Governo pede explicação à openai por concurso na amazônia

Governo pede explicação à OpenAI por concurso na Amazônia – 19/08/2025 – Mercado

Tecnologia

O governo brasílio, por meio do Ministério do Povos Indígenas (MPI), pediu explicações à OpenAI sobre um concurso global lançado pela empresa para identificar sítios arqueológicos na Amazônia, que tem gerado mal-estar entre grupos de pesquisadores do país. A pasta, que diz “observar com preocupação” a iniciativa, também solicita que não se divulguem mapas com a localização desses sítios até um harmonia com órgãos competentes.

O concurso se intitula OpenAI to Z Challenge, em referência à mito da cidade perdida de Z, que o explorador britânico Percy Harrison Fawcett acreditava viver em qualquer lugar na floresta em Mato Grosso. Ele, o rebento e um camarada desapareceram no Tá Xingu enquanto buscavam o tal lugar mítico, há século anos —e a empresa dona do ChatGPT lançou o duelo próximo ao natalício da expedição.

A teoria da competição é usar o ChatGPT junto a bases de dados abertos, com imagens de satélite, diários coloniais, relatos orais indígenas, entre outros, para fazer descobertas em privativo na Amazônia brasileira, mas também países vizinhos. A empresa vai partilhar US$ 400 milénio (R$ 2,4 milhões) em prêmios, divididos entre numerário e créditos para usar a API do protótipo de IA.

Mas grupos de arqueólogos protestam pelo veste de o duelo não mencionar diretrizes éticas para esse tipo de pesquisa, que incluem a procura de aval das populações locais. Uma convenção da OIT (Organização Internacional do Trabalho), formulada antes da popularização da IA, garante aos indígenas o recta à “consulta livre, prévia e informada” quanto a pesquisas que afetem seu território.

Em nota, a OpenAI diz que desenvolveu o duelo ao lado de acadêmicos a término de “colocar a pesquisa genuína no meio” do projeto. A empresa afirma que os participantes vão utilizar exclusivamente dados que já são públicos e promete que o trabalho deles não será usado para treinar modelos de IA nem para fins comerciais. A dona do ChatGPT também afirma que vai continuar seguindo as leis brasileiras e em diálogo com as instituições.

Em um ofício enviado para a OpenAI, a secretária pátrio de fala e promoção de direitos indígenas do MPI, Giovana Mandulão, solicita detalhes sobre os critérios metodológicos e jurídicos que a empresa adotou. E pede que não se divulguem mapas com a localização de sítios arqueológicos “até que haja alinhamento com os órgãos competentes e com os procedimentos legais cabíveis”. Em nota à Folha, a pasta afirma que há diretrizes que regulamentam pesquisas do tipo e que é preciso prometer o saudação a essas normas.

As inscrições de projetos acabaram no dia 29 de junho, mas a OpenAI ainda não divulgou quem são os finalistas.

O concurso surge num momento em que a pesquisa arqueológica na Amazônia tem florescido e ajudado a reescrever a história da região, revelando a existência de populações densas e formas de urbanismo antes da chegada dos europeus.

O campo tem sido revolucionado por ferramentas uma vez que a tecnologia LiDAR ({sigla} em inglês para “detecção e alcance da luz”), que permite mapear vastas áreas de floresta, vendo estruturas ocultas pela despensa das árvores —o duelo da OpenAI, aliás, emprega bases com imagens produzidas com esse recurso. A expectativa, entre entusiastas da lucidez sintético, é que os modelos levem esse tipo de pesquisa a um novo salto, analisando grandes quantidades de informação.

A competição, todavia, divide os cientistas brasileiros. Logo que foi anunciada, a SAB (Sociedade de Arqueologia Brasileira) divulgou uma nota sátira, reclamando que a região é palco de desinformação sobre cidades perdidas e que a menção à cidade Z contribui para isso, além de mostrar a falta de consulta a indígenas, quilombolas e povos tradicionais.

“Realizar uma competição sem que haja concordância deles é altamente antiético”, diz a arqueóloga Bruna Cigaran da Rocha, vice-presidente da SAB. “No Brasil, temos parâmetros que foram construídos com muito esforço sobre o patrimônio arqueológico e uma vez que ele deve ser estudado.”

A SAB sustenta ainda que a pesquisa arqueológica no Brasil só pode ser feita por arqueólogos. A entidade encaminhou sua queixa não só ao governo, mas também ao Ministério Público Federalista e ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Vernáculo).

Em nota, o Iphan fala em mortificação de que o concurso gere “efeitos práticos indesejáveis”, levando ao reconhecimento de locais que não são sítios arqueológicos ou levando pessoas não autorizadas a acessar sítios verdadeiros.

Mas há pesquisadores que viram vantagens no duelo da OpenAI. O arqueólogo Francisco Pugliese, do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília, resolveu participar com um projeto —atualmente, ele faz pesquisas de campo no sudoeste amazônico.

“Essas novas tecnologias nos permitem pronunciar muitos e muitos dados, abre um cenário de pesquisa fantástico”, diz ele, que defende consulta prévia aos indígenas. “Se não tomarmos as rédeas desse processo, serão os arqueólogos que fazem uma ciência predatória. É nosso papel mostrar que essas ferramentas devem ser usadas com moral.”

Pugliesi acredita que o alcance desse tipo de pesquisa pode facilitar povos originários em pleitos uma vez que o recta à terreno e demarcações.

“Já sabemos que o sul da Amazônia é uma grande paisagem arqueológica, com conjuntos interligados de grandes complexos, que indicam um urbanismo pré-colonial. Identificar essa legado pode ajudar na emprego correta das nossas leis sobre patrimônio arqueológico.”

Folha

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