Guerreiras do k pop: como meu pequeno guaraná foi criada

Guerreiras do K-Pop: Como Meu Pequeno Guaraná foi criada – 25/07/2025 – K-cultura

Celebridades Cultura

Desde que foi lançada, há um mês, a animação “Guerreiras do K-pop” tem feito sucesso mundial graças às músicas chiclete inspiradas no pop da Coreia do Sul. Entre o público brasiliano, uma delas virou a favorita: “Meu Pequeno Guaraná”.

A versão original se labareda “Soda Pop” —refrigerante, em inglês. O dublador carioca Marcus Eni foi o responsável por adequar as letras para o português e conta que queria alguma coisa que combinasse mais com o Brasil. Ele também dublou o personagem Baby Saja.

“Não queria deixar o original, ‘soda pop’, e achava que ‘meu pequeno refrigerante’ ou ‘refrigerantezinho’ não casava muito, não rimava. Eu acreditava que guaraná funcionaria muito muito para a nossa cultura”, ele explica. “Acabou funcionando.”

Para Eni, a identificação com a letra contribuiu para o sucesso da música. “As pessoas gostam quando alguma coisa faz sentido e é trazido para a nossa cultura. Guaraná é alguma coisa que todo mundo sabe o que é, todo mundo toma. E acho que não imaginavam os personagens cantando isso.”

O dublador estava tão entusiasmado com o projeto que adaptou as sete canções originais em uma semana, uma por dia. Quando chegou ao refrão de “Soda Pop”, travou. Ele a finalizou por último e tinha receio de não ser aprovada, por acharem infantil ou “brasileira demais”.

Eni explica que recebeu as músicas antes do filme, com a tradução literal. Ele diz que tentou deixá-las o mais leal verosímil, ao mesmo tempo em que fizessem sentido para a versão brasileira e combinassem com a leitura labial dos personagens.

“Não basta só rimar, a boca tem que estar batendo junto. Também temos que fazer com que as canções façam sentido. Ela faz sentido no linguagem original, às vezes, passar para o português tem essa complicação”, afirma. “Quando a gente não consegue chegar em alguma coisa através da tradução, tentamos chegar através do que a imagem passa.”

O hit é cantado pela boyband fictícia Saja Boys, que são demônios disfarçados de ídolos de k-pop ——com recta a cabelos coloridos e jeans apertados. Eles surgem na para tentar roubar os fãs das Huntrix, grupo formado por três caçadoras de demônios.

As canções chegaram ao topo das paradas globais, liderada por “Golden”, a escolhida para tentar uma vaga no Oscar. As versões dubladas, no entanto, não estão oficialmente nos streamings musicais. No YouTube, o vídeo “Meu Pequeno Guaraná” tem 2 milhões de reproduções. No TikTok, o termo acumula 17,4 milhões de publicações. Uma dancinha com os ombros ajuda a torná-a ainda mais viral.

Disponível na Netflix, a animação é da Sony, mesmo estúdio de “Varão-Aranha no Aranhaverso”, vencedor do Oscar. Por trás da trilha sonora estão produtores que trabalham com os principais artistas do k-pop. Também há outro brasiliano no meio: Marcelo Zarvos, que compôs uma fita instrumental.

As músicas assustaram os dubladores quando eles as ouviram pela primeira vez, diz Eni. “Pelo nível de dificuldade. São canções de produções absurdas.” O carioca diz que já esperava o sucesso de “Guerreiras do K-pop” pela qualidade da produção. “As músicas são muito boas. Desde quando recebi a playlist, fiquei ouvindo todos os dias. Quando o projeto é interessante, fica muito fácil de fazer a adaptação”, diz.

Eni começou a trabalhar com direção músico de filmes no termo do ano pretérito. Até por isso, ele queria focar em guiar os dubladores e não a si mesmo —por isso, achava que não deveria dublar Baby Saja. Mas deu evidente e ele diz que recebe várias mensagens nas redes sociais por razão da dublagem do personagem, que, apesar do nome e do visual fofo, tem voz grossa e faz rap –o que combinou com sua bagagem, já que ele começou com o rap no mundo da música e trabalhou uma vez que beatmaker.

O dublador de 27 anos fez vozes em filmes uma vez que “Varão-Aranha através do Aranhaverso”, “Lilo, Lilo, Crocodilo”, “Pantera Negra: Wakanda Para Sempre” e “A Mulher Rei”, e séries uma vez que “Wandinha” e “Ted Lasso”. Também trabalhou com k-dramas, uma vez que “O Rei de Porcelana” e “Vinte e Cinco, Vinte e Um”.

Por razão de “Guerreiras do K-pop”, diz que começou a ouvir o pop sul-coreano –hoje, tem escutado bastante o trabalho solo de Jungkook, um dos integrantes do BTS. “Tive que passar a consumir mais k-pop para poder entender uma vez que é que funcionavam as canções”, justifica. “Toda a equipe de produção visual passou a gostar muito.”


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Folha

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