, de 1972.

Até em galicismo Gil cantou. Ele lembrou que compôs “Touche Pas à Mon Pote”, de 1985, apesar de não ter domínio da língua. A música, que menciona personalidades francesas uma vez que Jean-Luc Godard e Brigitte Bardot, exalta o movimento antirracista que batiza a música.

O baiano ainda cantou “Babá Alapalá” —música de 1977, do disco “Refavela”, que dedicou a seu orixá, Xangô— e “Madalena” na sequência final, que teve sucessos uma vez que “Andejar com Fé” e a derradeira “Toda Rapariga Baiana” —esta, com a plateia pulando uma vez que é de rotina. Gil deixou o palco posteriormente muro de 1h30, sob juras de paixão, as quais ele disse serem correspondidas, dos fãs no navio.

Folha

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