Gilsons lançam faixas com colaboração de Caetano Veloso 19/01/2026

Gilsons lançam faixas com colaboração de Caetano Veloso – 19/01/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Quem, no início da dezena passada, viu o Olodum compelir multidões no Carnaval de Salvador, conheceu uma música inédita do conjunto. “Várias Queixas”, composta por Afro Jhow, Germano Meneghel e Narcizinho, lançada pelo grupo em 2012, era uma música de batuques e foliões, restrita ao Pelô.

Em 2019, o ritmo mudou. Francisco, João e José, que ouviram a letra durante a sarau, propuseram uma regravação a Narcizinho, que topou. Surgiu um tanto mais romântico, um pop com elementos do samba baiano. A teoria funcionou. O trio estourou com a tira e o grupo, até portanto tímido no imaginário popular, ganhou força com o nome –os Gilsons.

O nome é homenagem ao sobrenome em geral que compartilham, Gil, consagrados pelo pai e avô do trio, Gilberto Gil. Quatro anos depois o primeiro álbum, lançado em 2022, os Gilsons chegam ao segundo trabalho, o “Eu Vejo Luz em Maior Proporção do que Eu Vejo a Trevas”. Os artistas se dizem atentos ao risco de repetir fórmulas, com terror de uma “síndrome do segundo disco”.

“Ele é mais uma expansão, não necessariamente uma ruptura”, explica João Gil. O álbum é uma expansão do território já divulgado, cavando novas camadas dentro de uma linguagem que o público passou a reconhecer uma vez que própria.

Nesse pausa entre os dois discos, os Gilsons viveram um ciclo intenso de estrada. Turnês pelo Brasil e pelo exterior, apresentações em grandes festivais e participações na turnê “Tempo Rei”, do patriarca, ajudaram a amadurecer não só a performance, mas também a dinâmica interna do grupo. “O tempo foi generoso com a gente nesse sentido”, diz João.

Embora a teoria de um novo álbum estivesse no horizonte há qualquer tempo, o projeto só se materializou quando o grupo decidiu interromper a lógica fragmentada de lançamentos e pensar o trabalho uma vez que unidade. A partir de um conjunto inicial de canções, o disco passou a subsistir uma vez que um todo. Serão dez faixas ao final, reveladas gradualmente, começando com dois singles lançados nesta segunda (19).

Penetrar o álbum com parcerias não é exceção, mas método. Entre os convidados estão Caetano Veloso, Mulato Veloso e Tom Veloso, cantando uma música escrita por Arnaldo Antunes. Talvez de maneira inédita, gravar com nomes de peso não assombram os primos. José simplifica que, para além da honra, “ele é meu paraninfo. É uma relação familiar muito muito estreita, nós crescemos com os meninos”.

“Minha Flor”, nome da tira que junta os Gil e os Veloso, nasce quando uma melodia sem letra é apresentada a Antunes, que devolve o tema completamente moldado pelas palavras. Já a segunda tira, “Muito Me Quer”, é uma colaboração com Narcizinho, que vem enviando canções ao trio desde o sucesso de “Várias Queixas”. Além deles, os Gilsons garantem que existirão outras colaborações no álbum.

Se as composições aparecem de forma mais equilibrada entre os três integrantes neste segundo álbum, a produção músico fica majoritariamente a missão de José Gil. Avante da organização sonora, timbragens e gravações, ele assina grande segmento do disco.

Nascente é também o primeiro álbum dos Gilsons desde a morte de Preta Gil. O luto não aparece uma vez que tema explícito, mas atravessa silenciosamente o processo criativo, conta o trio. “Ele [o disco] veio uma vez que uma terapia. Não vou proferir tratamento porque você não fica curado, mas uma vez que um manobra para justamente lembrar que a gente tá cá, a vida vai seguir”, diz João.

Retornar ao estúdio, gravar novas músicas e retomar a convívio funcionaram uma vez que forma de reconexão –com a música, entre si e com a teoria de seguir em movimento. “Era uma preocupação muito grande da minha mãe, a gente não estagnar”, conta Francisco, fruto da Preta.

“Depois dela ter partido, não demorou muito tempo pra gente voltar pro estúdio. Voltamos gravando “Minha Flor”, e eu lembro de estar ouvindo e permanecer até meio sem perdão, porque parecia que eles tinham escrito a música falando sobre esse momento”, diz Francisco. “Mas prefiro me colocar no lugar de ouvinte da cantiga e perceber que ela para mim ocupa esse lugar. Da transmutação da presença.”

As canções compostas nesse período refletem um mergulho mais introspectivo, abordando transformação, presença e impermanência sem recorrer ao tom confessional direto. “É impressionante, assim, a forma uma vez que a minha mãe, ela ainda se faz presente, de uma forma ainda mais profunda. Ela segue com a gente.”

Ao tentar reunir o álbum em uma vocábulo, os Gilsons oscilam entre “luz” e “transformação”. Termos que sintetizam um álbum construído menos pela urgência do novo e mais pela crédito no tempo –de viver, de amadurecer e de seguir sem estagnar.

Folha

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