Globo de Ouro de Agente Secreto consolida caminho ao Oscar

Globo de Ouro de Agente Secreto consolida caminho ao Oscar – 12/01/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Santa Nanda da Sorte, uma vez que a equipe de “O Agente Secreto” apelidou o santinho com a imagem de Fernanda Torres que exibiu para as câmeras no tapete vermelho do Mundo de Ouro, fez milagre. E não só um.

Dirigido por Kleber Mendonça Rebento, o longa encerrou a noite deste domingo (11) fazendo história e impulsionando sua campanha rumo ao Oscar. Foram dois prêmios, um inédito de melhor ator em filme de drama, para Wagner Moura, e outro de filme em língua não inglesa. Foi derrotado por “Hamnet” em filme de drama, mas a indicação ali já tinha sido memorável por si só.

O Brasil nunca saiu do Mundo de Ouro com as duas mãos ocupadas. No ano pretérito, “Ainda Estou Cá” levou melhor atriz de drama, com Fernanda Torres, mas não filme em língua não inglesa. Antes disso, “Meão do Brasil” e “Orfeu Preto”, uma coprodução mais francesa do que brasileira, triunfaram na última categoria.

O maior prêmio, porém, não é o troféu em si, mas o tempo de tela que o evento deu aos brasileiros. Em seus discursos, Moura e Mendonça Rebento certamente convenceram muitos dos que ainda não viram “O Agente Secreto” a comprar um ingresso para o filme, aumentando suas chances de chegar à corrida do Oscar com público robusto.

Quanto mais burburinho em cima do longa, mais lembrado ele é na hora de os membros da Liceu de Artes e Ciências Cinematográficas escolherem seus votos. Até porque, para muitos artistas do clubinho de Hollywood –que é, sim, um clubinho, uma vez que as indicações ao prêmio do Sindicato dos Atores, muito anglófonas, deixaram evidente–, talvez não houvesse tempo para simpatizar com mais de um longa estrangeiro desta temporada.

Com os troféus do Mundo de Ouro, “O Agente Secreto” sai na frente de “Foi Exclusivamente Um Acidente”, representante da França –novamente uma pedra no caminho dos brasileiros com um longa mais estrangeiro que gálico, uma vez que foi com “Emilia Pérez”– e o norueguês “Valor Sentimental”.

Também desbancou, em melhor filme em língua não inglesa, o espanhol “Sirât”, o sul-corenao “A Única Saída” e o tunisiano “A Voz de Hind Rajab”. Entre os atores de drama, Moura venceu sobre Joel Edgerton, de “Sonhos de Trem”, Oscar Isaac, de “Frankenstein”, Dwayne Johnson, de “Coração de Lutador: The Smashing Machine”, Michael B. Jordan, de “Pecadores”, e Jeremy Allen White, de “Springsteen: Salve-me do Ignoto”.

É preciso sempre frisar que o corpo de votantes dos dois prêmios não poderia ser mais insigne. No Mundo de Ouro, votam pouco mais de 300 jornalistas e críticos, vindos de 76 países. No Oscar, são tapume de 10 milénio membros da indústria, em maioria esmagadora vinda de Estados Unidos e Reino Uno.

Em termos de representatividade, quase 10% dos votantes do Mundo de Ouro são brasileiros, fatia muito maior que na segunda instituição, historicamente fechada para latino-americanos. Mas o Oscar de “Ainda Estou Cá” no ano pretérito pode ter quebrado resistências entre americanos e europeus, numa espécie de campanha prévia –e totalmente no escuro– para o compatriota.

Agora, as chances de o Brasil desabrochar na lista de indicados ao Oscar de melhor filme internacional, a ser divulgada no próximo dia 22, são quase certas. E as de Wagner, apesar dos reveses sofridos com o The Actor Awards, o velho SAG, e o britânico Bafta, também aumentam consideravelmente. Talvez vejamos até uma repetição na categoria de melhor filme, uma vez que no ano pretérito.

Mais gente vai se interessar por “O Agente Secreto”, mais programas televisivos americanos vão querer falar com os envolvidos, mais revistas e jornais vão grafar sobre o filme, mais bilheteria vai ser gerada nos cinemas e por aí vai, num ciclo rumo à glória cinematográfica, com ou sem Oscar.

No caso de Moura, o caminho até a indicação é um pouco mais complicado. Se Torres pegou, no ano pretérito, uma das disputas de melhor atriz mais competitivas dos últimos tempos, o ator baiano também se depara com uma das corridas mais acirradas em tempos recentes, agora na fileira masculina.

Também há o indumentária de a quantidade de atores indicados ao Mundo de Ouro ser mais que o duplo do que aqueles que vão ao Oscar. No primeiro caso, há 12 nomes, no segundo, somente cinco –importante lembrar que Mikey Madison, a verdugo de Torres na disputa pelo homenzinho dourado, também competiu em comédia no Mundo de Ouro, embora tenha perdido para Demi Moore.

No Mundo de Ouro, Moura se livrou da concorrência de Leonardo DiCaprio e Timothée Chalamet, de “Uma Guerra Em seguida a Outra” e “Marty Supreme”, respectivamente. A vitória deste domingo foi crucial para reconduzi-lo às apostas de indicados ao Oscar, possivelmente enterrando as candidaturas de Jesse Plemons ou Ethan Hawke.

Com o Carnaval acontecendo muito antes do Oscar neste ano –em 2025, coincidiu com a cerimônia–, os foliões podem aproveitar o feriado de fevereiro menos tensos. Máscaras de Wagner Moura, pernas cabeludas e tubarões –figuras já folclóricas da trama de “O Agente Secreto”– certamente pintarão os bloquinhos de virente, amarelo e dourado, num experiência para o que pode ser mais uma noite histórica, em 15 de março.

Folha

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