Ia faz engajamento com mídia tradicional subir, diz estudo

IA faz engajamento com mídia tradicional subir, diz estudo – 07/08/2025 – Mercado

Tecnologia

Um novo estudo sobre o impacto da lucidez sintético para o trabalho da prensa profissional mostrou um resultado contraintuitivo: ao mesmo tempo em que o teor falso criado por IA gera queda universal de credibilidade —mesmo entre veículos tradicionais— e aumenta a preocupação com a desinformação, ele pode levar leitores a um maior engajamento com veículos de notícias considerados confiáveis.

Em resumo, a pesquisa indica, com um trabalho empírico, que a crescente escassez de crédito no envolvente do dedo pode aumentar o valor da credibilidade jornalística.

O experimento de campo foi realizado por pesquisadores em colaboração com o jornal germânico Süddeutsche Zeitung (SZ) e envolveu 17 milénio leitores do veículo.

Os resultados estão no item “GenAI Misinformation, Trust, and News Consumption: Evidence from a Field Experiment”, do economista brasiliano Filipe Campante, da Universidade Johns Hopkins, com os pesquisadores Ruben Durante (Universidade Pátrio de Singapura), Felix Hagemeister (Süddeutsche Zeitung) e Ananya Sen (Carnegie Mellon University). Ainda é um trabalho em tempo pré-print, ou seja, sem revisão de outros cientistas.

Os participantes foram divididos em dois grupos. O primeiro, chamado de tratamento, teve que diferenciar imagens reais de outras geradas por IA em um quiz; o objetivo era mostrar a capacidade da tecnologia de gerar teor que parecesse genuíno.

Já o outro grupo era o de controle, que, numa pesquisa científica, não recebe o tratamento em teste. Isso permite aos cientistas calcular se os efeitos observados no grupo principal foram realmente causados por esse tratamento —e não por outros fatores. Esse conjunto respondeu a um quiz sobre eventos atuais com imagens reais, sem nenhuma menção à IA.

Depois dos testes, os pesquisadores questionaram os participantes sobre a preocupação deles com a desinformação e o nível de crédito em diversas plataformas de mídia, incluindo o próprio SZ.

Resultado: a exposição às imagens de IA aumentou a preocupação dos leitores com a desinformação em tapume de um terço de meandro padrão (medida geral em estudos científicos).

Outrossim, o estudo também rastreou o comportamento de navegação de 6.000 participantes do primeiro grupo nas semanas seguintes no site do SZ, acompanhando as visitas diárias ao jornal e o status da assinatura deles.

A exibição das imagens falsas também teve impacto negativo na crédito dos leitores em todas as plataformas de mídia e redes sociais —incluindo o próprio Süddeutsche Zeitung—, numa queda de 0,1 meandro padrão.

“A demanda pelo teor não depende da qualidade absoluta da informação daquele veículo, mas da qualidade relativa; o que eu leio ali, comparado com porquê fico se não ler aquele jornal”, afirma Filipe Campante.

Apesar da queda universal de crédito, os expostos à IA aumentaram suas visitas diárias ao site do SZ; a princípio, a subida foi de 2,5% nos primeiros três a cinco dias, em relação ao grupo de controle. O efeito diminuiu com o tempo, mas continuou significativo por mais de duas semanas.

O estudo também indica um aumento na retenção de assinaturas: o grupo de tratamento mostrou uma verosimilhança 1,1% maior de continuar assinando o jornal, com uma taxa de cancelamento tapume de um terço menor para os indivíduos que tiveram o comportamento rastreado.

Segundo os pesquisadores, isso mostra que, ainda que o efeito da exposição às imagens de IA possa diminuir ao longo do tempo em decisões do dia a dia, ele continua significativo na hora em que os leitores decidem manter sua assinatura.

Mesmo com o recorte específico, os pesquisadores apostam que os resultados se replicariam em veículos de perfil semelhante.

“Não vejo por que descobrir que a reação de consumidores de veículos comparáveis em outros países seria dissemelhante. Acho que a Folha é um jornal bastante comparável ao SZ, por exemplo. A secção conceitual do item mostra que há uma lógica nesse comportamento”, diz Campante.

Mas, há conclusões que não podem ser tiradas a partir do estudo. A pesquisa, enfim, foi feita com leitores de jornal, não pessoas aleatórias na rua, já que o objetivo era indagar quem já tem crédito num veículo.

“Não sabemos se uma pessoa consumindo informação na internet vai reagir da mesma forma, se ela não tiver relação de crédito com alguma publicação”, diz Campante.

De todo modo, os autores do estudo apostam que os dados sugerem até verosímil estratégia de negócios para empresas de notícias: quanto mais os veículos conquistarem crédito do público, maior é a oportunidade de geração de receita, num cenário de subida do teor gerado por IA. Mas é preciso permanecer esperto, afirma Campante.

“Sua capacidade de mitigar o problema tem que seguir no mínimo tão rápido quanto o problema. Tem que manter o ritmo da tecnologia.”

Folha

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