Highline: brasileiro tem recorde de travessia na Venezuela 01/01/2026

Highline: brasileiro tem recorde de travessia na Venezuela – 01/01/2026 – É Logo Ali

Esporte

Seis dias caminhando por uma trilha desafiadora pela selva venezuelana, com 25 quilos de bagagem às costas, foi só o prelúdios da odisseia enfrentada por Rafael Bridi em outubro pretérito, para chegar à cascata Salto Angel, na Venezuela, considerada a mais subida do mundo, com 979 metros de profundidade. Naquele lugar, que o povo indígena Pemón, nativo da região, labareda de Körepakupai Wen (ou “a mais formosa”), ele e sua equipe instalaram uma fita de highline de 148 metros de extensão para cruzar toda a intervalo do salto 29 metros supra da risca da chuva. Com isso, ele conseguiu registrar o nome no “Livro Guinness dos Recordes” porquê a travessia mais exposta, mais longa e com maior profundidade vertical já realizada.

A expedição reuniu um grupo internacional de highliners e montanhistas, com possante participação de atletas alemães que tiveram papel decisivo na concepção e na realização do projeto. Ao lado de Rafael Bridi, integraram a equipe Lukas Irmler, Jens Decke, Karl Schrader, Valentin Rapp e Antonia Rüede-Passul. Durante seis dias de trekking, foram mais de 85 quilômetros percorridos em meio a florestas densas, pântanos, labirintos rochosos e a um clima imprevisível. Todo o equipamento foi transportado nas mochilas, com o base fundamental de guias locais e carregadores do povo Pemón, que fizeram secção ativa da expedição, contribuindo para a navegação, a logística e as decisões em campo. A instalação da risca exigiu precisão técnica e coragem, com pontos de ancoragem remotos, aproximações expostas e longos deslocamentos pelo topo do tepui —serra com topo em formato de mesa, semelhante ao monte Roraima, característico da região.

“Uma vez que desportista profissional do highline, eu sempre tento buscar locais que envolvam muito mais do que só o highline em si, mas que tenha todo esse processo de planejamento, em lugares pouco frequentados, com chegada difícil e que tenham uma história relevante”, contou Bridi à Folha logo em seguida a confirmação de seu recorde. E quando ele fala de planejamento, não está brincando: foram dez anos de preparação para ocupar sua façanha.

“Santo Angel reúne tudo o que eu buscava havia anos”, diz ele. “Era a escolha procedente, apesar de envolver toda uma burocracia, e dificuldades de chegada e logística, por reunir ancestralidade, isolamento, rochas das mais antigas do mundo, coisa de bilhões de anos, e uma história possante ligada ao malabarismo”, acrescenta. “Escolher o lugar foi fácil, difícil mesmo foi chegar lá, com um cenário que a cada dia mudava completamente, com cinco arco-íris por dia, momentos de firmamento completamente fechado e tudo pulsando ao nosso volta”, diz.

Outros atletas da modalidade já haviam realizado travessias mais curtas do salto, em 1988 e 2015. Bridi foi além. Uma das maiores dificuldades foi conseguir patrocínio para a empreitada que, no final, sairia por tapume de US$ 32 milénio (R$ 176.000 no câmbio de terça, 30). Com o base providencial da trabalhador de equipamentos esportivos Columbia, o projeto finalmente saiu do papel.

Chegando ao tepui, era preciso identificar os pontos ideais para uma ancoragem tão longa. “Pessoas que tinham estado lá não sabiam nos manifestar o que seria bom, a maioria dos que visitam o lugar chega de helicóptero e no supremo dorme lá e desce de rapel, há pedaços onde prendemos a risca em que nunca ninguém havia estado, o que é uma sensação memorável”, conta Bridi. Para estender a fita, em vez de utilizarem drones, optaram pelo meio mais difícil —escalaram as paredes de rocha e atravessaram o rio Kereparkupai por cima, puxando a fita ao longo de pedras escorregadias à orla da subida queda d’chuva. Uma corda mais fina ajudou a passar as fitas (uma principal e outra de backup) sobre as quais seria feita a travessia, com duas equipes, uma de cada lado da cascata, encontrando-se no meio. Trabalho para ninguém botar defeito.

Um veste curioso do processo é que, na Venezuela, é proibida a ingressão de drones, coisas da segurança pátrio do complicado governo sítio. Mas para obterem as imagens que vão virar um documentário de registro da façanha, o equipamento seria forçoso. E o drone passou pela fronteira sem maiores problemas. “Perguntaram se tinha um drone na mochila, disse que não, e não estava mesmo, e passamos sem maiores problemas”, conta, jocoso, o desportista que, entre uma travessia e outra, administra a empresa que fundou, a Oriundo Extremo, em Urubici, na serra catarinense. Lá, o leigo que quiser sentir um pouquinho da emoção de uma travessia, vá lá, muito mais modesta, pode fazer um salto de pêndulo, tirolesa tradicional ou uma tirolesa de bike —tudo a 120 metros de profundidade. Não é zero, não é zero, já é um horripilação e tanto.


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Folha

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