Gilberto Gil faz show intimista em navio após atraso

Gilberto Gil faz show intimista em navio após atraso – 02/12/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Gilberto Gil fez o primeiro de seus dois shows no cruzeiro devotado a ele, o Navio Tempo Rei, na noite desta terça-feira (2). A embarcação deixou o porto de Santos, em São Paulo, na segunda (1º), e atracou no Rio de Janeiro no dia seguinte.

A apresentação aconteceu com o navio parado no Porto Maravilha, mas a vista para o mar e para a orla da cidade acabou prejudicada. Isso porque, às 18h, quando Gil deveria subir ao palco, uma potente chuva caiu na região, atrasando o show em quase duas horas, e já estava escuro na hora da performance.

Enquanto os funcionários do navio, o MSC Preziosa, passavam dezenas de rodos para enxugar o solo, o rabi de cerimônias entretinha o público —a embarcação comporta tapume de 4.000 pessoas. Nesses momentos, com dançarinos no palco e um DJ, o cruzeiro lembra hotéis com complexos aquáticos e piscinas, com brincadeiras e danças de passos sincronizados.

Não colou muito com a plateia do Navio Tempo Rei, formada por pessoas mais velhas e majoritariamente de classe subida —a cabine mais barata do MSC Preziosa saiu por tapume de R$ 9.000 para duas pessoas, fora os custos de alimento, bebidas e outros. Além do palco principal, no último dos 18 andares, a embarcação conta com piscinas, algumas com tobogãs, teatro, cassino, fliperama, cinema, ateneu e diversas opções de bares e restaurantes.

No primeiro dia, o cruzeiro de Gil contou com shows de Gilsons, Nando Reis e Jorge Vercillo. No segundo, o tropicalista foi a atração mais aguardada, mas Os Paralamas do Sucesso e João Gomes também se apresentaram no espaço. O baiano volta a tocar na quarta (3), que também terá números de Liniker e Elba Ramalho, antes de o navio atracar na quinta (4).

Gil já era onipresente no navio antes mesmo de trovar —sua imagem está em totens, pôsteres e lojas, e sua música, nos alto-falantes—, e sua imponência no palco materializou o que a maioria do público esperava. Muita gente, aliás, já não aguentava mais esperá-lo, soltando vaias ao vídeo publicitário que antecedeu o show retardado —há propaganda espalhada por toda a embarcação, inclusive com inserções no sistema de som integrado do cruzeiro.

Aos 83 anos, ele começou um pouco rouco, mas foi aquecendo a voz ao longo do show. Depois de “Palco”, “Orquestra Um” e “Tempo Rei”, já tinha a plateia na mão. “Ele é uma entidade”, gritou uma pessoa, ao que outra emendou: “É um orixá!”

Dali seguiu com uma versão reduzida do show que tem apresentado em estádios e arenas pelo Brasil, sempre para plateias de dezenas de milhares de pessoas. A filarmónica, talentosa e repleta de herdeiros de Gil, foi a mesma da turnê “Tempo Rei”, assim porquê o repertório —só que com menos músicas.

O baiano tocou “Eu Só Quero um Xodó”, melodia que Dominguinhos fez para Gil gravar, e um combo de sucessos —”Domingo no Parque”, “Back in Bahia”, “Refavela”, “Não Chores Mais”, “Vamos Fugir”, “A Novidade”, “Realce”, “Drão”, “Esotérico”, “Expresso 2222”, “Marchar com Fé”, “Emoriô”, “Toda Rapariga Baiana” e “Aquele Amplexo”.

Ficaram de fora o reggae “Extra”, as roqueiras “Punk da Periferia” e “Rock do Segurança” e a místico “Se Eu Quiser Falar com Deus”, entre outras. Essas músicas podem integrar a apresentação que ele fará na quarta (3).

O Navio Tempo Rei não foi exceção no coro de “sem anistia” antes de “Cálice”, melodia lançada na ditadura militar e censurada à estação. Ela foi precedida, porquê de rotina na turnê de despedida, por um prova de Chico Buarque, parceiro de Gil na constituição.

A plateia do cruzeiro também manteve a tradição de trespassar do solo durante “Toda Rapariga Baiana”, talvez o momento de maior catarse dos shows atuais de Gil. No caso do navio, deu para sentir as estruturas balançarem —não é necessário muito para isso.

Gil pareceu estar particularmente simpático, conversando e apresentando os músicos de sua filarmónica. Foi provavelmente o show mais intimista de “Tempo Rei”, uma turnê feita para atingir multidões que, vistas do palco, costumam ter a face de uma tamanho anônima e distante, ainda que pulsante e enxurro de vigor.

No cruzeiro, Gil não encontrou fãs tão fervorosos quanto em outras praças. Mas pôde olhar o público nos olhos e interagir diretamente com ele enquanto defendia seu repertório.

O jornalista viajou a invitação da PromoAção.

Folha

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