Em seguida três anos fechado e de passar por um retrofit que custou R$ 12 milhões, o vetusto Teatro Estreia, no bairro de Santo Amaro, zona sul de São Paulo, será reaberto na sexta-feira (24) com novidade identidade —BTG Pactual Hall, “naming rights” adotado em referência ao banco patrocinador.
O músico “Hair”, produzido pela Proeza, dos empresários Aniela Jordan e Luiz Calainho, foi o escolhido para a reinauguração. Com Rodrigo Simas no elenco, a novidade versão do espetáculo da Broadway é dirigida por Charles Möeller e Claudio Botelho.
“O teatro estava funcional. Se fizéssemos uma pequena reforma, ele poderia reabrir”, diz Calainho. A Proeza, responsável pela gestão do lugar, optou, no entanto, por obras mais amplas, o que incluiu a construção de uma novidade ingressão, troca de todas as poltronas e do carpete, renovação da cenotecnia e dos equipamentos de luz, reforma dos camarins e dos banheiros.
O empreendimento é resultado de uma parceria da Proeza com o BTG Pactual Asset Management, o KSM Reality, a Realty Properties e o Beyond The Club.
Segundo Calainho, o BTG Pactual Hall será um equipamento cultural multi-conteúdo, com apresentações de peças de teatro, musicais, shows, eventos de voga, literatura e de games e temporadas de dança, uma tradição do vetusto Estreia.
“É um equipamento que vai dialogar com todas as formas da economia criativa. A teoria, inclusive, é operar de manhã, à tarde e à noite. A gente quer que ele seja, de traje, o grande equipamento cultural de São Paulo, numa amplitude de teor realmente muito vasta”, diz o empresário.
É o primeiro teatro governado pela Proeza em São Paulo —no Rio, a produtora é responsável pelos teatros Riachuelo, Adolpho Bloch e Ecovilla Ri Happy.
O Estreia fechou as portas em 2022, em seguida o terreno que incluía o Hotel Transamérica ser comprado pelas incorporadoras KSM Realty, Realty Properties e BTG Pactual Asset Management.
No lugar do vetusto hotel, o Beyond The Club é construído e oferecerá aos sócios uma praia sintético com orla de areia e ondas para surfistas, quadras esportivas, restaurantes, bares, ateneu, spa e lojas.
Apesar da parceria, o teatro é um espaço independente em relação ao clube de luxo, com ingressão para o público em universal.
Com 1.110 lugares, o espaço terá uma segunda sala em 2026, com capacidade para 200 pessoas e voltada ao público infanto-juvenil. Estão nos planos também a oferta de cursos de formação gratuitos para técnicos.
Operística, a montagem atual de “Hair” reúne um elenco de 30 atores em um cenário teatral. “Eu pensei no que seria a minha utopia, o meu Shangri-lá”, conta Charles Möeller. “E a minha utopia sempre esteve dentro de um teatro. Logo, eu uso os recursos do teatro para fazer a minha ópera hippie”.
Para ele, o espetáculo, original da dezena de 1960, ainda é um libelo pela silêncio e pelo paixão, por mais que essas palavras estejam desgastadas.
“A maneira porquê ‘Hair’ entra no coração das pessoas é muito poderoso, é quase um mantra”, opina. “Será sempre um grito em relação aos horrores do mundo”.
O espetáculo foi apresentado no Rio de Janeiro, no Teatro Riachuelo, e ficará em edital na capital paulista até dezembro. O trio de protagonistas, Rodrigo Simas, Eduardo Borelli e Estrela Blanco, estreia em musicais.
“É muito importante para mim e me desafia em vários aspectos”, afirma Simas. “E é uma emoção grande estrear em um teatro que está sendo reinaugurado, um espaço importante para a arte em São Paulo”.
Borelli lembra que os musicais exigem dos atores uma preparação quase atlética em relação a corpo e à voz, o que torna a experiência ainda mais marcante.
“Reinaugurar um palco com tanta história e formosura é engrandecedor. É porquê se, através da arte, o tempo se dobrasse —pretérito, presente e porvir se encontrando no mesmo lugar”.
Na dezena de 1960, “Hair” estreou em plena efervescência da contracultura, dos movimentos contra a Guerra do Vietnã, e ainda reverbera.
“Há paralelos possíveis com o cenário geopolítico atual, mas, para aliás, ‘Hair’ fala sobre juventude, liberdade, embates geracionais, formação de comunidade e, principalmente, sobre as escolhas que moldam nossas vidas”, diz Borelli. “Por isso a identificação é tão ampla: são questões que continuam atravessando o tempo, o espaço e as pessoas”.
É a segunda vez que a Proeza produz uma montagem do espetáculo. A primeira foi em 2010, também com versão de Möeller e Botelho para o músico escrito em 1967 por Gerome Ragni e James Rado, com música de Galt MacDermot.
“Curiosamente, esse espetáculo hoje é mais atual do que em 2010”, afirma Calainho, referindo-se às guerras contemporâneas. “Tanto que temos uma resposta poderosa do público. É tempo de deixar o sol entrar, olhar para o paixão e para a silêncio”.
Em dias alternados, o novo teatro vai apresentar também, a partir de 5 de novembro, o espetáculo “Vozes Negras – A Força do Esquina Feminino”, que celebra cantoras e compositoras negras na história da música brasileira.
A programação de 2026 terá atrações porquê o Ballet Paraisópolis, shows de Johnny Hooker, MPB4, Bee Gees Alive e Queen Legend, entre outras atrações.
