Homenagem do Salgueiro a Rosa Magalhães fechará desfiles de

Homenagem do Salgueiro a Rosa Magalhães fechará desfiles de 2026

Brasil

A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha temor de feitiçeira, de bacalhau nеm do pirata da perna de pau é o enredo da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro em 2026, que traz uma grande homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães.

Grande vencedora de carnavais no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, inaugurado em 1984, Rosa levou seis títulos. Foram cinco na Imperatriz Leopoldinense e um na Vila Isabel, marcando a história dos desfiles com muita originalidade, inovações e brasilidade.

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O carnavalesco do Salgueiro, Jorge Silveira, contou, em entrevista à Escritório Brasil, o que aprendeu com a grande mestra do sambódromo, que morreu em julho de 2024.

“A Rosa é professora e nos ensinou a amar o Brasil e a brasilidade por meio dos seus carnavais. A cada ano, ela descortinou o mundo da identidade brasileira na passarela com seus trabalhos. É um carnaval de reconhecimento ao universo imaginativo com que a Rosa nos presenteou”, complementou.

A variedade do trabalho da artista foi, de longe, o principal entre os desafios encontrados. Em 50 anos de curso, ela passou por 12 agremiações do Rio de Janeiro, entre elas Portela, Tradição, Mangueira, União da Ilhota, São Clemente e Tuiuti.

 


Rio de Janeiro (RJ), 14/01/2026 - Jorge Silveira, carnavalesco do Acadêmicos do Salgueiro, fala sobre o enredo dao desfile de 2026 da escola em homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, no barracão da escola, na Cidade do Samba.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 14/01/2026 - Jorge Silveira, carnavalesco do Acadêmicos do Salgueiro, fala sobre o enredo dao desfile de 2026 da escola em homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, no barracão da escola, na Cidade do Samba.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Jorge Silveira, carnavalesco do Acadêmicos do Salgueiro, fala sobre o enredo de homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, no barracão da escola, na Cidade do Samba. Foto: Tânia Rêgo/Escritório Brasil

“Sem incerteza é a artista que ficou mais tempo no processo de produção de carnaval. Rosa Magalhães é a única artista que venceu nas cinco décadas em que foi carnavalesca, portanto, sempre foi uma artista inovadora e relevante, de uma produção absolutamente incrível”, apontou.

A opção, logo, foi preparar um carnaval não biográfico e apostar na memória coletiva sobre seu trabalho na avenida.

“Quem é fã e amante do carnaval vai identificar claramente os símbolos, porque vai ter anjinho, diadema, jegue, vai ter tudo aquilo que a Rosa criou no seu imaginário fisicamente representado, mas variegado com outros elementos, para produzir uma memória mais ampla das emoções que ela nos proporcionou”, contou.

Revolução Salgueirense

A vontade de homenagear a carnavalesca cresceu, principalmente, porque Rosa começou a sua curso artística no Salgueiro, disse o carnavalesco, que classificou a professora porquê “fruta e filha da revolução salgueirense dos anos 60”, um movimento estético em que o Salgueiro transformou o carnaval carioca.

“A Rosa é segmento desse movimento encabeçado pelo Fernando Pamplona e pelo Arlindo Rodrigues, que são naturalmente professores da Rosa”, pontuou

O grupo contava ainda Maria Augusta, Lícia Lacerda, Joãosinho Trinta e Viriato Ferreira, que depois também se tornaram grandes carnavalescos.

A decisão de homenageá-la, segundo o carnavalesco, ganhou um reforço no sorteio da ordem de desfiles das escolas. O Salgueiro vai ser a última corporação a se apresentar e terá a oportunidade de dar um grande fecho ao carnaval de 2026, o que será usado para substanciar a homenagem. Em 40 anos de Sambódromo, a escola nunca tinha sido a última.

“Quando aconteceu essa formato de elementos, a gente bateu o martelo e decidiu homenagear a professor Rosa Magalhães”.

 


Rio de Janeiro (RJ), 03/02/2026 – Fantasia da ala de baianas do Salgueiro para carnaval de 2026
Fotos: Ygor Gusmão/GRES Acadêmicos do Salgueiro
Rio de Janeiro (RJ), 03/02/2026 – Fantasia da ala de baianas do Salgueiro para carnaval de 2026
Fotos: Ygor Gusmão/GRES Acadêmicos do Salgueiro
Fantasia da fileira de baianas do Salgueiro para carnaval de 2026 Fotos: Ygor Gusmão/GRES Acadêmicos do Salgueiro

Livraria de Rosa Magalhães

Uma das características do trabalho da carnavalesca era ter um livro porquê ponto de partida para desenvolver os seus enredos. Jorge recordou que ela sempre começava os seus carnavais por meio da pesquisa.

“As ideias da Rosa nascem do contato com o universo literário. Ela mergulha na literatura e de lá surgem as ideias, portanto, é o livro o símbolo mais dispendioso, mais valedouro da professora”.

O carnaval do Salgueiro, portanto, vai encetar entrando na livraria de Rosa Magalhães, onde os seus personagens estão aguardando a escola para essa celebração.

Para desenvolver o enredo, a escola foi ingerir na manadeira da própria homenageada, que deixou um vasto pilha na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde estão catálogados todos os seus desenhos.

Todo o material foi coletado, escaneado e disponibilizado na internet pelo banco de dados da Uerj, o que permite a qualquer pessoa acessar as mais de 4 milénio imagens que Rosa separou nesses 50 anos de carnaval.

Ao agrupar as ideias de teor a equipe de pesquisa percebeu que existiam imagens que se repetiam em alguns enredos. Isso possibilitou agrupar os temas.

A pesquisa indicou, no entanto, que os materiais dos anos 1990 e 1991 não estavam incluídos nos arquivos da Uerj. E esses dois carnavais foram justamente os assinados por Rosa no Salgueiro. A solução para essa escassez veio durante uma sarau de celebração do enredo e em memória de Rosa.

“Fico eriçado só de lembrar”, contou emocionado. “No dia exato da homenagem para ela, trouxeram para nós as pastas de 90 e 91 de presente. Eram os desenhos que faltavam para completar o meu álbum de figurinhas de memórias. Eu não posso confiar que esses desenhos não foram mandados pela própria Rosa”.

 


A carnavalesca Rosa Magalhães trabalhando no barracão da Portela
A carnavalesca Rosa Magalhães trabalhando no barracão da Portela
A carnavalesca Rosa Magalhães trabalhando no barracão da Portela em 2018. – Cristina Índio do Brasil/Escritório Brasil

Bom aluno

Jorge Silveira está vivendo um momento próprio com o enredo. Ele teve oportunidade de trabalhar com a professora quando ela fez dupla jornada em carnavais no Rio e em São Paulo, quando ele foi assistente e bom aluno.

“Pude frequentar a moradia dela, receber os ensinamentos e ter um contato muito próximo. Ela era um ser humano incrível, porque diante da grandeza e do impacto que ela produziu na cultura brasileira, era uma pessoa extremamente simples, humilde, professora de pegar na mão e orientar porquê deve ser feito”, disse grato.

“Tudo isso que a gente está falando nasce de uma mulher em um envolvente altamente machista, onde tem uma predominância absoluta de carnavalescos homens. Ela botou todos eles debaixo do braço e ganhou de todo mundo”, concluiu.

Percentagem de frente

Os ensaios para a preparação da percentagem de frente do Salgueiro para 2026 começaram em outubro e, desde logo, os componentes e o coreógrafo Paulo Pinna estão em um ritmo puxado, que ainda não terminou.

“Vamos até, basicamente, o dia do carnaval, em uma rotina muito intensa de ensaios à noite que chegam a ter até quatro horas de duração”, revelou.

Pinna disse que é uma responsabilidade muito grande simbolizar o universo da carnavalesca Rosa Magalhães, ainda mais pela valimento que ela dava a levante quesito de julgamento.

“É uma honra poder falar dessa carnavalesca que tanto fez pelo nosso quesito. que é percentagem de frente. Está sendo muito bacana edificar aos poucos esse universo que vamos simbolizar”, destacou.

Sem antecipar os segredos da sua percentagem de frente, o coreógrafo contou que a homenagem seguirá características marcantes na carnavalesca: irrevêrencia e leveza.

“A Rosa fazia muito muito isso e conseguia usar poucos elementos que se decodificavam em vários para poder descrever uma narrativa. Acho isso muito permitido”.

Oriente ano, a percentagem vai se apresentar com 19 componentes, sendo 15 aparentes. Com isso, se pode imaginar que vai possuir trocas de bailarinos dentro de alguma parábola que não serão vistas pelo público.

“Óbvio que temos surpresas e todos vão poder se deliciar. No dia 17 [quando vai ser o desfile], acho que não pode faltar a surpresa, ainda mais, em percentagem de frente de Rosa Magalhães”, completou.

Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Peculiar do Rio de Janeiro

1º dia – domingo (15/2)

  • Acadêmicos de Niterói – Do Eminente do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
  • Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
  • Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
  • Estação Primeira de Mangueira – Rabi Sacacá do Magia Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra

2º dia – segunda-feira (16/2)

  • Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
  • Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
  • Unidos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
  • Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.

3º dia – terça-feira (17/2)

  • Paraíso do Tuiuti  – Lonã Ifá Lukumi;
  • Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
  • Acadêmicos do Grande Rio – A Região do Mangue;
  • Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha temor de feitiçeira, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.

Fonte EBC

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