Reunidos em Cardiff, no País de Gales, para a reunião anual da Ifab (International Football Association Board), dirigentes da Fifa foram surpreendidos nas primeiras horas deste sábado (28) pelo ataque conjunto de Estados Unidos e Israel ao Irã e pela ulterior retaliação iraniana, que colocou o Oriente Médio no núcleo de um novo conflito armado.
O encontro no país, convocado para assinar medidas destinadas a açodar o ritmo das partidas e reduzir a chamada “cera”, terminou com a geração de um gabinete de crise para monitorar a escalada no Golfo e seus possíveis impactos na Despensa do Mundo marcada para junho. O torneio terá Estados Unidos, México e Canadá uma vez que anfitriões e conta com o Irã entre as seleções classificadas.
Em oração exibido pela televisão estatal iraniana, o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, classificou uma vez que “improvável” a participação do país no Mundial.
“Com o que aconteceu hoje e com o ataque dos Estados Unidos, é difícil olhar para a Despensa do Mundo com esperança, mas essa é uma decisão que cabe aos dirigentes do esporte”, afirmou.
A presença iraniana já era fim de controvérsia antes do conflito, devido às políticas migratórias adotadas pelo governo de Donald Trump. Desde junho de 2025, cidadãos iranianos estão proibidos de entrar nos Estados Unidos, embora haja exceções para atletas, integrantes de delegações e familiares envolvidos em grandes eventos esportivos.
Segundo o site The Athletic, delegados iranianos tiveram pedidos de visto negados antes do sorteio do Mundial, em dezembro do ano pretérito. À era, Andrew Giuliani, patrão da força-tarefa da Vivenda Branca para a Despensa, afirmou que decisões sobre vistos são tratadas uma vez que questões de segurança vernáculo.
Procurada pela Folha neste domingo (1º), a Fifa não respondeu sobre a enunciação de Taj nem sobre eventuais consequências do conflito para o torneio.
As três partidas do Irã na temporada de grupos estão previstas para ocorrer em território americano: contra a Novidade Zelândia, em 15 de junho, em Los Angeles; diante da Bélgica, no dia 21, na mesma cidade; e contra o Egito, em 26 de junho, em Seattle. Há ainda a possibilidade de um confronto direto entre Irã e Estados Unidos na primeira temporada eliminatória, caso ambos terminem em segundo lugar em seus grupos.
O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, afirmou que a entidade acompanha a situação, mas considera prematuro determinar impactos concretos. “Tivemos reuniões hoje e ainda é cedo para comentários detalhados. Vamos monitorar os desdobramentos globais”, disse.
Segundo ele, a federação manterá contato direto com os governos dos três países-sede para prometer a segurança da competição. “Continuaremos a nos discursar, uma vez que sempre fazemos. Todos estarão seguros”, afirmou.
Até o momento, não há anúncios oficiais de boicotes ou sanções esportivas relacionados ao conflito.
A Federação do Qatar, mas, anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, de todas as partidas e competições no país, com retomada condicionada à evolução do cenário de segurança. Duas partidas da Stars League, a primeira subdivisão vernáculo, que seriam disputadas no sábado (28), já haviam sido adiadas.
A decisão também lança incerteza sobre a realização da Finalíssima entre Argentina, campeã da Despensa América, e Espanha, vencedora da Eurocopa, prevista inicialmente para 27 de março no Qatar, ainda sem confirmação solene diante da escalada do conflito na região.
A crise ocorre em meio à proximidade política entre a Fifa e o governo americano. O presidente da entidade, Gianni Infantino, tem estreitado relações com Donald Trump, a quem entregou o “Prêmio da Tranquilidade” da Fifa durante o sorteio da Despensa de 2026, em dezembro de 2025.
No ano anterior, os Estados Unidos sediaram a primeira edição do Mundial de Clubes com 32 participantes, vencida pelo Chelsea, torneio meão na estratégia de expansão global da entidade. Durante a competição, a Fifa inaugurou uma sede na Trump Tower, em Novidade York.
Infantino também já havia defendido publicamente que Trump deveria receber o Nobel da Tranquilidade por sua atuação em negociações de cessar-fogo no Oriente Médio.
A escalada militar também mobiliza outras organizações esportivas. A F1 informou que monitora a situação diante da proximidade das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, previstas para abril.
Forças iranianas atingiram instalações americanas e alvos em países do Golfo —entre eles Qatar, Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, todos ligados ao calendário da categoria— em resposta à ofensiva inicial.
O GP do Bahrein está programado para 10 a 12 de abril, seguido pelo GP da Arábia Saudita, entre 17 e 19 de abril. As corridas seguem mantidas, mas a Pirelli cancelou testes de pneus para pista molhada no Giro Internacional do Bahrein por razões de segurança.
“Os testes foram cancelados em função da evolução da situação internacional”, informou a empresa, acrescentando que seus funcionários em Manama permanecem em segurança enquanto a companhia organiza o retorno das equipes.
A temporada da F1 começa na próxima semana em Melbourne, na Austrália, entre 6 e 8 de março, antes de seguir para China e Japão. Um porta-voz da categoria afirmou que o campeonato permanece fora do Oriente Médio nas próximas etapas, mas que a organização acompanha o cenário em coordenação com autoridades locais.
