A animação “Guerreiras do K-pop” foi lançada na Netflix sem muito ostentação e surpreendeu ao virar um sucesso momentâneo desde que estreou, no último dia 20. O filme chegou ao top dez em 93 países e ao topo no Brasil. Três semanas depois, permanece entre os mais vistos no mundo e a trilha sonora lidera as paradas globais.
A trama acompanha três guerreiras que caçam demônios sugadores de almas e, uma vez que frente, são um grupo de k-pop. O esquina delas funciona uma vez que uma rede de proteção contra o mal, mas uma boyband demoníaca —com recta a visual com cabelo pintado, tanquinho e jeans colado— surge para tentar roubar seus fãs.
Com cores vibrantes, a animação é da Sony, estúdio de “Varão-Aranha no Aranhaverso”, vencedor do Oscar. A história se passa na Coreia do Sul e é um prato referto para fãs de k-pop, que vão reconhecer referências uma vez que as performances coreografadas, os programas musicais e de entretenimento coreanos, os “ships” e os “lightsticks”.
As canções, em inglês e coreano, foram pensadas desde o início para fazer sucesso fora do longa, gravadas antes de serem incluídas no enredo. “How It’s Done”, logo na lhaneza, parece ter saído de um álbum do Blackpink. “Youd Idol” poderia ser cantada pelo Enhypen.
Não à toa, foram escalados produtores que trabalham com artistas do k-pop, uma vez que Teddy Park, responsável por hits do Blackpink, e Lindgren, que colaborou com BTS e Twice. A trilha sonora inclui filete assinada pelo brasiliano Marcelo Zarvos e canções do Twice e EXO.
A estratégia deu notório. A trilha chegou ao 3º lugar na Billboard 200, ranking dos álbuns mais populares nos Estados Unidos, e todas as músicas entraram na Billboard Hot 100. Na Billboard Global 200, “Golden” alcançou o 2º lugar, e “Your Idol”, o 10º. “Golden” lidera as músicas mais ouvidas no mundo no Spotify, com 98 milhões de reproduções, e alcançou a 1ª posição das paradas da Coreia do Sul.
Os grupos fictícios superaram até o desempenho do BTS e Blackpink nos Estados Unidos. No Spotify, o Huntrix acumula 20 milhões de ouvintes mensais, e o Saja Boys, 16 milhões. A animação também virou febre entre os ídolos, que gravam covers e dancinhas nas redes.
Maggie Kang, diretora do filme ao lado de Chris Appelhans, confirmou que se inspirou em grupos reais para gerar o visual dos personagens. As vozes são narradas por Arden Cho (Rumi), May Hong (Mira) e Ji-young Yoo (Zoey). Ahn Hyo-seop, espargido pelos k-dramas, dá voz a Jinu, líder da boyband demoníaca, e Lee Byung-hun, de “Round 6”, repete papel de vilão. Não são eles, no entanto, quem cantam.
Além do lado pop, o longa apresenta elementos da mitologia e arte tradicional coreanas. Eles surgem, por exemplo, nas roupas, que incluem o “hanbok”, vestimenta tradicional, o “gat”, um chapéu preto e longo, e o “norigae”, secundário usado uma vez que talismã de sorte.
Dois personagens simpáticos se destacam, um tigre de olhos esbugalhados e um pega, tipo de pássaro. Os animais são símbolos do país asiático, vistos uma vez que guardião contra espíritos malignos e mensageiro de boas notícias. Eles são retratados num tipo de pintura tradicional, “hojakdo” —nelas, o tigre é um bicho abobalhado, representando a nobreza, e o pega, inteligente, representava o povo.
Datado da dinastia Joseon, o “Irworobongdo”, biombo com pintura que retrata o Sol, a Lua e cinco montanhas e simboliza a simetria do universo e a domínio do rei, aparece no palco das Huntrix. As lâminas usadas por Zoey, uma das guerreiras, são inspiradas no “sinkal”, arma místico usada por xamãs. Já o visual dos Saja Boys em “Your Idol” remete ao “jeoseung saja”, segador coreano.
A cineasta Maggie Kang conta que queria ver a cultura de sua terreno natal representada numa animação, e optou por mostrar aspectos do patrimônio cultural. “A primeira coisa que me veio à mente foi a rica mitologia coreana e o universo sobrenatural dos demônios —um tanto muito dissemelhante do que estamos acostumados a ver na mídia tradicional”, diz em nota da Netflix.
O projeto foi desenvolvido durante a pandemia. Kang também queria retratar super-heroínas que a representassem. “Não unicamente aquelas que são fortes e destemidas, mas também mulheres com falhas e imperfeições, que são engraçadas, que amam consumir e comem demais –o tipo de mulher que eu sempre quis ver nas telas.”
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