Grupo teatral transforma balcão de cinema pornô em palco

Grupo teatral transforma balcão de cinema pornô em palco – 13/08/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Durante o dia, dezenas de homens pagam ingresso no Cine Dom José, no núcleo de São Paulo, para presenciar filmes pornográficos na imensa tela, típica dos antigos cinemas de rua da cidade. A partir das 19h, quando as sessões são encerradas, outra trupe entra no espaço histórico, próximo à Galeria Olido, ponto de encontro para o público.

A turma da noite é formada pelos artistas da Cia. LCT, que apresenta no balcão do cinema o espetáculo “Sinfonia Capital – Em Tempos de Segunda Mão”, até o dia 31 de agosto em parceria com o quarteto músico À Deriva.

A peça, livremente inspirada no livro “O Termo do Varão Soviético”, da escritora Svetlana Aleksiévitch, vencedora do Nobel de Literatura em 2015, aborda os escombros afetivos e ideológicos do pós-socialismo na Rússia e mostra um sentimento de perplexidade diante de um novo mundo, referto de promessas e desafios.

Encenar um espetáculo no cinema pornô era um sonho velho do grupo teatral, que ocupa as salas do espaço desde 2009, a partir de um concórdia amigável com o proprietário.

O Cine São José já foi sede da Sociedade Germania, fundada pela colônia alemã em São Paulo e que deu origem ao Clube Pinheiros. Na dez de 1950, passou a se invocar Cine Jussara, e recebia homens e mulheres elegantes para a exibição de filmes europeus.

A imponente frontispício na rua Dom José de Barros abriga uma história que continua, com outro formato, o que pode ser interpretado porquê um paralelo com a Rússia retratada na peça apresentada no balcão —um espaço também típico das salas de projeção do pretérito.

“A gente não pega o trem da história, a gente pega o trem da história em movimento”, diz o dramaturgo Carlos Canhameiro, responsável do espetáculo, referindo-se à teoria do filósofo gálico Louis Althusser, espargido pela releitura do marxismo.

A montagem recria uma típica cozinha soviética, com cenário inspirado na obra “Ramal para o Vermelho”, de Cildo Meireles. A tela do cinema integra a cenografia, com a exibição de um trecho da famosa sequência da escadaria no filme “Encouraçado Potemkin” e cenas geladas da Sibéria.

Ao longo da peça, os atores preparam conservas de tomate, uma referência à tradição russa. Os potes podem ser comprados pelo público no final.

O livro de Aleksiévitch traça um tela de russos espantados com a queda do predomínio soviético e curiosos diante das possibilidades de uma vida dissemelhante. Alguns desses relatos foram adaptados para a peça.

“Uma vez que seria inviável levar todos os depoimentos do livro para o palco, buscamos compreender o método da autora e fabricar nossa própria experiência cênica, partindo da teoria de que o término, na verdade, é uma ilusão”, diz o responsável.

A encenação acontece em uma estrutura com quatro movimentos, porquê em uma sinfonia: prólogo, seguido pelas cenas que ocorrem na cozinha política, uma reflexão sobre o paixão e o réquiem. A música do quarteto À Deriva conduz a dramaturgia.

A peça marca os 20 anos da companhia teatral e, além do “Termo do Varão Soviético”, foi criada a partir de estudos sobre a Rússia, com a participação de profissionais que tiveram experiências no país de Josef Stálin, Mikhail Gorbatchov e Vladimir Putin. Eles participaram de conversas educativas com os artistas.

Canhameiro enxerga o Cine Dom José porquê um ponto de sociabilidade e um espaço cultural no núcleo da capital. “O que vejo cá são pessoas que vêm presenciar filmes ou participar de encontros em um lugar que está protegido, de perceptível modo. Existe uma proteção porque elas não vão tolerar violência, porquê na rua”, diz.

Em “Sinfonia Capital”, o encontro é entre arquitetura, artes cênicas, música, cinema e as histórias humanas que correm o risco de serem esquecidas.

Para o dramaturgo, é um privilégio fazer segmento de um grupo teatral com sede nas amplas salas do marchar superior do cinema. “A razão de conseguirmos fazer teatro hoje, do modo que a gente faz, é porque temos esse espaço”.

No marchar de grave, onde circulam os fãs das produções pornográficas, as regras de convívio, porquê a proibição de rodear durante os filmes, estão fixadas em cartazes e a boa conservação do cinemão labareda a atenção.

Do lado de fora, a vida segue na rua da região medial, com paredes pichadas, negócio popular, bares lotados e som de rap e funk.

Folha

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